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Quanto Tempo Você Precisa Pra Conhecer Alguém?

Artes e Espetáculos | Slider | Thais Polimeni 12/11/18 - 05h Thais Polimeni

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“Busquem conhecimento”, já dizia o icônico personagem da lenda ufóloga brasileira. Em tempos de fakenews (veja vídeo que fizemos sobre perfis fakes aqui) e pós-verdades, torna-se mais importante, antes de buscar conhecimento, que busquemos o autoconhecimento. Quanto tempo você precisa pra saber realmente quem uma pessoa é? Quanto tempo você precisa pra saber quem você realmente é? Não somos educados pra olhar pra dentro. Prova disso são os variados casos de denúncia em relação a eventos artísticos com o argumento de que são imorais. A arte é feita pra olharmos pra dentro. Quando a julgamos como imoral, estamos nos olhando no espelho.

Levamos uma vida inteira para nos conhecer, afinal, a impermanência também é algo que nos acompanha durante toda a vida. Partindo dessa lógica, há a possibilidade de sabermos quem a outra pessoa é? Se nem nós nos conhecemos, como podemos julgar alguém que acabamos de ser apresentados, alguém com quem nos relacionamos há dois meses, um ano, uma década?

Vi um vídeo da Martha Medeiros há alguns dias, em que ela falava sobre nossas maluquices. Geralmente quando conhecemos alguém, queremos mostrar nosso “melhor” lado, o que está dentro dos padrões comportamentais. E a provocação que a cronista nos faz é que conseguiremos realmente ser verdadeiros em um relacionamento quando falarmos das nossas esquisitices.

Um exemplo de como é possível ser verdadeiro em relacionamentos – por menor que seja o tempo que eles durem – é o espetáculo “Na Cama”, do chileno Julio Rojas, em cartaz no Teatro Viradalata, em São Paulo. Em um quarto de motel, Daniela (interpretada pela incrível Cristiane Wersom – veja entrevista que fizemos com ela aqui) e Bruno (pelo galã Pedro Bosnich, que deixa muita gente em polvorosa na plateia) desenvolvem uma intimidade rara – mas possível – para quem acabou de se conhecer em uma festa de casamento. No início, o dinâmico diálogo passa-ou-repassa termina com aquela torta de climão na cara dos dois: quem consegue se lembrar do nome da pessoa a quem você foi apresentada há 2 horas? Quebrado o gelo, as conversas vão se aprofundando, o carinho aumenta, as esquisitices surgem e, aos poucos, um vai conhecendo as intimidades do outro e vamos nos reconhecendo em cada um deles.

Em uma análise súbita, “Na Cama” mostra os relacionamentos líquidos, mas se analisarmos com mais atenção, aquela madrugada inesperada depois de uma festa de casamento representa anos de relacionamentos tradicionais, aqueles que precisam de mais de uma noite de núpcias para um se sentir à vontade com o outro, falar dos traumas e sonhos. Todas as situações relatadas no roteiro são apresentadas de uma forma leve e divertida no palco, muito bem dirigidas por Renato Andrade. A interação do Pedro e da Cris é tão sincera que parece que eles se conheciam há anos. Já falei ali em cima que a Cris é incrível, mas ainda devo deixar registrado aqui que o toque de humor que ela imprimiu na personagem torna a montagem única e imperdível. “Na Cama” foi originalmente escrito para o cinema em 2005, premiado nos festivais de Valladolid, na Espanha, de Havana, em Cuba, e de Viña Del Mar, no Chile, e continua sendo um retrato fiel dos encontros e conexões da contemporaneidade.

A temporada vai até o final do mês, no Teatro Viradalata, sempre às quintas-feiras, 21h.

Na Cama
de 18 de outubro a 29 de novembro
Quintas-feiras, às 21h
Ingressos: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia-entrada)
Duração: 55 minutos
Classificação: 16 anos
Gênero: Comédia Romântica

Teatro Viradalata
Rua Apinajés, 1387, Sumaré
Capacidade: 270 lugares
Informações: (11) 3868-2535

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