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Feitiço da Vila… E dos Palcos

Artes e Espetáculos 28/06/10 - 02h Cult Cultura

Nós, do blog Cult Cultura, estamos rodeados de excelentes amigos. É uma honra ter tanta gente do bem ao nosso lado. Excelentes, do bem, inteligentes e, além de tudo, extremamente talentosos.
Semana passada, soubemos que um desses nossos grandes amigos participou da equipe que foi Ouro no Festival de Publicidade de Cannes, na categoria Design Lions. Em homenagem ao nosso primeiro amigo “Ouro em Cannes”, o presenteamos com 1 par de convites para a excelente peça “Noel, o Poeta da Vila e Seus Amores”.
Fazendo jus ao seu Ouro como redator, Angelo nos escreveu um texto que, particularmente, nos emocionou (apesar da modéstia de Angelo em achar que o texto “não foi nada de mais”):
Thá e Leo, obrigado pelo convite.
Em agradecimento, tive a prepotência de escrever um texto com a minha visão sobre a peça. Nada de mais. Mas foi de coração“.
Segue o texto abaixo. Já adianto que depois de lido, ninguém vai querer perder a próxima temporada de “Noel, o Poeta da Vila e Seus Amores”:
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Em reconhecimento à coautoria de um trabalho premiado no Festival de Cannes deste ano, fui surpreendido com um outro prêmio que, com todo respeito ao festival, me causou um sentimento de satisfação muito semelhante. Meus grandes amigos Léo Cássio e Thá Polimeni do Cult Cultura me convidaram para assistir ao último dia de encenação da peça “Noel Rosa: O Poeta da Vila e Seus Amores”, no Espaço e Teatro do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.
E como forma de agradecer a importância que deram ao trabalho premiado, que eu sinceramente achei mediano, resolvi comentar sobre a peça, essa sim realmente brilhante.
Para começar, pelo tema: Noel Rosa. Uma das figuras mais importantes não só para o samba mas para a música brasileira, o que por si só já torna a peça interessante. Porém, diferente dos vários curtas, médias e longuíssimas e cansativas metragens sobre a vida dele, o diretor Dagoberto Feliz emprestou ao clássico roteiro de Plínio Marcos a sua característica principal: pensar na peça como um ato coletivo, onde todos fazem o espetáculo.
O resultado foi uma peça familiar encenada em um ambiente de bar, com aquelas mesinhas quadradas e tudo mais, onde os atores, além de servirem cerveja e outras bebidas para a plateia (com um atendimento que não vejo por aí há muito tempo), sentavam e interagiam com o público. Isso tirou as pessoas do lugar-comum de espectadores e as inseriu no meio em que vivia o incomum Noel: a boemia, vivenciado a época e participando da vida breve do artista contada e cantada através das suas mulheres e músicas.
Aliás, as atuações me agradaram bastante (não que eu seja um expert no assunto, muito pelo contrário, mas me baseio pelo que prende a minha atenção e mexe com o meu senso crítico). Achei todas demais. Mas para não falarem que eu estou criticando de menos, aqui vai uma, com o cúmulo da pretensão de ser construtiva: uma das atrizes solta uma frase em referência a um tema atual da internet como end gag de um diálogo. Me pareceu forçado e um pouco fora de contexto em se tratando de um artista que morreu em 1937, apesar de ter sido muito engraçada.
E por falar em referência, nenhuma das atuações mexeu tanto com a minha memória do samba como a da Ana Gilli fazendo a Aracy de Almeida. Atuação esta que merece até um parágrafo em específico.
Parágrafo em específico:
Conheci o trabalho da Ana Gilli na música através do Léo Cássio e da excelente divulgação que ele e a Thá fazem nas redes sociais. Mas descobri, conversando sobre sua atuação na peça, que apesar da voz maravilhosa, sua formação vem mesmo das artes cênicas. Bom, interpretando algumas músicas do Noel, ela já mostrou que o estrelato na música vai ser apenas uma questão de tempo (bom, pelo menos eu já sou fã). Mas como Aracy de Almeida ela realmente me surpreendeu. Incorporou a personagem com personalidade. Desde a fisionomia, o andar desengonçado e os ombros truncados, até o jeito desbocado, com comentários ácidos como nos tempos em que Aracy era jurada no programa do Silvio Santos, sem falar na voz de velha ranzinza mesmo quando mais jovem.
Qualidade indiscutível. E se não foi, pelo menos não venham discutir comigo.

 

Fora a Ana Gilli, o Cristiano Tomiossi me agradou interpretando Noel Rosa. O queixo para dentro e o jeito fraseado com que cantou as músicas foram show de bola. Sem falar no show de bola à parte que foi o duelo famoso entre ele e Wilson Batista, interpretado por Joaz Campos. A atuação da Lívia Camargo estava mais exuberante que o decote de sua personagem Ceci, por quem Noel se apaixona, apesar de ser casado com Lindaura, interpretada por Cibeli Bissoli, que você vai ter a impressão de conhecê-la de algum lugar. Talvez aquela filha tímida da vizinha da sua tia Gertrudes.
Bom, se eu falar mais vai virar spoiler. Mas resumindo: “Noel Rosa: O Poeta da Vila e Seus Amores” é cultura, referência e boemia numa excelente peça de teatro. Tem que ir. É simples e genial, revelando a importância do apoio à cultura que o Léo e a Thá tanto buscam e trabalham para isso.
Eu soube que a peça volta depois para ser assistida (assistida não, experienciada) no Sesc Ipiranga. E se o Cult Cultura me convidar de novo para ver a peça, a única dúvida vai ser, com o perdão do trocadilho infame, com que roupa eu vou.
Por Angelo Campana, ouro no Festival de Publicidade de Cannes 2010
Sigam-no no Twitter: www.twitter.com/angelojunior
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É uma peça encantadora! E, assim como o Samba da Vila Isabel, tem “um feitiço sem farofa, sem vela e sem vintém, que nos faz bem”. MUITO BEM!
(Clique aqui e
confira a letra de “Feitiço da Vila“, de Noel Rosa).
Valeu, Angelo!!! Obrigada pelo apoio, pela divulgação e, principalmente pela amizade!
Cult Cultura (Thá e Leo)
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