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Você Sabe O Que É Bug Chaser?

*Destaque-Home | Artes e Espetáculos | Thais Polimeni 04/10/17 - 09h Thais Polimeni

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Recentemente, uma amiga me mandou uma mensagem no WhatsApp, assustadíssima com um post que tinha aparecido na timeline do Facebook dela. No print que ela me encaminhou (somos dessas que trocamos prints, sim), o menino confessava que tinha sífilis e havia transado sem camisinha com algumas pessoas sem ter avisado. Pouco tempo antes, eu havia comparecido à estreia do espetáculo “Bug Chaser”, que conta a história de um homem que transava sem camisinha com o objetivo de adquirir o vírus da AIDS. Era ficção, claro, mas a dramaturgia foi cuidadosamente construída durante um ano de pesquisa baseada em documentos e depoimentos de homens que se dispuseram a falar sobre o chamado barebacking (ato sexual sem a utilização de camisinha).

Não foi muito difícil descobrir por quê eu não fiquei tão chocada com a mensagem da minha amiga, visto que “Bug Chaser” apresentava um personagem um pouco mais polêmico do que o do print. É quase inacreditável tudo isso, mas é essencial mostrar que essas situações existem e levantar a discussão. Além do “barebacking”, há o termo que nomeia espetáculo: “Bug Chaser”, um homem procura ter relações sexuais com outro homem com HIV positivo, com o objetivo para ser infectado. A proposta do espetáculo é, desafiadoramente, humanizar os bug chasers, e, sabendo que eles existem (sem lição de moral), despertar a conscientização da proteção nas relações sexuais.

Percebi que esse é um assunto sobre o qual não se fala, há um silêncio na comunidade LGBT e, por isso, decidi enfocá-lo neste projeto artístico, pelos diferenciais que ele carrega em si e por sua tamanha complexidade. (…) Problematizo um homem em trânsito em um mundo doente, que busca encontrar pertencimento e aceitação. Uma jornada perigosa de autodescoberta para encontrar o melhor e o pior de uma nova comunidade que ele quer desesperadamente fazer parte“, comenta Ricardo Corrêa, dramaturgo e protagonista de “Bug Chaser”.

O texto tem um quê de acidez britânica e, combinado com a delicadeza da direção de Davi Reis, a luz muito bem desenhada, com cores escolhidas de forma certeira que engrandecem o cenário funcional, e a interpretação precisa de Ricardo Corrêa fazem com que “Bug Chaser” se torne um espetáculo necessário para quem busca a arte questionadora, tão incompreendida ultimamente.

“Bug Chaser” reestreou nessa quarta-feira, 4 de outubro, e segue em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, em São Paulo, até o dia 30 de novembro.

Bug Chaser
De 4 de outubro a 30 de novembro de 2017
Quartas e quintas, 21h
Duração: 60 minutos.
Classificação etária: 16 anos.
R$40,00 (R$20,00 a meia)

Teatro do Núcleo Experimental
Rua Barra Funda, 637
Capacidade: 65 lugares

Foto de Alice Jardim

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