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A Grande Beleza

Audiovisual 31/03/14 - 09h Thais Polimeni

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Nesse final de semana, finalmente, eu fui assistir “A Grande Beleza” no Itaú Cinemas, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. É uma produção entre Itália e França, então já me ganhou logo na leitura do folheto do cinema. Tenho um amor secular pela Itália. Só de ouvir alguém falar italiano, já me sinto transportada para uma paisagem bucólica. Quanto à França, estou em um momento particular de descobertas. Tenho me interessado cada vez mais pela sua música, cinema e estilo de vida.

Sem querer comparar – e talvez até cometendo uma heresia na visão dos cinéfilos intelectuais -, lembrei-me de “O Som ao Redor” ao sair de “A Grande Beleza”. Explico: semana passada, uma grande amiga de Recife veio filmar aqui em São Paulo. Saí algumas vezes com a equipe que estava com ela e, entre outros assuntos, conversamos sobre “O Som ao Redor”, pois uma amiga paulistana e eu não tínhamos conseguido pegar o espírito do filme. Eles nos explicaram que um dos motivos para “O Som ao Redor” ter tido tanto sucesso é que ele retrata exatamente como é a cidade do Recife: as relações, a mobilidade, o barulho, a influência histórica… Com “A Grande Beleza”, eu me senti em Roma, assim como “O Som ao Redor” pretendeu passar sobre Recife.

Quando apareceu a imagem do Coliseu, vista da sacada do prédio do protagonista, meu coração bateu tão forte que eu quase achei que foi um sinal de outras vidas. Aquele monumento desvelado, assim, em um único movimento de câmera, tirou meu fôlego e, ao som dos diálogos em italiano, vivi 142 minutos imersa em Roma.

Já sabendo que todas as locações foram feitas na capital italiana, ninguém nem precisaria citar que a fotografia de “A Grande Beleza” é um espetáculo à parte. Cenas de esculturas, pinturas, monumentos históricos, festas fechadas em apartamentos milionários, tudo isso em um ritmo frenético, costurado por um roteiro detalhista que aborda a busca do artista pela grande beleza, enchem nosso dia de inspiração.

agrandebelezapartyFilmes que mostram a alta sociedade europeia, consumista, ávida por drogas lícitas e ilícitas são relativamente comuns, geralmente protagonizados por jovens hedonistas. “A Grande Beleza” dá seu toque de maestria ao apresentar tudo isso de forma poética, cujo protagonista é um escritor e crítico cultural de 65 anos. Jap Gambardella é um personagem profundo. Ao mesmo tempo que sente prazer em frequentar eventos aos quais todos vão para se aparecer e fugir do mundo real, Jap se pergunta – e é questionado por outros – por que só escreveu um livro, já que teve tanto sucesso com este primogênito. Neste caminho, outros personagens descobrem a resposta para a própria vida.

Uma cena que quase arrancou meus aplausos foi quando, em uma das muitas festas e jantares do filme, uma amiga de Jap começa a criticá-lo por ter escrito apenas um livro, enquanto ela escreveu 11, e ainda teve tempo de se casar e ter filhos. Jap, como um gentleman, tentou não prosseguir com a discussão, mas ela insistiu: “Vamos! Diga o que pensa sobre mim!”. Ele disse. Disse palavra por palavra o que achava de seus livros fracassados, seu casamento de fachada e sua “vida de mãe” sendo delegada para babás e empregados. Fino! Uma dica para quem adora uma grosseria e tenta se defender colocando a culpa no sangue italiano.

Além de ser um filme reflexivo, uma de suas contribuições sociais é provar que, hoje em dia, a vida não termina em uma determinada idade. Com 20, 30 ou 65, estamos em constante atividade, com amigos, perdas, amores, trabalhos… Em nossa contínua busca pela vida.

Vejam o trailer. Para quem estiver em São Paulo, ainda dá tempo de ver “A Grande Beleza” no Itaú Cinemas.

La Grande Bellezza (Original)
Ano produção: 2013
Diretor: Paolo Sorrentino
Estreou no Brasil em 20 de Dezembro de 2013
Duração: 142 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero: Comédia/ Drama
Países de Origem: França/ Itália

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

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