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Minas Gerais Recebe Mais Um Selo da Unesco

Artes Visuais | Leonardo Cássio | Patrimônio 20/07/16 - 03h Leonardo Cassio

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Na segunda-feira passada (18/07) o Brasil foi agraciado pela Unesco com mais um reconhecimento de patrimônio mundial da humanidade. O 20° sítio brasileiro a receber este título, concedido de forma unânime pelos 21 países responsáveis pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco em solenidade na Turquia, foi o Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O visionarismo, a criatividade, a ousadia e o intercâmbio de ideias entre a cultura brasileira e europeia garantiram o título ao conjunto arquitetônico.

O Complexo da Pampulha é um projeto de vanguarda no Brasil. No início dos anos 40, data da execução do projeto, o prefeito da capital mineira era Juscelino Kubitschek, que encomendou o projeto a Oscar Niemeyer. A ideia era criar um polo de lazer e turismo, em uma área afasta do centro da cidade, que causasse impacto pela beleza natural e artística. A ousadia do projeto se dava pela criação de uma gigantesca lagoa artificial, com uma igreja, um cassino, uma casa de baile, um clube e um hotel em volta dela.

Em 1943 foi inaugurado o Complexo da Pampulha, com apenas um item fora do projeto original: o hotel. A imensa Lagoa da Pampulha passou a abrigar a Igreja de São Francisco, cujas linhas de Niemeyer, paisagismos de Burle Marx e painéis de Cândido Portinari não foram aceitos pela alta hierarquia católica, que não considerava a construção uma Igreja, sendo proibida por mais de uma década qualquer tipo de celebração nela. A forma não convencional do edifício e os 14 painéis internos – e um externo – que formam a Via Sacra, com um cachorro junto a São Francisco de Assis, todos de autoria de Portinari, não tiveram aceitação inicial dos católicos. Alfredo Ceschiatti, com esculturas em bronze, e Paulo Werneck, com um painel externo abstrato, contribuíram, também, com a obra de arte.

O Cassino transformou-se no em um museu de arte moderna, o Museu da Pampulha (MAP). Com a proibição dos jogos na segunda metade dos anos 40, o Cassino teve de ser fechado. Após aproximadamente uma década do fechamento, foi reaberto como museu em 1957, recebendo um grande acervo de obras, com destaque para trabalhos de Tomie Ohtake, Amilcar de Castro, Ivan Serpa e uma enorme coleção de gravuras brasileiras.

A Casa de Baile ficou, durante muitos anos, fechada, sendo reaberta em 2002 como um centro de Urbanismo, Arquitetura e Design, cuja fundação que a administra é vinculada à prefeitura municipal. O Iate Clube ainda cumpre sua função, sendo o Pampulha Iate Clube.

Para ser aceito como patrimônio mundial, os governos federal, estadual e municipal – que já haviam tombado a Pampulha como patrimônio cultural brasileiro – fizeram uma ação conjunta de comprometimento de salvaguarda, manutenção e gestão estratégica turística para o local, atendendo exigências da Unesco. A principal e emergencial ação é a despoluição da Lagoa da Pampulha. Ela não exibe níveis exorbitantes de poluição como o Rio Tietê (SP), mas está no caminho de se tornar completamente poluída, como acontece com a Lagoa Rodrigo de Freitas (RJ). Importante frisar que o Mineirão, palco do fatídico 7×1 da Alemanha sobre o Brasil fica na Pampulha, o que atrai ainda mais turistas para o local.

A Pampulha tornou-se o 13° patrimônio cultural do Brasil, que tem mais 7 sítios de patrimônio natural, compondo os 20 chancelados pela Unesco. Ouro Preto (MG), Plano Piloto de Brasília (DF) e o Centro Histórico de São Luiz do Maranhão (MA) são alguns sítios culturais brasileiros. Aliás, o estado de Minas Gerais é o que mais tem patrimônios culturais: Ouro Preto, Centro Histórico de Diamantina, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos – que tem as obras do Aleijadinho – e, agora, o Conjunto Moderno da Pampulha.

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