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O Texano Tropicalista

Artes Visuais | Música | Victor Fão 05/07/13 - 12h Victor Fão

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Com cabelos compridos, maquiagem, acessórios e roupas extravagantes no maior clima Secos & Molhados, e um namoro com atriz hollywoodiana Natalie Portman, Devendra Banhart ficou conhecido na grande mídia. No entanto, ele é muito mais do que isso, lhes garanto.

Devendra nasceu em 1981, no Texas, mas foi criado na Venezuela. Esse nome meio hippie, meio “hare bo”, foi uma sugestão de um “mestre” indiano que sua família, hippie, seguia. Já por ai dá pra perceber quais os universos permeariam a vida do músico.

victs3Influenciado por artistas como Bob Dylan, John Cage, Caetano Veloso e Os Mutantes, Devendra compõe suas músicas inspirado neste clima folk psicodélico. É daí também que ele cria seus desenhos incríveis, afinal, não basta ser um puta compositor… Ele também detona nas ilustras.

Seu primeiro álbum, The Charles C. Leary, foi lançado em 2002, mas eu só conheci seu trabalho em 2005/2006, com o disco Cripple Crow. Nesse disco, fica clara a identificação que Devendra tem com o Brasil. Está estampado, tanto em seu jeito de cantar, quanto nos timbres e no tocar, as referências ao músico Caetano Veloso, por exemplo. Na faixa Santa Maria da Feira, uma cúmbia meio afoxé e totalmente latino-americana, essa referência fica bem evidente (ouça aqui Santa Maria da Feira).

Cripple Crow é assim, um disco de canções de amor psicodélicas. Para quem não conhece o trabalho dele, recomendo começar por esse. E se você for músico, ouça com o violão ao lado. É diversão pura.

Depois disso, Devendra lançou mais dois discos sensacionais, seguindo a mesma linha, o Smokey Rolls Down Thunder Canyon e o meu predileto, o What Will Be. Nesses discos nota-se um aprimoramento nas composições e no jeito de tocar, mas é na voz a principal diferença, com um cantar puxado e um sotaque tremendo, que dá força às melodias simples e belíssimas. Mais canções de amor, mais letras psicodélicas e mudanças rítmicas repentinas. Assim ele conseguiu fazer um som mais pop e acessível do que nos discos anteriores, porém, é ao mesmo tempo estranho e com muito groove, algo bem difícil de fazer na música pop.

victs4É importante também mencionar que Devendra é amigo e parceiro musical do brasileiro Rodrigo Amarante, ex- Los Hermanos e Little Joy e que disse que lança disco novo esse ano. A parceria já rendeu bons frutos, como a música Rosa e o dueto no disco A Tribute to Caetano Veloso, gravado em 2012 por diversos artistas, em que cantam a música “Quem Me Dera”. A afinação entre os dois é tanta, que Devendra considera Amarante o melhor cantor que ele conhece (Amarante é foda).

Rasgações de seda à parte, em 2013 o texano lançou Mala que, confesso, ainda não me chamou tanto a atenção. No entanto, em entrevista para a revista Rolling Stone, Devendra contou que o disco é uma transição no seu jeito de compor e criar músicas. Estou escrevendo o texto ouvindo o disco novo, e estou achando bem legal. Assim que essa “transição” me absorver, conto por aqui o que achei.

Fato é que Devendra é um artista totalmente inventivo e criativo. Suas músicas têm forma, cheiro e cor e o universo que ele cria é uma linha tênue entre o exotérico e o circense. Só ouvindo para entender.

Até!

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Victor Fão

Victor Fão

Trombonista e Artista Gráfico, Victor Fão é formado em Publicidade pela Universidade Mackenzie e atualmente estuda música. Acha que a arte, principalmente a música, tem que ter cor, cheiro, sabor, toque, trazendo sensações e referências mundanas. Acredita nas relações humanas, no potencial da troca de ideias em um bar, de passar o dia em estúdio produzindo e em tomar um solzinho no quintal. Urbano convicto, faz tudo a pé ou de busão.

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