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Grupo 3 expõe sua trajetória

Artes e Espetáculos | Kiko Rieser 30/08/13 - 07h Kiko Rieser

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Há décadas, quando ainda havia poucas escolas de teatro no país e muito preconceito com quem seguia esta carreira, a produção teatral era pequena em quantidade, havendo certamente menos de 10% de espetáculos em cartaz do que há hoje. Assim, o público se concentrava nas poucas opções e as temporadas eram maiores, em teatros de grande porte, quase sempre lotados, e havia sessões de terça-feira a domingo. Não é à toa que a segunda-feira ficou conhecida como o descanso dos artistas.

Atualmente, o panorama é bastante diverso. Há um sem-número de peças em cartaz em teatros de todos os tipos e tamanhos, e apenas as mais bem-sucedidas temporadas conseguem passar de três meses. Os raros espetáculos com maior número de sessões semanais se apresentam de quinta-feira a domingo, enquanto muitos chegam a ter apenas uma apresentação por semana. Neste contexto, é louvável a iniciativa do Grupo 3 de Teatro de fazer, por cinco semanas, uma mostra de repertório que apenas não tem sessões às segundas-feiras. Remontando as três peças já realizadas pela companhia, cada uma em cartaz por dois dias da semana, é possível não só resgatar a prática de fazer teatro quase todo dia, como também dar a ver uma trajetória e uma estética do grupo, refinada ao longo dos anos de produção e de parceria entre os três diretores-artísticos: a atriz Débora Falabella, a atriz e diretora Yara de Novaes e o produtor Gabriel Fontes Paiva.

OAmoreOutrosEstranhosRumoresRodrigoHypolithoJuntas, as peças “A serpente”, “O continente negro” e “Amor e outros estranhos rumores” formam o que o grupo chama informalmente de trilogia do amor e chegam ao público agora a preços populares, sendo R$ 20,00 a entrada inteira. Desta forma, a mostra se soma a um trabalho grande de formação de plateias que o grupo vem desenvolvendo a cada espetáculo, quando se apresenta nos CEUs, na periferia de São Paulo, ou nos SESIs, pelo interior, em ambos os casos com entrada franca. Também são notáveis, na trajetória da companhia, os esforços para debater no maior âmbito possível, os temas levantados pelas obras. Junto à estreia de “Amor e outros estranhos rumores” (adaptação de três contos de Murilo Rubião), por exemplo, foi realizada em Belo Horizonte (cidade natal dos três integrantes e também estado natal de Murilo Rubião), no Sesc Palladium, a mostra “Murilo Rubião – o reescritor fantástico”.

A atriz Débora Falabella também destaca a importância de revisitar o próprio trabalho, já que, ao voltar depois de tanto tempo para um espetáculo, olha-se para ele de forma mais madura, prenhe das experiências vividas no hiato entre as duas montagens. Também é fundamental, para Yara de Novaes, a participação de todos os artistas convidados para as produções do grupo, que oxigena os pontos de vista desenvolvidos pelos integrantes, trazendo novas possibilidades.

O produtor Gabriel Fontes Paiva diz que a presente mostra foi um dos poucos projetos que conseguiram captar recursos através de patrocínios diretos. Normalmente, o grupo é financiado com editais, públicos ou de patrocínio – como é o caso da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Eletrobrás etc. Segundo ele, mesmo tendo no grupo Débora Falabella, atriz de reconhecimento nacional em virtude de seus trabalho em novelas da Rede Globo, é muito difícil concorrer com grandes musicais e outros espetáculos comerciais de maior repercussão.

Logo após a mostra, o grupo já tem um plano concreto: a montagem de “Contrações”, do inglês Mike Bartlett, dirigida pela também mineira Grace Passô e com estreia marcada para outubro, no Centro Cultural Banco do Brasil. Com este trabalho, inaugura-se um novo ciclo, não mais sobre a temática do amor. Segundo os integrantes, mais uma oxigenada em sua sólida trajetória.

Ficha Técnica A Serpente
Idealização: Grupo 3 de Teatro. Texto: Nelson Rodrigues. Direção: Yara de Novaes. Elenco: Débora Falabella, Débora Gomez, Alexandre Cioletti – ator convidado: Augusto Madeira – participação especial: Cyda Morenyx. Cenário e figurinos: André Cortez. Iluminação: Telma Fernandes. Trilha Sonora Original: Morris Picciotto. Direção de Produção: Gabriel Fontes Paiva.

Ficha Técnica O Continente Negro:
Idealização: Grupo 3 de Teatro. Texto: Marco Antônio De La Parra. Tradução: Silvia Gomez. Direção: Aderbal Freire Filho. Elenco: Débora Falabella, Yara de Novaes e Rodolfo Vaz. Cenário e figurinos: André Cortez. Iluminação: Telma Fernandes. Trilha sonora: Morris Picciotto. Direção de Produção: Gabriel Fontes Paiva.

Ficha Técnica O Amor e Outros Estranhos Rumores:
Idealização: Grupo 3 de Teatro. Direção: Yara de Novaes. Dramaturgia: Silvia Gomez, a partir dos contos de Murilo Rubião. Elenco: Débora Falabella, Rodolfo Vaz, Maurício de Barros e Priscila Jorge. Cenário: André Cortez. Figurinos e visagismo: Fábio Namatame. Iluminação: Fábio Retti. Trilha sonora: Morris Picciotto. Direção de Produção: Gabriel Fontes Paiva.

Temporada
De 3 de setembro a 6 de outubro.
A Serpente: terças e quartas às 21h.
O Continente Negro: quintas e sextas às 21h.
O Amor e Outros Estranhos Rumores: sábados às 21h e domingos às 18h.

Duração dos espetáculos
A Serpente: 60 min.
O Continente Negro: 70 min.
O Amor e Outros Estranhos Rumores: 90 min.

Recomendação Etária
A Serpente: a partir de 14 anos.
O Continente Negro: a partir de 12 anos.
O Amor e Outros Estranhos Rumores: a partir de 12 anos.

Teatro Sérgio Cardoso
Sala Sérgio Cardoso.
Lotação: 835 lugares.
Rua: Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo – SP.
Telefone: (11) 3288 0136.
Estações do Metrô próximas: São Joaquim e Brigadeiro.
Estrutura: Ar-condicionado. Acessibilidade para pessoas com necessidades especiais.
Horário de bilheteria: Vendas Antecipadas: quarta a sábado das 14h às 19h. Nas datas dos espetáculos os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro a partir das 14h até o horário da apresentação.
Vendas pelo Telefone ou Internet: Ingresso Rápido – site: www.ingressorapido.com.br – telefone: (11) 4003 1212. Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia).

Foto Destaque: “O continente negro”, por Lenise Pinheiro
Foto do texto: “Amor e outros estranhos rumores”, por Rodrigo Hypolitho

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Kiko Rieser

Kiko Rieser

Diretor teatral e dramaturgo por paixão, tesão, obsessão. Produtor por falta de opção. Amante das rimas em "ão" e dos bares com ladrilhos verdes e garçons com gravata borboleta, onde ainda pode-se escrever um poema no guardanapo ou na bolacha do chopp. Um cara à moda antiga, com amor pelo futuro. Anacrônico a todos os tempos, contemporâneo de si e só, no desejo de se fundir à massa em solidão compartilhada.

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