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À Espera da Ausência

Artes e Espetáculos | Thais Polimeni 23/11/16 - 04h Thais Polimeni

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Assistir ao clássicos do Teatro é de fundamental importância para a formação cultural e crítica do espectador. Nem sempre é fácil de assistir, algumas montagens tradicionais não prendem a atenção, prejudicando a receptividade dos estreantes de plateia.

A obra “Esperando Godot“, do irlandês Samuel Beckett gera constantes piadas, como a clássica “Fui assistir Esperando Godot e não entendi nada. To esperando até hoje”. MAAAS isso não acontece na nova montagem deste clássico, em cartaz no Tucarena até o dia 27 de novembro.

Não sei se foi feita alguma modificação no texto, mas cada palavra era tão bem interpretada pelos atores que é possível mergulhar na história e ainda adaptá-la para nosso dia-a-dia. “Esperando Godot” fala sobre o tempo, tema que tem sido constantemente abordado nas mais variadas conversas e conteúdos midiáticos. Em cena, os personagens Vladimir e Estragon marcam um encontro com Godot, que nunca chega. Na espera, eles conhecem 3 outros personagens, incluindo um ajudante de Godot que, diariamente, vai ao local do encontro justificar a ausência do “protagonista” (um protagonista que não aparece). Godot sempre avisa que aparecerá no dia seguinte e, assim, sua ausência é substituída pela esperança em encontrá-lo e pela ansiedade da sua chegada. Nos momentos em que estão apenas Vladimir e Estragon em cena, permanece o vazio, que tenta ser preenchido por brigas inúteis e perguntas repetidas.

O diretor Elias Andreato, que também integra o elenco como Estragon, analisa “Esperando Godot” em relação à atualidade: “Quando foi escrito no pós guerra, a relação com o tempo era outra, hoje o tempo mudou, a espera é mais angustiante, (…) cada um batalhando no seu mundinho, não existe uma sensação coletiva, cada um tem o seu tempo individual de espera (…)“. O elenco, aliás, está em perfeita sintonia. Clovys Torres, que interpreta Lucky, apresenta um trabalho corporal e expressões faciais de admirar, e está em um dos seus melhores papeis; Guilherme Bueno faz uma criança que poderíamos jurar que ele tem menos de 10 anos; Raphael Gama mete medo com o seu Pozzo. Claudio Fontana e Elias Andreato (Vladimir e Estragon, respectivamente) ganham a plateia na empatia e na interação entre os personagens, conseguindo transformar 80 minutos de espetáculo em um delicioso tempo abstrato de “Esperando Godot”.

Assistam!

Esperando Godot, de Samuel Beckett
Até 27 de setembro de 2016
Sextas e Sábados às 21h / Domingos às 19h
R$50,00 (sexta), R$60,00 (sábados e domingos)
Classificação: 12 anos
Duração: 80 min.
Vendas online: www.ingressorapido.com.br
Central de Vendas: 11 4003-1212

TUCARENA (Entrada pela Rua Bartira)
Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Telefone: 3670-8455

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