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Gauguin – Viagem Ao Taiti

Artes Visuais | Audiovisual 22/08/18 - 08h Cult Cultura

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Se sentindo sufocado pela falta de inspiração e toda a artificialidade em que circulava na Paris de 1981, Paul Gauguin sai em busca de novos ares em destino ao Taiti, e esse período da vida do artista é o principal foco do filme “Gauguin – Viagem ao Taiti”. Vincent Cassel dá vida ao pintor e, tantos anos após “O Ódio”, de 1995, ainda se mostra a mesma força arrebatadora do seu começo de carreira. Obviamente, o filme o tem em seu papel principal, mas, mesmo se não fosse o protagonista ou se houvesse um coadjuvante de grande destaque (coisa que o filme não tem), fica a impressão de que, tendo ele está em cena, toda a atenção é sugada para a poderosa interpretação daquele que divide opiniões entre o genial, devotado e perfeccionista artista que foi e o homem com defeitos, dilemas e prioridades distorcidas, contraste que é muito bem representado nos 104 minutos de tela.

GAUGUIN 3O filme, como diz em seu título, é rodado em sua maior parte no Taiti, então, uma das poucas certezas que eu tinha antes de entrar na sala era de que as paisagens e locações seriam de um outro nível, fato que se confirmou, mas de uma forma diferente da que eu esperava. Os locais onde as cenas foram rodadas eram com certeza lindos, mas ainda assim, sem ter conhecimento da geografia local da época, me pareceu bem convincente para uma história que se passa no século retrasado. A fotografia também colabora para essa impressão, já que as cores são exuberantes por si próprias, não tendo que, necessariamente, ser aquelas cores quentes que te passam calor apenas de olhar (o que, em minha opinião, também poderia ser dito das obras do artista), dando aquele aspecto de autenticidade do período que eu não sei melhor como explicar, mas que você, ao assistir, com certeza vai entender.

Paul Gauguin (French, 1848 - 1903 ), Self-Portrait Dedicated to Carrière, 1888 or 1889, oil on canvas, Collection of Mr. and Mrs. Paul Mellon
Paul Gauguin (French, 1848 – 1903 ), Self-Portrait Dedicated to Carrière, 1888 or 1889, oil on canvas, Collection of Mr. and Mrs. Paul Mellon

Não é um filme ágil, na verdade esse foi o meu maior problema com a execução. Muitas vezes se torna maçante e monótono e, se não tivesse Cassel o carregando nas costas com louvor, provavelmente seria um filme um tanto quanto difícil de aproveitar. Certo que a história, da perseguição do pintor pela sua arte, talvez não seja a mais fácil de transmitir com maior dinamismo, mas mesmo assim, nesse aspecto, o filme ficou devendo, pois existiam temas para se aprofundar mais e que acabam ficando de plano de fundo como o colonialismo, a religião, a sexualidade, entre outros.

Repleta de momentos que trocam seu gosto doce por um mais amargo, Gauguin – Viagem ao Taiti é um filme sobre falhas e redenção. Tem em seu ator principal a cola que segura todas as peças juntas e só isso a ida ao cinema é válida. Sendo um fã do pintor e do período do impressionismo ou uma pessoa que aprecia a arte (e o ritmo) do cinema europeu, o filme não deve decepcionar. Faltou pouco para ser um filme memorável, mas com certeza é uma experiência que vale a pena ser vivenciada.

O filme estreia nessa quinta-feira, 23 de agosto:

EuclidesPor Clids Ursulino. 30 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro

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