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A Condessa e o Bandoleiro

Artes e Espetáculos 29/05/14 - 08h Cult Cultura

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Uma condessa entediada com a nobreza sonha com uma vida de aventuras. Um temido bandoleiro vive todo e cada dia no limite do perigo. As histórias tão diferentes destes dois personagens acabam se cruzando de uma maneira lúdica e bastante brasileira no espetáculo de rua “A Condessa e o Bandoleiro”, que faz duas apresentações no Parque do Trote dia 31 de maio, esse sábado, às 11h e 19h. Grátis.

Voltado para o público de todas as idades, o espetáculo preza pela acessibilidade e democratização de sua mensagem, unindo elementos do teatro de clown e das danças e musicalidades da cultura brasileira nordestina para contar sua história.

Na peça, a condessa entediada, seu acompanhante, o barão, e sua ama decidem sair da vida tediosa da riqueza e atravessar a floresta em direção a um baile. No caminho, são obrigados a pernoitar em uma taberna, onde se encontrarão com o temido bandoleiro Zé Facada, que os colocará diante de um novo mundo que mudará suas visões de si mesmos e dos outros.

O texto é uma livre adaptação da obra homônima de Móric Jókai de Ásva (1825-1904), escritor húngaro que participou do movimento de independência austríaca e consolou seus pares diante da repressão a intelectualidade da epóca através do otimismo e bom humor de seus inúmeros romances, contos e novelas.

Humor este que, mais de um século após o período de Jókai, continua preservado na leveza da adaptação para o teatro, apostando na utilização de recursos cenográficos fortes em traços, cores e sobretudo na música, para narrar sua história.

Com composições originais executadas ao vivo pelos atores (e com o apoio de preparação de Dani Zulu, do grupo Barbatuques), a música tem papel fundamental para a construção da narrativa. “É, de fato, um espetáculo amarrado pelas canções e pela sonoridade”, afirma Dr. Morris, responsável pela trilha sonora. “São cerca de oito músicas, com referências de ritmos brasileiros como maracatu, frevo, xaxado e congada que buscam colocar o foco na canção como um elemento teatral”.

Como boa parte das cenas se passam na taberna do bandoleiro, barris de madeira são o elemento cenográfico principal e servem de suporte para todos os momentos da encenação, sendo inclusive adaptados para receber instrumentos percussivos de origem brasileira como alfaias e chocalhos.

Todos os elementos da cenografia são manipulados. Os barris se tornam baterias, cadeiras, carruagens, caixas, enfim, tudo que a imaginação permitir”, afirma a atriz Eloísa Elena, a “condessa” do espetáculo. “Isso porque nossa preocupação foi sempre a de criar um espetáculo popular e acessível e essa cenografia mais enxuta nos permite levar isso pro máximo de públicos possível, tornar o espetáculo móvel”.

Segundo Angelo Brandini, dramaturgo responsável pelo texto, “a intenção é sempre a de levar os textos para um viés popular de uma maneira que as crianças possam se divertir e seus pais e avós também. É um espetáculo para toda a família, pois toca em coisas que estão guardadas dentro de todos nós, não importando a idade”. Um espetáculo, brinca Angelo, “para crianças de 5 a 105 anos”.

Assim, todos os elementos que compõem o espetáculo, do cenário, aos figurinos e a música, foram criados em conjunto, reunindo as diversas forças criativas envolvidas na montagem e em “A Condessa e o Bandoleiro”, nem se fala em quarta parede. O público é parte integrante, seja pelas suas reações ou por suas intervenções e, segundo Eloísa, é justamente esse um dos prazeres de se apresentar no espaço público.

Depois da experiência do Tribunal de Salomão [espetáculo da Barracão Cultural que teve mais de 100 apresentações em 3 anos] percebemos como o público se envolve e se enxerga facilmente no espetáculo: tem gente que chora, que ri, que se emociona, e essas reações é que nos interessam.

Para o diretor Fernando Escrich, isso é parte fundamental do que é fazer teatro: “É um espetáculo que não dá pra classificar, é pra todo mundo. Isso porque o teatro é assim: não é infantil, nem adulto. É teatro. E a ideia de tornar ele popular e acessível tem a ver com um resgate da função social do ator“.

Função social esta que é discutida diretamente na narrativa do espetáculo que “fala diretamente sobre assuntos que inevitavelmente estão próximos das pessoas: o diálogo e a harmonia entre diferentes classes sociais que acabam por se reconhecer umas nas outras, descobrir que na verdade não são tão diferentes”, acrescenta Fernando.

Existe um jogo, os atores se vestem na frente do público e deixam claro que aquilo é uma encenação. E a plateia mergulha sem pensar duas vezes e já que queremos atingir a qualquer público que seja, a música nesse contexto serve para afirmar nossa linguagem: trazer encantamento e poesia para a história”, conclui.

Com este espetáculo, a produtora Barracão Cultural dá mais um passo em sua proposta de criar espetáculos com linguagens e temas acessíveis, democráticos e instigantes, seja na rua ou nos palcos, como os já bem-sucedidos “Facas nas Galinhas”, “O Tribunal de Salomão e o Julgamento das Meias-Verdades Inteiras” e “A Mulher Que Ri”.

Sobre Fernando Escrich
Formado pelo Teatro Escola Célia Helena, fez diversos cursos e workshops de palhaço, bufão e ator com nomes como Prof. David Bridel e Michael Christensen (USA), Nornan Taylor e André Riot Sarcey (França), e Maria Bonzanigo do Grupo Sunil (Suíça). Dirigiu os espetáculos Poemas Esparadrápicos – O Musical, com o grupo Doutores da Alegria Recife; E Agora? Como faz?, de Raul Figueiredo e Kleber Brianez; Deu Nó, livre adaptação de Raul Figueiredo e Tiago Quites para o livro de Eva Funari; Manotas Musicais, com o Grupo Trampolim de Belo Horizonte; Dramalhaço – O Olhar do Palhaço Sobre a Cidade; Chapeuzinho Vermelho com o grupo Le Plat Du Jour; A Roupa Nova do Imperador, com a Trupe Fabulosa — grupo do qual é também ator e fundador. Prêmio APCA 2008 de Melhor Direção Musical e Indicado ao Prêmio FEMSA Coca Cola 2008 como melhor autor de Trilha Original Composta por Senhor Dodói.

Sobre Ângelo Brandini
Formou-se na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, EAD/USP. Como ator, participou de dezenas de espetáculos com diretores como Cacá Rosset, Celso Frateschi, William Pereira, Fernando Guerreiro, Roberto Lage, Gabriel Villela, Marco Antonio Rodrigues, Cibele Forjaz, Regina Galdino, Rubens Ruche entre outros. É autor e diretor das peças Masmorra, Vagalum Tum Tum, Queluzminha, Senhor Dodói, (FEMSA 2008 de melhor texto adaptado), Othelito (Prêmio APCA, 2007 de melhor texto adaptado, Melhor espetáculo do Cultura Inglesa Festival 2007, Melhor Texto Adaptado pelo Prêmio FEMSA, 2007), O Bobo do Rei (Prêmio FEMSA 2010, melhor Diretor), O Príncipe da Dinamarca (Prêmio FEMSA, Melhor texto adaptado). Faz parte desde 1994 dos Doutores da Alegria, onde é coordenador Nacional de criação.

A Condessa e o Bandoleiro
Dia 31 de maio de 2014, 11h e 19h
Grátis

Parque do Trote
Rua Nadir Dias Figueiredo, s/n -Portaria 1
Vila Maria – Sessões 11h e 15h – Gratuito
Fone/Fax: 11 2905-0165 / 5539-1275

Ficha Técnica
Dramaturgia: Angelo Brandini. Direção: Fernando Escrich. Elenco: Eloisa Elena, Thiago Andreuccetti, Fabio Ferretti, Alexandre Maldonado e Victor Merseguel. Direção Musical: Dr Morris. Cenários e Figurinos: Marco Lima. Iluminação: Marisa Bentivegna. Produção: Geondes Antônio. Administração: Tetê Ribeiro. Realização: Barracão Cultural. Assessoria de Imprensa: Pombo Correio.

Pombo Correio Assessoria de Imprensa
Douglas Picchetti – 11 9 9814-6911 | picchettidouglas@gmail.com
Helô Cintra – 11 9 9402-8732 helocintra@uol.com.br

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