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Mente Mentira

Artes e Espetáculos 05/10/10 - 08h Cult Cultura

É curioso como filmes, peças de teatro, apresentações de dança, enfim, diversas manifestações artísticas conseguem despertar sensações tão intensas na gente.

A peça “Mente Mentira”, em cartaz no Teatro Raul Cortez, é um exemplo disso. Através do texto (escrito pelo norteamericano Sam Shepard), da trilha sonora, da interpretação, da iluminação e da direção, a peça cria uma atmosfera de angústia e agonia na plateia. É claro que todos que estão lá (a classificação indicativa é para maiores de 16 anos) sabem que é tudo fictício, mas é impossível que alguém consiga controlar a sensação angustiante, aquele aperto no peito, durante os 90 minutos de duração. É a mesma sensação que eu sinto quando vejo as peças de Nelson Rodrigues. E não é à toa que todas elas fazem sucesso entre os psicólogos.

“Mente Mentira” fala sobre relações familiares. Turbulentas relações familiares. Temas como esquizofrenia, violência, desconsideração e abandono constroem a história. Durante a encenação, muitas vezes me lembrei de algumas peças a que assisti, como “Restos na Geladeira”, da EAD e “Olhe pra trás com raiva”, que ficou em cartaz este ano no Teatro Vivo. O estilo das três é muito parecido, mas a semelhança entre Beth, a protagonista de “Mente Mentira” e  a personagem da atriz Lúcia Bronstein de “Restos na Geladeira” me arrepiou. É impressionante! (Quem assistiu às duas, depois me fale se concorda ou se fui eu que embarquei na esquizofrenia da peça e criei personagens em minha mente).

Além de termos essa curiosa experiência de desenvolvermos sensações que nos deixam incomodados, “Mente Mentira” também nos convida a refletir sobre nossas relações e sobre o rumo da sociedade. Na minha opinião, esse clima de agonia é criado na peça porque em nenhum dos relacionamentos ali apresentados havia o amor (ok, eu sei que infelizmente esse assunto já se tornou meio banal, mas vale a pena pensarmos nele de vez em quando). Era tudo extremamente egoísta, não diria nem superficial, muito pelo contrário: havia muita intensidade. Porém, uma intensidade sem propósito, inconsequente, sem pensar em quem está ao seu lado, ao seu redor.

Sim, é uma peça forte e o que posso garantir é que ninguém vai sair indiferente dela.

Ficha Técnica
Direção: Paulo de Moraes
Autor: Sam Shepard
Elenco: Malvino Salvador, Fernanda Machado, Augusto Zacchi, Zecarlos Machado, Malu Valle, Roza Grobman, Keli Freitas e Marcos Martins
Tradução: Maurício Arruda Mendonça
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurino: Rita Murtinho
Música original: Ricco Viana
Cenografia: Paulo de Moraes e Carla Berri
Preparação Corporal: Patrícia Selonk
Preparação vocal: Simone Mazzer
Dramaturgista: Maurício Arruda Mendonça
Direção de produção: Fábio Glingani e Malvino Salvador
Produção executiva: Rodrigo Einsfeld
Assistente de produção: Gustavo Borges
Realização: Mondo Caos Entretenimento


Teatro Raul Cortez
Rua Plinio Barreto, 285
Sextas e Sábados, 21h30; Domingos: 20h
De 13 de agosto a 12 de dezembro
Sexta e Domingo: R$60 Inteira – R$30 Meia.
Sábado: R$70 Inteira – R$35 Meia.

Por Thais Polimeni

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