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Maurício de Sousa, o Artista-Empreendedor

Artes Visuais | Thais Polimeni 28/11/16 - 02h Thais Polimeni

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Fazer relações entre as atividades e funções de artistas e empreendedores é uma prática que eu tenho observado desde que comecei a trabalhar com cultura (leia o post que fiz há 1 ano sobre artistas-empreendedores aqui). Semana passada, tive uma experiência incrível que me fez retomar essa minha prática: estive presente na palestra do Maurício de Sousa no Núcleo de Jovens Empreendedores da Fiesp (NJE-Fiesp). Fazia tempo que eu não participava dos eventos de empreendedorismo dessa instituição, mas assim que eu recebi o e-mail de divulgação do Maurício de Sousa, fiz a inscrição da hora.

Hoje, 28 de novembro, o desenhista será entrevistado no Programa do Jô, após o Jornal da Globo, e é claro que eu vou assistir esse repeteco do conteúdo maravilhoso que vi na semana passada! Pra vocês terem uma ideia de como foi o evento, vou colocar alguns pontos bem interessantes aqui:

Assim como muitos adultos da minha idade, cresci lendo os gibis da Turma da Mônica, o que faz com que Maurício tenha um espaço muito especial da minha memória afetiva. Na palestra, Maurício não apenas atendeu minhas expectativas, como fez me dar conta da enorme importância dele para o Brasil e para o mundo. É claro que eu já tinha consciência do que ele construiu, mas ver o auditório lotado, com necessidade de cadeiras extras e salas com transmissões ao vivo para os que não conseguiram vaga no auditório principal foi impressionante!

mauricio-de-sousa-fiespA apresentação começou com um vídeo da Maurício de Sousa Produções, e uma das cenas que mais me emocionou foi quando Maurício subiu ao palco de um evento (provavelmente uma Bienal) em que milhares de pessoas esperavam ansiosamente pela sua apresentação. O mesmo aconteceu naquela quinta-feira (com centenas, em vez milhares de pessoas): Maurício de Sousa chegou e todos se levantaram para aplaudi-lo. Começou sua fala de forma calma e muito bom humor, contando como começou sua trajetória de desenhista. Disse ele que não inventou nada: as tirinhas já existiam, os gibis já existiam, os parques temáticos já existiam; ele apenas sabia o que queria e planejou tudo para acontecer de 10 em 10 anos. Nessa primeira parte do evento, antes das perguntas do público, Maurício nos ensinou a noção de foco, paciência e planejamento, itens essenciais para um empreendedor.

Nunca imaginei que pudesse dar errado. Nunca tive desesperança“, admitiu o artista-empreendedor que conquistou crianças no mundo inteiro com suas histórias e seus traços. Uma das lições que Maurício de Sousa aprendeu e passou para nós foi aconselhada pelo seu pai: “Desenhe de manhã e administre à tarde“. Administrar é uma atividade muitas vezes temida pelos artistas, porém, percebo que é um ponto em comum entre aqueles que mais se destacam.

E com relação aos “nãos“? Será que Maurício de Sousa já ouviu algum? E, se ouviu, o que fez? Sua resposta foi: “Nunca aceitei nãos. Aceitei dialogar, mas, nunca, nãos“. Diálogo: seria essa a palavra mais comentada este ano, ao lado de (in) tolerância? Vale lembrar que, no início de sua carreira, ele foi impedido de trabalhar em São Paulo por ser considerado comunista. Foi uma fase bastante difícil para ele financeiramente, quando teve que se mudar para outra cidade para poder vender suas tirinhas. O otimismo e a perseverança de Maurício o ajudaram na certeza de saber aonde queria chegar e, confessou que, apesar de às vezes ter tido que desviar um pouco o caminho, nunca perdeu seu foco.

Em duas horas de conversa com empreendedores, Maurício de Sousa se mostrou humilde, alegre, disciplinado e com uma mente jovem muito ativa. Foi um privilégio poder vê-lo e ouvi-lo ao vivo. Estou curiosa pra ver essa entrevista concedida ao Jô (que irá finalizar seu programa este ano, né? Vai ser histórico em todos os sentidos!).

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