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Visite A Exposição Bienal Naïfs do Brasil No Sesc Belenzinho

Artes Visuais | Leonardo Cássio 19/06/17 - 10h Leonardo Cassio

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Arte Naïf é um termo que denomina todo tipo de arte produzida com liberdade estética e técnica, geralmente realizada por artistas autodidatas e sem vínculos com propostas acadêmicas ou intelectuais. Em última instância, o termo identifica-se com a produção de arte popular.

A Bienal Naïfs do Brasil, aberta ao público até 2 de julho de 2017 no Sesc Belenzinho, com curadoria de Clarissa Diniz, Claudinei Roberto e Sandra Leibovici, é dividida em dois módulos:

– “Todo Mundo É, Exceto Quem Não É“: 126 obras de 86 artistas, das 948 disponíveis de 474 artistas. Há bordados, xilogravuras, pinturas, esculturas e instalações com uma gama diversificada de materiais;

– Mostra “Evidências“: 38 artistas apresentam 46 trabalhos com a mesma proposta de “Todo Mundo É…”, com temas mais sóbrios, como política e violência. É um recorte comemorativo que celebra os 30 anos da 1ª edição da Bienal realizada na cidade de Piracicaba em 1986 (a 13ª edição é 2016 e chegou a São Paulo em 2017).

No Brasil, a produção naïf aborda temas recorrentes como vida no campo e cidade, natureza, trabalho braçal, religião e festejos populares, etc. Justamente com a proposta de evidenciar a produção não hegemônica da arte, surgiu a Bienal Naïfs do Brasil em Piracicaba, cidade do interior de São Paulo conhecida por sua cultura pungente de cunho popular.

O que chama muita atenção na Bienal Naïfs do Brasil é a estética colorida do conjunto da obra. A cultura popular brasileira tem essa predominância de paletas de cores vivas, que simbolizam a alma brasileira. Mesmo que algumas obras retratem pobreza ou modo de vida sofrido, uma alegria tímida, ainda que utópica, predomina no ambiente. O grande valor da Bienal Naïfs, muito além da valorização da cultura popular, é a busca pela implosão da ideia de se rotular o que é naïf ou não (tudo é, exceto o que não é), mostrando que a arte pode ser muito mais abrangente do que apenas aquela considerada através do viés econômico. No texto “Martelando a Arte” (clique aqui para ler) e no “Mas afinal de contas, como se valoriza a arte?” (clique aqui para ler), nós argumentamos sobre a valorização da arte. Como um quadro chega a cifras milionárias? Quais parâmetro guiam a monetização de “produtos” artísticos? Tudo subjetivo e a questão é a contextualização em que estes produtos estão inseridos.

Sendo assim, a Bienal Naïfs do Brasil é, ao mesmo tempo, uma provocação para a cadeia produtiva da arte e uma vitrine para mostrar que arte popular é uma questão de ponto de vista, geralmente inflada de preconceito. Não é melhor, nem pior; é singular. Porém, para o mercado, é tratada como “infantil” e “ingênua”; menor.

Participam da exposição os artistas Flávio de Carvalho, João Generoso, Thiago Martins de Melo, Randolpho Lamonier, Miguel S.S.S., José Bezerra, Neri Andrade, Aparecida R. Azedo, Efigência Rolim e o famoso Volpi, um dos artistas mais tachados como naïf.

A seguir um vídeo da curadora Clarissa Diniz sobre a importância do projeto e o serviço da exposição:

SESC Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1.000 – Belenzinho
São Paulo – SP

Visitação – Bienal Naïf
Terça a Sábado, das 10h às 21h
Domingos e feriados, das 10h às 19h30.
Tel: 11 2076-9704
Para grupos: agendamento@belenzinho.sescsp.org.br
Próximo da estação Tatuapé do Metrô.
Estacionamento: R$15,00 – período de 2hs

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