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“O Empréstimo” Mostra A Importância De Bons Atores Em Cena

Artes e Espetáculos | Thais Polimeni 22/05/17 - 10h Thais Polimeni

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Em cartaz no Teatro Folha, o espetáculo “O Empréstimo” chama atenção pelo nome, que imediatamente relacionamos à situação financeira pela qual passa o país e o mundo. O texto, escrito pelo espanhol Jordi Galceran – que já ganhou diversos prêmios com outros trabalhos -, foi encenado pela primeira vez em 2013 em Barcelona. A tradução para o português foi feita pelo também diretor da montagem em cartaz, Isser Korik.

No palco, os atores Leonardo Miggiorin e André Mattos vivem um cidadão comum que vai solicitar empréstimo ao banco e um gerente de banco, respectivamente. Assim como muitos projetos, a ideia de “O Empréstimo” é boa; O problema é a execução. A dramaturgia se desenrola em um conceito extremamente machista e vulgar.

Não tenho costume de escrever sobre os pontos negativos de uma produção ou obra, mas ao estudar jornalismo cultural recentemente, em um curso da Bravo!, descobri que a apresentação dos diversos aspectos de uma obra, tanto positivas quanto negativas, é de fundamental importância para o mercado cultural. Sorte ou azar, “O Empréstimo” é o primeiro espetáculo dessa minha nova fase.

O personagem de Leonardo Miggiorin, ao ter seu empréstimo negado, passa a fazer uma chantagem ao gerente. Chantagem, essa, relacionada à esposa do bancário. Isso já me causou incômodo logo no início, mas achei que o foco fosse mudar no decorrer da história. Achismo que não aconteceu e que apenas aumentou o incômodo e me fez reparar na quantidade de vezes que a sentença “MINHA mulher” foi dita: 26 vezes, sendo que eu comecei a contar quando ela já havia sido repetida outras tantas.

Palavrões em comédia, por sua vez, é uma técnica que eu acreditava que já estava ultrapassada, mas a reação positiva do público cada vez que o personagem de André Mattos soltava um “c*” ou um “car****” me fez perceber que é um recurso desnecessário, porém, infalível para arrancar gargalhadas.

Esse não é o primeiro espetáculo que aborda um tema interessante de uma forma pouco produtiva. O aclamado “My Fair Lady” despertou em mim a mesma sensação: qual a necessidade de se (re)fazer excelentes produções, mas cujos temas contribuem para a manutenção de uma sociedade preconceituosa e pouco empática?

Felizmente, a interpretação dos atores salva os 80 minutos de espetáculo. Dá gosto ver duas gerações no palco que se entregam igualmente, honrando a profissão. Coincidência ou não, ao final da sessão em que eu estava, os atores homenagearam as mulheres, declarando sua admiração e importância no mundo. Fofo, mas isso não tira o caráter machista do texto. Espero que ao menos faça a plateia se lembrar de que teatro é ficção e que a realidade tem evoluído a passos largos.

O Empréstimo
Até 25 de junho de 2017
Sexta-feira, às 21h30; Sábado, às 20h e 22h; Domingo, às 20h
Duração: 80 minutos
Classificação etária: 14 anos

Teatro Folha
Av. Higienópolis, 618. São Paulo – SP
Ingresso: R$40,00 (setor 2) e R$60,00 (setor 1)

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