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Mais Polêmico que Mamilos

Artes Visuais | Thais Polimeni | TVCULT 30/03/16 - 06h Thais Polimeni

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Recebi o release da assessoria de imprensa do Romero Britto informando que a galeria dele de Miami será transferida para dois outros lugares na mesma Miami e na mesma rua (do número 818, irá para os números 1102 e 532 da Lincoln Road). Essa é a informação que tenho que passar pra vocês. Mas o release me fez pensar em todos os haters que iriam ler um post inteiro falando sobre essa mudança de endereço e questionariam a finalidade cultural dessa informação. E, a partir daí, comecei a me questionar sobre em qual momento Romero Britto começou a ser tão odiado.

Lembro que a primeira vez que vi uma obra do Romero Britto foi em 2003, em uma galeria de arte que tinha no caminho do cursinho pré-vestibular. E adorei (me julguem!). Fui até à galeria dele na Oscar Freire, que é basicamente uma loja da Oscar Freire com preços da Oscar Freire e onde eu não comprei nada (acho que só peguei um adesivo de brinde). Entrei na faculdade de Publicidade e Propaganda em uma fase em que Romero Britto não era brega. Era até cool. E, depois de um tempo, cool virou odiar Romero Britto (como muito bem observou Jout Jout).

Eu não manjo nada de crítica de arte e pode até ser que o trabalho de Romero Britto não seja considerada arte pura e se aproxime mais de design e ilustração (que não deixam de ser manifestações artísticas, de um certo modo). Mas eu arrisco dizer que o que deixou Romero Britto fora do circuito hype-cool foi a Romerobrittização do mundo. De embalagens de sabão em pó a panetone com estampas de Romero Britto, quebra-cabeças, saia, bota… E teve até quem fizesse tatuagem romerobrittada. Aí, deve ter rolado um inconsciente coletivo entre a classe artística, que acabou excluindo-o por ter virado moda. Mas agora me veio a dúvida: já que a moda é criticar Romero Britto, será que gostar dele vai voltar a ser cool?

Eu sabia que Romero Britto é muito mais valorizado no exterior do que no Brasil, mas de seu extenso currículo, três itens me chamaram a atenção, que talvez sejam motivos para refletirmos se a arte dele é tão ruim assim:

– Romero Britto foi convidado para ser primeiro artista vivo a exibir sua obra no Museo Soumaya, no México, em 2003;
– A obra de Romero Britto foi exposta, em 2008 e 2010, no Salon de la Societe Nationale des Beaux Arts no Carrousel du Louvre;
– Romero Britto criou a maior escultura monumental na história de Hyde Park, em Londres.

Eu já conversei com alguns colecionadores de arte para entender como funciona esse mercado e o que faz todos eles torcerem o nariz para o moço em questão. E as justificativa foram muito abstratas, pautando-se no conceito de que o que Romero Britto faz não é arte. Ok, não é arte no Brasil, mas com a sua obra exposta no Louvre a faz se transformar em arte em Paris? Mas só de Romero Britto nos fazer refletir, com a sua obra e suas atitudes, sobre o que é arte, ele já cumpre seu papel de artista – sendo considerado artista ou não.

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

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