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Karlla Girotto no Red Bull Station

Artes Visuais | Moda e Design | Thais Polimeni 20/02/15 - 05h Thais Polimeni

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O Grupo de Estudo em Arte Contemporânea, parte da 10ª Residência Artística do Red Bull Station, teve dua primeira palestra no dia 11 de fevereiro, com Eduardo Brandão e Tadeu Chiarelli como convidados.

Na próxima terça-feira, 24 de fevereiro, o Red Bull Station receberá a artista Karlla Girotto para debater a Arte Contemporânea. Com foco nas áreas de artes visuais, moda e performance, os principais eixos de pesquisa de Karlla Girotto são os modos de existência como produção artística e as linhas fronteiriças entre performance, moda e vida nos processos de criação e produção de subjetividades. Karla também coordena o grupo de pesquisa e projetos em moda e design G>E (2013/2015), sediado no Casa do Povo.

Fizemos uma breve entrevista com Karlla Girotto, abordando o mercado da moda, da Economia Criativa e o papel da performance no nosso cotidiano. Sua opinião nos convida a uma reflexão sobre o processo de criação do artista:

[CULT CULTURA] Seu trabalho em moda alcança áreas além da passarela, como exposição, teatro e espetáculo de dança. Na sua opinião, qual a importância da integração da moda com as diversas áreas da cultura?
[KARLLA GIROTTO] Vou de uma frase do Ricardo Basbaum, no livro “Artista-etc”: “Trabalhar na linha de fronteira e torná-la permeável, tátil, poética – menos fronteiriça e mais uma zona quente e liminar, onde forças livres e disponíveis podem tanto carregar [o diagrama] de energia quanto dissolver seus planos pré-preparados. Ali as coisas se movem de modo errático

[CULT CULTURA] A moda é um dos pilares da Economia Criativa, revelando a importância da área para o desenvolvimento econômico de todas as sociedades. No Brasil, quais as dificuldades que a moda enfrenta?
[KARLLA GIROTTO] Deveríamos rever um pouco essa coisa de economia criativa e parar de achar que é a “salvadora da pátria”. É um perigo, isso sim! É por causa desse tipo de abordagem que o mercado engole o criador, que projeto vem antes de criação, que as pessoas parecem esgotadas, no limite, capturadas pelas forças nefastas e reativas de um mercado com um tempo de ação bem diferente de um cidadão comum, que dirá de um artista – entendendo aqui que não acho que moda seja arte, certo?

Moda é um sistema comunicacional que faz uso de linguagem artística para se comunicar e vender. Claro que guardo no coração algumas pessoas especiais que souberam fazer desse sistema comunicacional uma arte.

O G>e justamente nasceu do esgotamento e esmagamento de alguns participantes em relação ao sistema moda. De alguma forma, o G>E significa uma retomada de território nesse sentido, o de confabular outras possibilidades de produção e criação que não as dadas pelos meios de produção vinculados à demandas comerciais e, desse modo, se fortalecendo como grupo e como processo.

[CULT CULTURA] Como você definiria seu processo de criação no geral, tanto em moda, quanto em artes visuais e performance? Há um denominador comum ou para cada área há um processo diferente?
[KARLLA GIROTTO] Eu não departamentalizo a vida e a criação – processo é processo e estamos o tempo todo em processos e atualizações e performatizações. Cada entrega exige uma postura específica e é, só então, que o processo ganha contornos mais definidos.

[CULT CULTURA] Um de seus eixos de pesquisa são as linhas fronteiriças entre moda, performance e vida. A performance, no Brasil, ainda é pouco explorada. De que forma você considera que ela exerce influência na moda e na nossa vida?
[KARLLA GIROTTO] É em outro território que se consegue vislumbrar certa comunicação entre moda, performance e arte – a criação e manutenção de subjetividades no dia a dia, como alguém produz a si e também ao mundo.

É sutil e explicita fenômenos comunicacionais que se dão no cotidiano, construindo dramaturgias performáticas o tempo todo – na fila do banco, no metrô, nas gôndolas do supermercado. Quem veste o que e quem coreógrafa quem? Tentativas de se moldar individualidades (de que jeito, gente!?? um grande sistema de trocas visíveis e invisíveis está em operação o tempo todo, de qual individualidade e identidade então estamos falando??).

Não vejo como representação de um tipo de arte e performance vinculados ao sistema da arte e, sim, algo que se dá e se dilui no cotidiano, no fazer das pessoas comuns e genéricas, nada singular, nada construído como “obra” – aliás, esse conceito não caberia aqui, na maneira como eu vejo essa comunicação.

—-
Converse mais com Karlla Girotto na próxima terça-feira:

Grupo de Estudo com Karlla Girotto
24 de fevereiro, terça-feira, 20h
Grátis
Sujeito a lotação do espaço

Red Bull Station
Praça da Bandeira, 137, Centro, São Paulo

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

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