Paraísos Artificiais

Paraísos Artificiais poderia ter decidido ser um drama, desses que mostram com ar documental o sofrimento, a destruição dos laços familiares, a perda dos momentos com quem se ama, e que enfatizasse a culpa que as pessoas sentem pelas más escolhas.

O filme poderia ter escolhido um caminho rebelde, divertido e ousado, talvez até com um ar de apologia, mostrando pessoas se divertindo, experimentando novas drogas, todas as sensações boas que elas causam e viajando em todos os sentidos.

Poderiam ter resolvido fazer dele uma lição de moral do estilo “Quantas pessoas morrem para uma bala estar em uma rave”, ou ainda mostrar as drogas sintéticas levando pessoas à morte por overdose ou à cadeia.

Mas, convenhamos, não seria real. “Paraísos Artificiais” mostra a busca pelo múltiplo, como o jovem é hoje, como são as facetas da realidade. Contempla “a vida como ela é”, abordando o tema com harmonia e até leveza. Dificilmente algum tema será novidade. O filme não é um documentário e nem pretende ser. É comercial e divertido, mas converge com a realidade com maestria.

Se ele escolheu ser apenas um quadro relatando o que acontece? Creio que não, ele tem sim aquele “Q” de ficção com encontros e acasos absurdos, como nas novelas. E se não é lição de moral, passa alguma mensagem? Acredito que o que ele exalta é a liberdade em seus múltiplos sentidos, afinal, no século XXI, todos podem se divertir como e com quem bem entenderem.

O filme foi pelo caminho do real, mostrando que existe liberdade para as escolhas dos caminhos, mas não para as consequências do que se escolhe.

Por Letícia Gouveia

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Il Viaggio

No final de semana da Virada Cultural, houve a estreia do espetáculo teatral “Il Viaggio”, no Sesc Bom Retiro.

Inspirada na obra “Il Viaggio di G. Mastorna”, de Federico Fellini, a adaptação faz jus ao título, levando o público a uma viagem que circula entre a realidade e a imaginação, o consciente e o inconsciente do protagonista.

Com uma narrativa não-linear, personagens non-sense e muitas mudanças de cenário, a montagem consegue representar as maluquices dos nossos sonhos (ou só eu tenho sonhos coloridos e loucos?) com pessoas que são outras, teletransporte, quedas, glamour.

Eu não costumo gostar de filmes escuros, mas no caso de shows e peças de teatro, isso não se aplica. Considero que cenas com pouca luz, como acontece em “Il Viaggio”, deixa o clima mais intimista – às vezes um pouco propenso ao sono, sim-, o que não é prejudicial neste espetáculo, visto que essa certa “embriaguez” causada pelo ritmo, estimula uma sensação de confusão entre sono/sonho e realidade, levando-nos a uma experiência de viver um sonho acordados.

Vale a pena participar dessa experiência, que certamente será muito particular e diferente para cada espectador presente. “Il Viaggio” fica em cartaz no Sesc Bom Retiro até o dia 10 de junho.

Il Viaggio
De 5 de maio a 10 de junho
Sexta-feira às 20h, Sábado às 19h e Domingo às 18 horas
Importante – Quinta-feira, 7 de junho (feriado e meu aniversário), às 18 horas

SESC Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro – São Paulo – SP
Ingressos: R$24,00 inteira, R$12,00 meia e R$6 reais para associados SESC
Classificação Etária: 16 anos
Duração: 85 minutos

Ficha Técnica
Livre Adaptação: Marcelo Rubens Paiva
Argumento da Livre Adaptação: Marcelo Rubens Paiva, Helena Cerello e Pedro Granato
Roteiro: Federico Fellini
Direção: Pedro Granato
Elenco: Esio Magalhães, Bete Dorgam, Helena Cerello, Paula Flaiban, Paulo Federal e Ed Moraes
Concepção e Coordenação Geral Do Projeto: Helena Cerello
Direção de Arte: Usina da Alegria Planetária
Equipe de Criação: Renato Bolelli Rebouças, Beto Guilger e Vivianne Kiritani
Iluminação: Alessandra Domingues
Trilha Sonora: Marcelo Pellegrini
Assistência de direção e preparação corporal: Beatriz Morelli
Vídeo: Quelany Vicente
Arte do material gráfico: Ivald Granato
Assessoria de Imprensa: Arteplural
Produção Geral: Flávia Tonalezi

Por Thais Polimeni

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Conspiração Americana

Se formos pesquisar quais termos poderiam ser utilizados para definir o povo norte-americano, o patriotismo provavelmente estaria entre os principais mencionados. O orgulho da nação e a devoção a suas principais figuras históricas são características amplamente propagadas pelo mundo, muitas vezes, inclusive, através do cinema. E com certeza, uma das personalidades que mais possui identificação imediata com os Estados Unidos é o presidente Abraham Lincoln.

Em “Conspiração Americana”, novo trabalho de Robert Redford na direção (que chega com atraso aos nossos cinemas), a morte de Lincoln é o foco principal da história, mais precisamente o julgamento dos membros da conspiração que resultou no atentado contra o presidente, quando este assistia a uma peça de teatro, e nas tentativas de assassinato do vice-presidente Andrew Johnson e do secretário de Estado William Henry Seward.

Trabalhar com temas históricos norte-americanos não é uma novidade na carreira de Redford como diretor. Em “Quiz Show” de 1994, seu melhor filme atrás das câmeras, o galã retratou os bastidores dos game shows e da televisão nos anos 50, e em “Leões e Cordeiros” de 2007, abordou o tema da ocupação americana no Afeganistão. Logo na primeira cena de “Conspiração Americana”, Redford mostra dois soldados do Norte, feridos no campo de batalha, no final da Guerra da Secessão. O Capitão Frederick Aiken (James McAvoy) tenta acalmar seu amigo, Nicholas Baker (Justin Long) contando uma piada. Quando o resgate chega, a primeira atitude de Aiken é pedir imediatamente que levem primeiro o seu subordinado. Uma cena feita para não deixar nenhuma dúvida sobre a conduta correta e o caráter límpido do personagem.

Ao retornar da guerra, Aiken retoma seu trabalho como advogado e é convocado pelo juiz Reverdy Johnson (Tom Wilkinson), para defender Mary Surratt (Robin Wright), uma sulista, mãe de um dos acusados da conspiração contra Lincoln e dona da pensão onde os conspiradores se reuniam. Abalado com a morte de seu presidente, assim como quase toda a população do país, a princípio Aiken se nega a aceitar o trabalho, acreditando cegamente na culpa de Surratt. Nesse ponto já temos o primeiro problema do filme. Pois após uma nova conversa rápida com o juiz e uma breve cena em que conta para sua namorada, Sarah (Alexis Bledel) sobre a proposta de trabalho, Aiken muda de opinião e resolve aceitar o caso. Uma mudança repentina demais.

Redford utiliza uma iluminação que busca ser natural, os ambientes são escuros e a luz está sempre entrando por janelas e portas, especialmente nas cenas de tribunal (para iluminar o caminho da justiça). Mas ao contrário do que se poderia imaginar, o diretor não busca exaltar o sistema de justiça americano, mas sim mostrar como ele falhou nesse caso, traçando um paralelo direto e bem claro com governo Bush e sua guerra ao terror, ao mostrar que os comandantes do país, representados principalmente pelo promotor Joseph Holt (Danny Houston) e pelo secretário da Guerra, Edwin Stanton (Kevin Kline) buscavam uma solução rápida para “trazer paz” a sua população após a morte de seu presidente. Para isso, deveriam escolher um culpado, o Osama Bin Laden da época, (no caso Mary Surratt e os outros conspiradores) não importando se as provas eram suficientes para tal acusação. O que importava era eliminar a ameaça e restabelecer a ordem.

O problema é que essa denúncia soa forçada. O personagem de Kline acaba ficando caricato, não por culpa do ator, mas pelo roteiro que coloca sempre frases prontas e de efeito em sua boca, transformando-o em um grande “vilão sem alma”, capaz de manipular provas e testemunhas no julgamento para conseguir condenar Surrat à forca. Essas cenas com as testemunhas também não convencem, ficando sempre com um ar de artificialidade. E mesmo que McAvoy e Robin Wright, como uma mãe que acima de tudo quer proteger seus filhos, se esforcem e estejam bem em seus papeis (as cenas entre os dois, como a do pátio da prisão são as melhores), não conseguem salvar o filme por completo. Existe uma interessante história a ser contada em “Conspiração Americana”, e as intenções do diretor são boas, mas ele acaba pesando a mão. Um outro exemplo disso é o plano final com Aiken saindo da prisão completamente sozinho, andando pelo gramado enquanto a câmera se afasta lentamente. Um plano que exagera ao reforçar a imagem do personagem como a de um cavaleiro solitário, lutando contra tudo e contra todos para defender, não apenas Suratt, mas a Lei em sua forma correta, como prevista na Constituição Americana.

Não há dúvidas de que os autores desse que é o documento mais importante da história dos Estados Unidos buscavam um bem maior. Mas, como a história nos mostra, nem sempre as boas ideias que estão no papel são colocadas em prática como deveriam. E o filme de Redford sofre exatamente desse mal.

Por Leonardo Ribeiro

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Sete Dias Com Marilyn

Parece fácil apontar os fatores que levam a construção de um ícone, de um mito. Destaque em seu meio, talento e carisma são alguns elementos essenciais. Some a eles um destino trágico, que cause comoção e uma ligação emocional com as outras pessoas, e provavelmente teremos a fórmula ideal. Só que nem sempre isso basta, é preciso haver um “algo a mais”, aquilo que não somos capazes de definir de forma lógica, mas que sabemos que está lá. E se existiu alguém que possuiu esse “algo a mais”, esse alguém foi Marilyn Monroe.

Em “Sete Dias com Marilyn” de Simon Curtis, não temos uma biografia propriamente dita de Marilyn, mas um recorte pequeno de um período de sua vida, quando foi à Inglaterra em 1957 para filmar “O Príncipe Encantado”, com Sir Laurence Olivier. A história é narrada pelo ponto de vista de Colin Clark, autor dos dois livros em que o filme é baseado. Terceiro assistente de direção em “O Príncipe Encantado”, o jovem inglês acaba tendo um romance breve com a atriz hollywoodiana durante as conturbadas filmagens da produção.

O diretor Curtis, egresso da TV britânica, utiliza uma montagem ágil (como os flashs dos fotógrafos que viviam atrás de Marilyn) principalmente na primeira meia hora, já que, assim como o período da vida da atriz retratado na tela, o filme é curto. Algo que faz bem por não se arrastar demais, mas também faz mal por não se aprofundar melhor em alguns pontos da personalidade de sua figura principal. Sem demonstrar um talento acima da média, Curtis entrega um filme “redondo”, que não tem nenhum grande destaque na direção, mas não compromete a narrativa. Ajudado por uma reconstituição de época cuidadosa (direção de arte, fotografia, figurinos, etc) e por uma bela trilha sonora com toques de jazz, o diretor entrega a tarefa de carregar o filme para Michelle Williams.

Encarnar o maior sexy symbol de todos os tempos, definitivamente não é uma tarefa simples, mas Williams vence esse desafio com muitos méritos. Mesmo sem ter uma grande semelhança física com Marilyn, Williams consegue captar e reproduzir olhares, trejeitos, gestos e tom de voz com perfeição. Sua interpretação transmite toda a sensualidade e fragilidade de uma personagem bem complexa: uma mulher que passa a viver 24 horas por dia uma personagem, desfrutando do prazer e ao mesmo tempo carregando o peso de ser a estrela mais desejada do cinema na época. Vemos no filme uma Marilyn ciente de seu poder de encantamento, capaz de controlar os homens muito mais facilmente do que a si mesma, mas também vemos uma jovem frágil e insegura, que deseja tanto provar que é uma boa atriz, quanto agradar e ser amada por todos.

Ao lado de Michelle Williams, o resto do elenco também está muito bem. Kenneth Branagh (ator com formação teatral e shakespeariana , como Olivier) está excelente. O mesmo vale para Judi Dench, Julia Ormond e Eddie Redmayne. No papel de Colin, Redmayne acaba representando o sentimento de praticamente todos os homens por Marilyn, como um simples mortal que se encontra com uma Deusa. E se o filme exagera um pouco na repetição de cenas que mostram como Marilyn atrasava as filmagens por estar sob o efeito de calmantes ou por estar tentando encontrar a sua personagem (a atriz era adepta do Método Stanislavisk), a beleza, o charme e o talento de Williams compensam os deslizes.

Mesmo com alguns assuntos tratados de forma superficial, como a sua relação com a mãe (“Toda garotinha merece ouvir como ela é linda”, diz Marilyn com tom melancólico), Williams consegue dar profundidade a personagem, mostrando o lado ousado, como na cena do lago, e o lado encantador da atriz, como na bela sequência em que Colin a espia cantando na banheira.

A morte precoce da atriz acabou por concretizar de vez o seu desejo de ser idolatrada, o seu desejo de estar bela “mesmo depois de 400 anos”. Pois a imagem de Marilyn que ficará eternizada na memória de todos é essa: a da a mais pura tradução de musa, de ícone, de mito. E através de Michelle Williams, o filme consegue fazer jus a essa imagem.

Por Leonardo Ribeiro

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Diário de Um Jornalista Bêbado

Parece existir algo comum a quase todas as profissões, o confronto entre os sonhos, a visão idealizada que as pessoas têm de sua profissão e a realidade encontrada no mercado de trabalho. Entre as profissões mais romanceadas nas telas está a de escritor, seja esse escritor um poeta, um roteirista ou um jornalista. Em “Diário de um Jornalista Bêbado”, de Bruce Robinson, o personagem principal é Paul Kemp (Johnny Depp), um escritor americano que chega a Porto Rico no final dos anos 50 para trabalhar em um decadente jornal local. Mesmo com a tensão política e vários conflitos acontecendo no país, o editor-chefe do jornal, Lotterman (Richard Jenkins), designa trabalhos “inofensivos” para Kemp, como matérias sobre os turistas locais e o horóscopo diário. Para Lotterman, os leitores não querem saber dos problemas que acontecem no país, nem sobre quem está em situação pior do que a deles, eles querem apenas distração.

Kemp é na verdade um alter ego do escritor Hunter S. Thompson, o pai do jornalismo gonzo, de quem Depp é um fã declarado. Essa não é a primeira vez que Thompson é retratado no cinema, o jornalista já foi personagem de “Uma Espécie em Extinção” (interpretado por ninguém menos do que o grande Bill Murray) e em “Medo e Delírio” (vivido pelo próprio Depp). Mas diferente do filme de Terry Gilliam, aqui temos um Thompson em uma fase pré-gonzo, menos insana e psicodélica do que nas décadas seguintes de sua vida. Não que os traços de insanidade tenham sido ignorados. Desde a primeira cena somos apresentados ao personagem como sendo um inveterado apreciador das bebidas alcoólicas, capaz de gastar centenas de dólares com o frigobar do hotel.

Paralelamente ao seu lado boêmio, também vemos em Kemp um artista frustrado, que escreveu dois romances sem nenhuma repercussão e que ainda não “encontrou sua própria voz”, como ele mesmo diz. O escritor, apesar de seu comportamento politicamente incorreto, é um idealista que realmente acredita no poder da imprensa para ajudar a combater a corrupção, políticos, etc. Esse seu sentimento aflora ainda mais depois do contato com um rico empresário americano, Sanderson (Aaron Eckhardt), que planeja construir um luxuoso complexo hoteleiro em uma das ilhas do país, apoiado por ex-militares e figurões locais. E é com a namorada de Sanderson, Chenault (Amber Heard), que Kemp acaba tendo um envolvimento romântico.

Robinson (premiado roteirista, mas que não dirigia nada desde “Jennifer 8″ em 1992) filma com segurança e adota sem medo a comédia escrachada, muitas vezes física, como na hilária cena do carro sem o banco da frente, para dar o tom a seu filme. Depp tem um ótimo timing cômico e é ajudado pelos bons diálogos, com frases do próprio Thompson, e também pelo ótimo elenco coadjuvante, com destaques para Michael Rispoli, como o fotógrafo Sala e para Giovanni Ribisi, impagável como o jornalista sueco Moberg, compondo uma figura que remete a Thompson em sua fase mais insana. Não é à toa que é Moberg que proporciona a primeira viagem de ácido de Kemp no filme.

O diretor aproveita bem as belas paisagens porto-riquenhas, com um bom trabalho de cores que aos poucos vai transformando os tons vivos e quentes em tons mais escuros e frios à medida que o personagem de Kemp enfrenta a realidade e se desiludindo com seu “sonho no paraíso tropical”. Talvez essa abordagem mais leve, em comparação a “Medo e Delírio”, por exemplo, acabe tornando o filme meio superficial em relação à obra de Thompson e também sobre a profissão de jornalista. Ao mesmo tempo, essa opção vai de encontro ao confronto tratado no começo do texto, mostrando com certa inocência um profissional que se vê obrigado a ter que lutar para tornar os seus ideais, deixando para trás a visão romântica que tinha de seu trabalho. “Ser sempre franco com o leitor e levar a verdade através de tinta e fúria”, essas são algumas das últimas palavras de Kemp.

Mesmo sem esse aprofundamento, o filme consegue entreter e fazer rir com facilidade, e esse parece mesmo ser seu maior objetivo. Pois com uma boa dose de humor, de sonhos (e de rum, porque não?) a vida torna-se bem mais fácil de ser aproveitada.

Por Leonardo Ribeiro (Ribeiro, não Cássio)

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Educação na nova geração

Cultura e educação são duas áreas muito conectadas. Tenho uma amiga que é professora do ensino fundamental e nós identificamos diversas semelhanças entre nossos trabalhos. Um dos pontos que nós consideramos mais importantes e que nos diferenciam de muitas outras profissões é a ligação entre a vida pessoal e profissional.

No mundo corporativo, é comum escutar: “Deixe os problemas pessoais em casa quando for sair para trabalhar”. Quando se é professora, é complicado tentar dar aula para uma classe em que as crianças estão preocupadas com outros assuntos, como problemas em casa ou brigas com os amigos. Em cultura, é difícil não se envolver com os problemas pessoais dos artistas no andamento dos projetos. As questões pessoais, nessas duas áreas, influenciam totalmente nos resultados almejados.

Hoje, vi dois vídeos na internet que abordam o conceito da Educação e da nova geração. Será que devemos continuar com o mesmo sistema educacional? Como podemos fazer com que os jovens se interessem por arte e cultura? Muitos adultos acham que os jovens estão cada vez mas dispersos… Qual o motivo dessa dispersão?

Os dois vídeos abaixo respondem essas perguntas e ainda abrem para muito tempo de reflexão. O Dossye Geração Y 2012 é um resumo de uma pesquisa feita pela Hello Research e Boo-Box, publicada no final de março deste ano (leia mais sore a pesquisa no site do Clube de Criação de São Paulo). O outro vídeo é sobre “Quebra de Paradigmas na Educação”, referente a uma apresentação de Sir Ken Robinson, autor de livros sobre educação e criatividade, e palestrante do TED. Vale a pena investir uns 20 minutinhos:

O DossYe Geração Y 2012

Quebrando Paradigmas na Educação

Por Thais Polimeni

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Edital Natura Musical 2012

Ótima notícia recebida agorinha, via e-mail:


O 1º Edital Nacional Natura Musical 2012 está chegando.

Há 7 anos, a Natura vem apoiando a música brasileira. Durante esse tempo, mais de 170 projetos foram contemplados e viabilizaram experiências prazerosas com os ritmos e histórias do Brasil.

Agora, está chegando a sua vez de inscrever um projeto. Fique atento, a partir do dia 24 de abril as inscrições estarão abertas.

Serão aceitos projetos de todos os tipos, inscritos ou aprovados na Lei Rouanet ou Lei do Audiovisual: gravação e lançamento de CD/DVD, apoio à pesquisa, realização de documentários, biografias, atividades socioeducativas, recuperação de acervo e apoio a turnês, entre outras iniciativas que tenham a música como destaque.

Para mais informações, visite www.natura.net/patrocinio ou ligue para 11 3146-0970

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Boa Sorte!!

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Webserie: As Olívias Queimam o Filme

Estamos na última semana da série de posts do Cult Cultura sobre Webséries. Para finalizar o sucesso desse projeto (no texto sobre “Histórias da Ana“, 93 pessoas curtira o/), publicaremos uma entrevista com o grupo “As Olívias” (representadas pelo Diretor do grupo, Victor Bittow), da webserie “As Olívias Queimam o Filme”.

Percebi que grande parte das equipes das webseries consideram a migração para a TV uma ótima oportunidade. Digamos, então, que “As Olívias Queimam o Filme” foi uma “webserie que deu certo”. Elas foram convidadas para estrear um programa no Multishow e já estão na segunda temporada: “Olívias na TV”. Um sucesso de audiência.

É com muito orgulho que publicamos a entrevista sobre “As Olívias Queimam o Filme”. Leiam, compartilhem, assistam! ;)

1) Como foi divulgada a webserie “As Olívias Queimam o Filme”?
As Olívias: Basicamente através das redes sociais. Nesse sentido, foi estratégico convidarmos amigos com grande força nesse meio pra participarem dos episódios. O Rafinha Bastos, que sempre foi um entusiasta do projeto, participou de 2 episódios e deu uma grande contribuição na divulgação. Assim como o Rafael Cortez, o Oscar Filho, os meninos da Cia. Barbixas de Humor, entre outros. Na 2ª temporada, com patrocínio e um pouco mais de estrutura, pudemos contar também com um trabalho de assessoria de imprensa.

2) Quando As Olívias estrearam no teatro, vocês já pensavam na possibilidade de irem para a internet? Como surgiu a ideia de fazer a webserie?
As Olívias: Não me lembro de termos cogitado essa idéia lá no início, até porque era 2005 e o YouTube tinha acabado de surgir também. Nossa primeira experiência nesse sentido foi no final de 2007, quando gravamos alguns vídeos com temas natalinos e afins, de maneira bem doméstica, mas que ficaram com um resultado bacana (a série “Amigo Secreto da Firma”, com 3 vídeos dessa leva, ainda está disponível no nosso canal no YouTube). Esse vídeos foram gravados em um momento em que não estávamos em cartaz, não conseguíamos pautas nos teatros e éramos insistentemente ignorados por editais e patrocinadores. Como continuávamos tendo idéias e não tínhamos onde executá-las, foi natural que experimentássemos algo na internet. A websérie “As Olívias Queimam o Filme” só tomou forma mesmo quase 1 ano e meio depois, quando sentimos a necessidade de fazermos algo mais elaborado, explorando realmente a linguagem audiovisual, com ideias que só poderiam ser executadas dessa maneira. Foi também o momento em que encontramos os parceiros que precisávamos na empreitada – nosso amigo Daniel Nascimento, da Cia Barbixas de Humor (que dirigiu a série), e a TJ Produções.

3) Quando vocês criaram a webserie, já pensavam na possibilidade de estrearem na TV?
As Olívias: Sinceramente, não. Pensamos a websérie muito como um veículo pra ampliar o nosso público no teatro e fazer o nosso trabalho chegar a mais gente (principalmente aos patrocinadores!). Quando a coisa na internet foi tomando uma proporção maior, com os acessos chegando à casa do milhão (hoje são quase 3 milhões de views!), começamos a considerar a possibilidade de levar o trabalho pra TV, mas, no fundo, achávamos que não haveria espaço pro tipo de humor que fazíamos. O convite do Multishow foi uma surpresa e, confesso, veio mais rápido do que imaginávamos.

4) Vocês encontraram alguma diferença entre filmar para a internet e para TV?
As Olívias: Em termos de linguagem, levamos basicamente o que fazíamos na internet pra tv, já que nosso programa conservou o formato de esquetes rápidas, humor nonsense e situações cotidianas. Mesmo na internet, já tínhamos um grande cuidado em relação à produção, e isso foi uma das coisa que também chamou a atenção do Multishow. O que mudou nessa transição foi o tamanho da estrutura e o ritmo de trabalho.

5) Quanto tempo foi necessário para As Olívias estrearem na TV, a partir do momento que foi feito o convite pela Multishow?
As Olívias: Recebemos o convite em novembro de 2010, pouco depois de lançarmos a segunda temporada da websérie. Em 1º de junho do ano seguinte já estávamos estreando. Foram meses muito intensos de criação e trabalho como nunca tínhamos vivenciado. Quase enlouquecemos, mas aprendemos muito!

6) A segunda temporada de “As Olívias na TV” estreou na semana passada. Vocês pretendem dar continuidade à série?
As Olívias: Da nossa parte, temos todo o interesse. Agora, em TV, tudo depende de uma equação entre audiência e retorno comercial. Fomos felizes nessa equação na 1ª temporada e, ao que tudo indica, também seremos na segunda! Tanto na estreia quanto na exibição do 2º episódio, hoje, figuramos entre os assuntos mais comentados do twitter – nos “Trending Topics Brasil”. Bom sinal!

7) O teatro e a internet continuam nos planos das Olívias? Pretendem voltar aos palcos? Fazer novas webseries?
As Olívias: Sim, claro! O bacana é que hoje vemos As Olívias não só como um grupo de teatro, mas sim como um núcleo de criação multimídia, com projetos em várias plataformas. Agora estamos focados na finalização e lançamento da nova temporada na TV, mas, no devido momento, teremos novidades nos palcos e também na web.

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Veja abaixo um dos vídeos de “As Olívias Queimam o Filme”:

Você pode conferir “Olívias na TV” às Quartas-feiras às 22h no Multishow. Clique aqui e saiba mais!

Quem sabe o próximo destino dAs Olívias não será as telonas? Vamos ficar na torcida!

Desejamos muito sucesso a todos que colaboraram para esta série de posts, principalmente à Naomi Kaizuka, que deu a ideia de fazermos um post sobre “webserie”, ao pessoal do Botolovers, do Apartamento 13, do Histórias da Ana e dAs Olívias. Muito obrigada e Parabéns pelas iniciativas!!!

Por Thais Polimeni

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Para que o ECAD?

Este mês, a coluna da Cult Cultura no Jornalirismo fala sobre ECAD. Leonardo Cássio, sócio da Cult Cultura, analisa os prós de haver um Órgão que defenda os Direitos Autorais dos criadores, e os contras de algumas atitudes do ECAD, já contestadas por muitos artistas.

“Hoje é quase impossível controlar a distribuição de conteúdos. E mais: a chamada Geração Y (os nascidos na década de 80 e 90) possui no DNA o gene do compartilhamento e livre fruição, indo contra as grandes e antigas mentalidades corporativas, de controle total e exploração comercial extrema de obras artísticas”, comenta Leonardo Cassio.

Clique aqui e leia o texto na íntegra, no site Jornalirismo

O Jornalirismo é um site de referência em Jornalismo Literário, que abriu espaço para a Cult Cultura publicar textos relacionados a gestão e políticas culturais.

Para ficar atualizado dos novos textos do Jornalirismo, siga o perfil no Twitter e curta a FanPage no Facebook!

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Jogos Vorazes

E hoje o blog Cult Cultura apresenta o seu mais novo colaborador: Leonardo Ribeiro (sim, xará do Leonardo Cassio, sócio da Cult Cultura). Já falei para o Leonardo Cassio começar a se divulgar com um nome artístico, como “Leo Cassio”. Pode ser uma ótima oportunidade. Aí fica mais difícil de confundir, né?

O Leonardo Ribeiro estudou conosco na faculdade, trabalha com redação publicitária e adora cinema. Na semana passada, a Dani Luck, uma amiga em comum, nos indicou um texto dele para lermos. Era sobre o filme “Um Método Perigoso”, (clique aqui para ler) e nós adoramos! Na hora, já o convidamos para escrever aqui na Cult Cultura e ele topou.

Sejam bem-vindo, Leonardo. Temos certeza de que seus textos serão só sucesso!

Vejam abaixo o primeiro post de Leonardo Ribeiro sobre o filme “Jogos Vorazes”, em cartaz nos cinemas:

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“Jogos Vorazes” é a nova aposta de Hollywood para assumir o posto de “franquia-milionária-baseada-em-livros-de-sucesso-para-crianças-e-adolescentes” da vez. O resultado já está enchendo os cofres de seus produtores, mas também se mostra um produto até certo ponto atípico dentro da indústria dos blockbusters americanos. E isso é um elogio. A história, baseada no primeiro livro da série escrita por Suzanne Collins, mostra um futuro distópico, onde o governo autoritário da Capital comanda anualmente os “Jogos Vorazes”, uma competição em que dois jovens (uma garota e um garoto) de cada um dos doze Distritos, que formam esse mundo pós-apocalíptico, devem lutar até a morte para que reste apenas um vencedor, que como prêmio garante benefícios para o seu Distrito.

A escolha dos dois jovens é feita através de um sorteio, e é aí que acompanhamos a trajetória de Katniss Everdeen, uma jovem do Distrito 12 (um dos mais pobres) que se oferece como voluntária no lugar de sua irmã mais nova. O que torna o filme diferente da maioria dos “filmes pipoca” de Hollywood é a preocupação com o desenvolvimento da trama e de seus personagens principais, já que geralmente esses elementos são deixados de lado em favor de cenas espetaculares de ação descerebrada.

A primeira hora (e a mais interessante) do filme é inteiramente dedicada a construir a personalidade e revelar as motivações de Katniss, além de mostrar como os “Jogos” são o grande evento nesse mundo criado por Collins.

Com referências a várias obras clássicas de ficção, principalmente “1984”, o filme faz suas críticas ao autoritarismo, ao poder e à manipulação da mídia, já que os “Jogos” são transmitidos para todos os Distritos como um verdadeiro game/ reality show, e os participantes tiram proveito da popularidade junto ao público, sendo beneficiados pelos patrocinadores da competição. Nesse ponto, o filme também traz elementos que remetem a “O Show De Truman” e “O Sobrevivente” (estrelado por Arnold Schwarzenegger nos anos 80). Não são críticas aprofundadas ou tão contundentes, mas não deixam de ser algo interessante dentro desse tipo de filme.

Após toda a fase de treinamento, o roteiro entra na parte da ação e aventura propriamente ditas, mas justamente nessa hora, “Jogos Vorazes” mostra seus principais defeitos. O diretor Gary Ross, do simpático Pleasantville – A Vida em Preto e Branco e de Seabiscuit – Alma de Herói, mostra que não tem o domínio necessário para criar grandes cenas de impacto. As sequências de ação são até competentes, mas nenhuma chega a ser marcante ou inovadora, e quase sempre são prejudicadas por uma mania do cinema atual, a famigerada “câmera na mão”, que tem a intenção de dar um tom mais realista para essas cenas. Esse recurso pode até ser interessante, mas quando utilizado o tempo todo, acaba por cansar. Além disso, não adianta ter belos cenários se você está sempre com a câmera colada nos personagens em planos fechados. São erros até compreensíveis, já que poucos diretores têm o talento e a habilidade para filmar ação e fugir dessas armadilhas, como Spielberg, Peter Jackson ou até J.J. Abrams (que dirigiu o grande blockbuster do ano passado, “Super 8”).

Apesar disso, Gary Ross ainda consegue criar bons momentos de tensão e compensa suas falhas com uma boa direção de atores. Jennifer Lawrence prova que é uma das atrizes mais promissoras da sua geração e consegue carregar o filme com facilidade, talento e carisma, ajudada por um grande elenco coadjuvante (Stanley Tucci, Donald Sutherland e principalmente Woody Harrelson) que garantem o nível de qualidade das atuações.

Colocando o “Estado” como o grande antagonista da história, e não os outros competidores, o filme ganha mais força e consegue se diferenciar da média do cinema comercial americano, algo que nos dias de hoje já pode ser considerado um feito, principalmente para um filme que é apenas a primeira parte de uma trilogia. Mesmo não sendo perfeito, ele consegue cativar o público e fazê-lo se interessar pelas novas aventuras de Katniss em seus “Jogos Vorazes”. Que venha o próximo capítulo!

Por Leonardo Ribeiro
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Todos os trailers de “Jogos Vorazes” postados no Youtube estão com os códigos de incorporação desativados. Para assistir ao trailer, clique aqui

Por Thais Polimeni

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