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Conheci Stan Lee No Cinema

*Destaque-Home | Artes Visuais | Audiovisual | Leonardo Cássio | Literatura 19/12/18 - 04h Leonardo Cassio

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Li uma quantidade baixíssima de história em quadrinhos ou graphic novels. Enquanto criança, preferia livros às HQs. Claro que li Turma da Mônica, mas nunca guardei gibis ou fiz coleção. Com uns 10 anos li algumas histórias do Super-Homem, mas foi só com 30 que li 300 e Watchmen, que é espetacular! Não lembro de ter lido Homem-Aranha, X-Men ou Hulk.

Há pouco mais de um mês da morte de Stan Lee (12 de novembro de 2018), que faleceu aos 95 anos, os principais panegíricos já o taxam como mito do universo dos quadrinhos (esse, sim, merece ser chamado de mito). Descobri Stan Lee por meio do cinema, pois, como citei, não li ou não lembro de ter lido sequer uma história em quadrinhos da Marvel. Assim, fui um dos cooptados pelo Universo Marvel do cinema, e passei a acompanhar a saga roteirizada para as telonas, também conhecida por ter lançamentos programados com anos de antecedência pelos produtores.

Eu lembro de ter ido assistir ao Homem-Aranha, o primeiro da trilogia do diretor Sam Raimi, lançado em 2002 e estrelado por Tobey Maguire. Que experiência legal assistir àquele filme, com efeitos rebuscados e com uma fórmula bem avançada de produção história de super-heróis para o cinema! Dois anos depois, lançaram o Homem-Aranha 2. Aí, sim, a cabeça estourou. É tido com uma referência, um dos principais filmes de heróis já feitos. Acho que na época não era moda falar TOP, mas podemos chancelá-lo assim, de maneira retroativa. Foi em 2004, somente, que eu fiz a pergunta:Quem é esse Stan Lee?. Lembro da face de um amigo meu ao ouvir a pergunta. Tenho certeza que ele queria me golpear com algo que me machucasse fortemente. Preferiu mandar um “vá pesquisar”.

E eu não fui. Melhor: fui apenas em 2008, com o lançamento de “O Incrível Hulk”. Aí eu descobri que ele criou (sozinho ou não), além do Homem-Aranha e Hulk, o Homem de Ferro, Thor, Professor Xavier (X-Men) e Capitão América, sendo que estes eu já tinha ouvido falar ou visto algo; e alguns que eu não sabia da existência: Doutor Estranho, Viúva Negra, Pantera Negra, Feiticeira Escarlate, Gavião Arqueiro e Homem-Formiga. Pensei: “O que é isso? Tem até formiga de herói?“. E foi somente com a série de filmes que eu descobri que eles formam uma equipe (Vingadores), que briga entre si, que meio que se junta; e tem um pessoal que cuida da Terra e outro que cuida do Universo (ou Multiverso, sei lá como chama); e que tem herói demais lutando por aí.

stan-leeEu conheci esse Stan Lee: do cinema. O senhorzinho sorridente que faz pontas em todos os filmes dos heróis que criou (saiba mais aqui). Tem muita gente que torce o nariz para filmes de heróis, e tem muitos adoradores de HQs que tratam o gênero (não sei se é um gênero, em si) como expoente de máximo de arte com entretenimento. Eu simplesmente acho divertido.

Quando soube da morte de Stan Lee, nunca me passou pela cabeça escrever uma biografia. Tem muitas por aí, falando detalhadamente sobre sua vida e carreira, o momento em que concebeu as personagens, as ideias, as quebras de paradigmas e etc. Confesso, no entanto, que algumas coisas que descobri vendo os filmes me parecem mais importantes do que o que efetivamente se fala sobre o artista.

Ele criou o Pantera Negra, primeiro herói protagonista negro dos quadrinhos. Isso na década de 60. Tinha que ser ousado. Deu protagonismo para personagens femininas, como as citadas Viúva Negra e Feiticeira Escarlate. Isso, também, na década de 60. Se hoje tem um monte de homem branco protestando com pequenos progressismos dentro de filmes ou HQs, imagina 5 décadas atrás. Tem o professor Xavier, que é um conciliador entre humanos e mutantes, sendo que ele é paraplégico. Ou seja: os X-Men são a metáfora perfeita para a questão da diversidade, que aponta um padrão dominante cerceando os outros, subalternos (mutantes).

Os personagens do Stan Lee que estão indo para o cinema tem uma função social de representatividade provavelmente maior do que se imaginava. Pantera Negra é rei de Wakanda, que fica na África, e é uma das nações mais avançadas do mundo, ainda que fique boa parte do tempo às escondidas.

O fato é que por mais que eu conheça bem superficialmente a obra de Stan Lee, que é o que foi transformado em filmes, e que, por mais que sejam ótimos, não são capazes de trazer toda a riqueza das linhas e entrelinhas de um livro ou HQ, já é o suficiente para categorizá-lo como um dos maiores criativos de todos os tempos. Claro que há as controvérsias: já li matérias falando sobre a diminuição da importância de pessoas que criaram junto com ele, como Jack Kirby e Steve Ditko, e que não possuem a mesma visibilidade. Li algo sobre um assédio que ele teria cometido a uma enfermeira, mas não vi mais sobre.

Resumindo: acho que tanto a jornada cinematográfica quanto a literária pela obra de Stan Lee são válidas. Podemos aprender bastante com história de heróis e, por mais que os holofotes fiquem nos mais famosos, eu prefiro os personagens que não são (ou não eram) tão conhecidos. Eles sempre têm uma história a mais para nos contar.

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