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#ApostaCult: Nova Heroína Da Marvel Veio Para Quebrar Todos Os Tabus

APOSTACULT | Artes Visuais | Leonardo Cássio 08/02/17 - 10h Leonardo Cassio

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Na semana passada, a Marvel anunciou sua nova HQ, “America Chavez”, nova identidade da Miss America, criada por Joe Quinones e com textos de Gabby Rivera. A heroína surgiu em 2011, junto dos “Jovens Vingadores”, e faz parte da renovação dos heróis da Marvel. Ganha, agora, sua história solo, com lançamentos previsto para março.

Por que ela é tão importante? Miss America é uma heroína que pertence ao universo fantástico da Marvel, que se passa em dimensões além da “real”, no Paralelo Utópico e Multiverso. Na Terra, ela é uma adolescente que agora se apresentará como America Chavez, e ela é negra, latina e lésbica e se apresenta com uma estética inspirada na Beyoncé.

Perceba a representatividade deste quadrinho: a começar, estamos falando de uma heroína, uma mulher. Apesar de longa data existirem heroínas nas HQs, elas são minoria e, antigamente, eram altamente sexualizadas. Segundo ponto é que America Chavez é negra e latina. Veja: uma super-heroína que traz em seu nome a palavra América – apesar de América se referir ao continente todo, o grupo de países das Américas do Sul, Central e do Norte, remetemos diretamente aos EUA –, carrega um segundo nome de sua origem latina e negra. “America Chavez” será lançada no epicentro da crise da imigração dos EUA, graças às intervenções ortodoxas do branco, hétero e de origem europeia Donald Trump, principalmente contra os latinos do México.

A personagem apresenta diversas camadas de debates para além das histórias das quais ela integrará. A HQ trata de feminismo, busca por igualdade racial, com uma série de simbologias em um período conturbadíssimo. Muitas palmas para a Marvel. Mais palmas ainda pelo fato de America Chavez ser lésbica. Ela reúne um grupo de minorias, sendo uma das personagens mais dotadas de poderes nessa nova composição de heróis.

america-chavez-beyonceUm fato muito legal, vindo dos criadores Quinone e Rivera, é que a estética da capa prevista para abril é inspiradíssima em Beyoncé, uma artista que dispensa apresentações e que tem um trabalho forte contra racismo e que simboliza muito bem a força da mulher. A capa, na verdade, é uma homenagem à diva pop e sua música “Formation”, do álbum Lemonade, super questionadora. Em um trecho do clipe, Beyoncé aparece de tranças e chapéu, com uma roupa preta. Na capa da segunda edição, America Chavez aparece de forma similar, só que com roupas que lembram o Tio Sam, símbolo máximo do recrutamento de soldados nos anos 20 do século passado, e que relembra a política do Big Stick, antiga e tão atual, infelizmente.

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