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As mil e uma faces do filho de Krypton

Audiovisual | Leonardo Ribeiro 08/07/13 - 03h Leonardo Ribeiro

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Há 75 anos, mais precisamente no dia 18 de abril de 1938, chegava às bancas dos Estados Unidos a edição número um da revista Action Comics, da editora DC Comics. A publicação se tornaria um marco das revistas em quadrinhos e da cultura pop, por apresentar ao mundo aquele que seria conhecido como o primeiro super-herói das HQ’s: Superman, O Homem de Aço.

actioncomic1Criado durante o período da Grande Depressão norte-americana pela dupla Jerry Siegel e Joe Shuster, o personagem se tornou a quintessência do herói imbatível e íntegro, que combatia as forças do mal para defender a humanidade, definindo as bases para o gênero de super-heróis, que continuam sendo seguidas até hoje. Kal El (seu nome de batismo em seu planeta natal, Krypton), Clark Kent (seu nome terráqueo, dado por seus pais adotivos em nosso planeta), ou simplesmente o Super-Homem, deu início à chamada Era de Ouro dos quadrinhos, sendo um dos principais responsáveis por popularizar o formato pelo mundo.

O enorme sucesso do Superman gerou uma expansão de seu universo dentro das publicações da DC Comics, com a criação de outros personagens derivados de suas histórias, como a Supergirl, Krypto (o Supercão), além de sua união a outros heróis resultando na criação da Liga da Justiça. Com todo esse potencial para gerar produtos lucrativos, não demorou muito para que o Homem de Aço migrasse também para outras mídias.

Das cinesséries ao primeiro voo nas telas
Após alguns curtas de animação lançados nos cinemas no início da década de 40, surgiram as primeiras produções sobre o personagem estreladas por atores em live action. A primeira cinessérie (produção com episódios de 15 a 20 minutos que eram exibidos nos cinemas antes das atrações principais, um formato comum na época), intitulada apenas “Superman”, foi produzida em 1948 e dividida em 15 capítulos. Com o grande sucesso de público, em 1951, mais uma cinessérie foi lançada, “Atom Man vs. Superman”. Ambas as produções traziam o ator Kirk Alyn na pele do personagem principal, fazendo dele o primeiro Superman da história (ainda que pouco lembrado nos dias de hoje).

Com a chegada da década de 50, os produtores da DC resolveram levar o personagem para um formato que ainda era novidade na época: a televisão. Em 1951 foi produzida a primeira temporada de 26 episódios de “As Aventuras do Super-Homem”. Para promover o seriado antes de sua estreia na televisão, foi lançado, nos cinemas, o longa “Superman and The Mole Man”, que apresentou com sucesso ao público a nova cara do Super-Homem, o ator George Reeves. Vindo de uma carreira de papéis coadjuvantes em filme importantes, como “O Diabo Feito Mulher” de Fritz Lang, “Uma Loira com Açúcar” de Raoul Walsh e o clássico “…E o Vento Levou”, Reeves possuía talento, carisma e também o porte físico ideal para representar o Homem de Aço. Sua encarnação do personagem ajudou a moldar a personalidade do mesmo no imaginário do público, com uma conduta moral heroica e indestrutível, além de ter apresentado também a outra face da moeda do personagem, o repórter Clark Kent. Nessa caracterização, Reeves abandonou um pouco o lado cômico, inseguro e desajeitado de Clark na HQ’s, para criar um personagem um pouco mais sério e confiante.

O seriado acabaria indo ao ar somente em 1952, quando a Kellogs resolveu patrociná-lo. A partir desse momento, a produção se tornaria um marco da história da televisão, alcançando um sucesso jamais visto pelo formato. Já na segunda temporada, houve uma grande mudança no elenco, justamente no segundo personagem mais importante da trama, Lois Lane, a jornalista companheira de trabalho e interesse amoroso de Clark. A Lois original, Phyllis Coates, saiu para a entrada da atriz Noel Neill, que seguiria no papel até o final da série. Mesmo com o orçamento limitado e com os recursos mais escassos disponíveis na época, a produção foi responsável por momentos históricos, como o primeiro voo do Superman. A série, que começou sendo transmitida em preto e branco, passou a ser exibida em cores a partir de 1954. Quatro anos mais tarde, após completar 6 temporadas, a série foi cancelada.

George_reevesAlém de sua importância histórica para o desenvolvimento da televisão, a série também é lembrada por um triste fato, a morte do ator George Reeves, pouco tempo após o seu cancelamento. Em 1959, o ator foi encontrado em sua casa, morto por um tiro. As investigações da polícia foram inconclusivas, permanecendo a dúvida sobre assassinato ou suicídio. Esse que até hoje é lembrado com um dos maiores mistérios de Hollywood, foi retratado em 2006 no filme “Hollywoodland – Bastidores da Fama”, que aborda a investigação do crime e também o caso amoroso de Reeves e a atriz Toni Mannix, na época casada com um executivo do estúdio MGM. O elenco do filme traz duas curiosidades relacionadas ao universo do kryptoniano, a primeira é que Ben Affleck, que interpreta George Reeves em “Hollywoodland”, já esteve cotado por diversas vezes para encarnar o Super-Homem em pessoa nas telonas. A segunda é que no papel de Toni Mannix temos a atriz Diane Lane, que foi escalada para interpretar a personagem Martha Kent, mãe terráquea de Clark, em seu mais recente filme, “O Homem de Aço”.

“Superman – O Filme” e “Superman II”: Christopher Reeve e a eternização do herói
Após o fim da série “As Aventuras do Super-Homem” vieram algumas produções animadas, entre elas “Os Super Amigos” da década de 70, que se tornou um enorme sucesso em todo mundo, sendo reprisado por um longo tempo nas décadas seguintes.
A essa altura, a Warner Bros, que detinha os direitos sobre o personagem, decidiu que era hora do herói voltar ao cinema, e para isso resolveu investir pesado. O estúdio contratou o escritor Mario Puzo, autor de “O Poderoso Chefão” para ser um dos roteiristas do filme, além de ter garantido a presença do mito Marlon Brando para interpretar Jor El, o pai biológico do Super-Homem. Para comandar a aventura, foi escalado o diretor americano Richard Donner, que possuía grande experiência na TV e acabava de vir de seu primeiro sucesso no cinema, com o terror “A Profecia”.

Christopher_reeveFaltava então escolher o ator para o papel principal. Enquanto a Warner cogitava nomes consagrados como Robert Redford e Paul Newman, Richard Donner acreditava que deveria apostar em um ator desconhecido. A vontade de Donner prevaleceu, e sua aposta foi certeira. Em 1978 chegava às telas “Superman – O Filme”, com Christopher Reeve na pele do herói. O ator, que até então havia participado de apenas um outro longa, se tornaria a imagem definitiva do Super-Homem nas telonas, e seria imortalizado pelo personagem. Carismático e de boa aparência, Reeve (que apesar do sobrenome parecido, não tinha nenhum parentesco com George Reeves) conseguiu dosar o heroísmo do Homem de Aço e o humor até certo ponto ingênuo na pele de Clark Kent. Outra aposta acertada foi a da atriz Margott Kidder como Lois, papel que também a acompanharia durante toda a sua carreira. Para completar o elenco principal, o premiado Gene Hackman foi escolhido para viver o arquivilão Lex Luthor, o inimigo mais clássico das HQ’s do Superman. Somado ao elenco certo, o filme ainda contava com a excelente direção de Donner (que depois seria responsável por outros clássicos como “O Feitiço de Áquila”, “Os Goonies” e os quatro filmes da série “Máquina Mortífera”) e com a trilha sonora icônica composta por John Williams. Tudo isso fez de “Superman – O Filme” um enorme sucesso de bilheteria e crítica, sendo considerado até hoje uma das melhores, senão a melhor, adaptação de quadrinhos.

Esse sucesso já era esperado pelo estúdio, que resolveu filmar uma continuação ao mesmo tempo em que rodava o primeiro filme. Perto do lançamento do segundo filme, Donner se desentendeu com os produtores em relação aos rumos da trama na sala de edição e foi despedido. Para seu lugar, a Warner chamou o cineasta Richard Lester, famoso pelos filmes que fez com os Beatles na década de 60 (”A Hard Day’s Night” e “Help!”), que rodou algumas cenas adicionais e foi creditado como o diretor oficial do longa. Em 1980, “Superman II” foi lançado e, apesar das brigas de bastidores, também foi um enorme sucesso de público, mesmo sendo considerado inferior ao filme original. A trama do segundo capítulo trazia como vilão principal, além da volta de Lex Luthor, o kryptoniano General Zod, interpretado pelo excelente ator britânico, Terence Stamp. Como curiosidade, vale lembrar que a versão de Richard Donner para o filme, rejeitada pelo estúdio, foi lançada em DVD em 2006.

Superman III e Superman IV: As kryptonitas cinematográficas
Com o novo sucesso, Lester foi mantido no posto de diretor para o terceiro filme, mas o elenco perdia Gene Hackman, insatisfeito com o modo como o estúdio havia lidado com a saída de Donner e com o novo roteiro. Com isso, o texto precisou ser reescrito e um novo vilão foi criado, Ross Webster, interpretado por Robert Vaughn. A Atriz Margott Kidder também criticou os produtores, e com isso teve sua personagem reduzida a uma pequena participação de pouco mais de 5 minutos. Para suprir sua ausência como interesse romântico, o roteiro trouxe a personagem Lana Lang, namorada de Clark nos tempos de colégio em Smallville.

bizarroCom todos esses contratempos, “Superman III” não agradou nem público, nem crítica, ao estrear em 1983. Lester era um ótimo diretor, mas tinha a predileção pelas comédias e. desta vez, tendo o comando do filme desde o início, empregou esse tom cômico ao longa. A adesão do comediante Richard Pryor (famoso por seus trabalhos ao lado de Gene Wilder) ao elenco também não funcionou. Pryor era excelente, mas seu tipo de humor foi mal aproveitado no filme, que investia em gags visuais e físicas mais do que nos diálogos. Outro ponto controverso do confuso roteiro foi a aparição de Bizarro, uma versão sombria e antagônica do herói, que surge quando ele é exposto à kryptonita vermelha.

Apesar da controvérsia, a aparição do Superman Bizarro foi responsável pelos principais elogios recebidos pelo filme, devido à interpretação de Christopher Reeve. Utilizando um uniforme mais escuro, cabelos despenteados e barba, Bizarro proporcionou algumas cenas antológicas, como Superman bebendo em um bar e a batalha entre a versão “má” e a versão “boa” do herói. Visto em retrospecto, “Superman III” pode ser apreciado como uma autoparódia e por seu humor involuntário, mas na época não foi visto assim pelo público, e sua má recepção dificultaria a produção do próximo episódio da série, que só sairia em 1987.

supergirlNesse meio tempo, devido ao fracasso do terceiro filme, a Warner desistiu de lançar nos cinemas o filme da “Supergirl”, vendendo os direitos de distribuição para a Columbia Tri Star, que após remontar o filme (cortando-o de 126 para 105 minutos), lançou o longa nos cinemas em 1984. “Supergirl” foi dirigido pelo francês Jeannot Szwarc (de “Tubarão 2” e que vinha do sucesso de “Em Algum Lugar do Passado”, estrelado justamente por Christopher Reeve) e trazia a atriz Helen Slater como Kara, a prima kryptoniana do Superman. Apesar do alto orçamento para a época (35 milhões de dólares) e de um elenco de respeito, com Faye Dunaway, Mia Farrow e o grande Peter O’Toole, o filme foi um retumbante fracasso, tendo a menor arrecadação de todos os filmes relacionados ao universo do Homem de Aço.

Com dois fracassos seguidos, os produtores originais de Superman abandonaram seus cargos, e a Warner fechou uma parceria com os produtores israelenses Menahem Golan e Yoram Globus para a produção de “Superman IV”. Golan e Globus eram os donos da Cannon Pictures, produtora que fez rios de dinheiro nos anos 80 com fitas de ação geralmente baratas, mas que traziam grande retorno, como “O Grande Dragão Branco”, “Stallone: Cobra”, “Falcão: O Campeão dos Campeões”, “Comando Delta”, “Braddock: O Super Comando”, “O Guerreiro Americano”, “Cyborg: Dragão do Futuro”, entre outros. Mas, depois de muitos atrasos, quando as filmagens de “Superman IV” estavam para começar, a Cannon passava por uma grande crise financeira, o que fez o orçamento do filme cair para menos da metade do valor inicial (de 36 para 17 milhões de dólares).

O resultado não poderia ser muito diferente. Apesar da volta de Gene Hackman como Lex Luthor, os cortes no orçamento que prejudicaram toda a produção de efeitos especiais, obrigando a equipe a “reciclar” cenas de outros filmes, além das constantes mudanças no roteiro (que passou por sete roteiristas diferentes, incluindo o próprio Christopher Reeve), prejudicaram muito o trabalho do competente diretor canadense Sidney J. Furie (“Ipcress file”, “Águia de Aço”). O filme novamente apostou no humor, trazendo no elenco o ator Jon Cryer (o Allan de “Two and a Half Men”) e apresentou um novo vilão com apelo fraco, o Homem Nuclear, único trabalho no cinema do inexpressivo Mark Pillow. O fracasso de “Superman IV – Em Busca da Paz”, em 1987, marcaria o fim da era Christopher Reeve como Super-Homem, e o começo de um longo hiato do herói na tela grande.

50º aniversário e o legado vivo na TV: “Superboy”, “Lois & Clark” e “Smallville”
superboyO ano de 1988 se aproximava e com ele o aniversário de 50 anos da criação do Superman. Devido ao desastre nos cinemas, os produtores originais dos três primeiros filmes, Ilya e Alexander Salkind, decidiram continuar a saga do herói na televisão. Primeiro foi lançada uma nova série animada na CBS, e depois uma série com atores, a primeira filmada nos novos estúdios da Disney/MGM. Essa série seria “Superboy” e traria para as telinhas a fase adolescente do personagem, ainda morando com seus pais adotivos em Smallville, descobrindo seus poderes, etc. A série estreou em outubro de 1988 nos EUA, com Clark Kent sendo interpretado pelo ator John Newton. Apesar da boa audiência, Newton não agradou aos produtores e na segunda temporada foi substituído por Gerard Christopher. Na terceira temporada, outra mudança, agora de nome, a série passava a se chamar “The Adventures of Superboy”. No ano seguinte, o seriado continuava fazendo sucesso, e os produtores já planejavam a 5ª e 6ª temporadas, mas devido a uma ação na justiça efetuada pela Warner, reivindicando os direitos pelo personagem, “The Adventures of Superboy” foi cancelada após um episódio especial, divido em duas partes em sua 4ª temporada.

Passado algum tempo da catástrofe de “Superman IV”, a Warner tentava levar o herói novamente para os cinemas. O estúdio chegou a contratar o diretor Tim Burton, que vinha do sucesso de outras adaptações de quadrinhos: “Batman” e “Batman – O Retorno”, ambos também da Warner. Burton começou a trabalhar em cima de um roteiro escrito por Kevin Smith, e a fazer testes de figurino com o seu escolhido para o papel, Nicolas Cage (declarado fã de HQ’s, e que viria a ser o Motoqueiro Fantasma), mas a produção não foi para frente. Para os curiosos, imagens dos testes de Cage com cabelos compridos e vestindo uma bizarra versão do uniforme do Superman podem ser encontradas na internet.

lois_clarkNovamente, a televisão foi o meio escolhido para uma nova encarnação do personagem. Assim, em 1993, estreava na rede ABC o seriado “Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman”. A série focava no relacionamento amoroso e também profissional entre Clark e Lois, interpretados por Dean Cain e Teri Hatcher, respectivamente. Os altos custos em efeitos especiais faziam com que o Superman e seus poderes aparecessem menos nas tramas dos episódios, geralmente apenas nos momentos finais. Assim, Clark tinha muito mais tempo de tela, e por isso os episódios geralmente se transformavam em investigações policiais feitas pelos repórteres, além enfatizar o romance entre os dois. Esse lado românico desagradou muitos fãs dos quadrinhos, mas a série conseguiu agradar a outra parte do público, especialmente o feminino.

O carisma de Hatcher e Cain foi um dos principais fatores desse sucesso, além de outros nomes do elenco, como Lane Smith na pele de Perry White, o editor do Planeta Diário e Justin Whalin, como o repórter Jimmy Olsen. Mesmo tendo conseguido recordes de audiência em sua terceira temporada, no ano seguinte, 1997, os números ficaram abaixo do esperado e a ABC resolveu cancelar a série, deixando os fãs sem um final oficial. Paralelo ao fim de “Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman”, foi lançada uma nova série em animação, “Superman – The Animated Series”, que teve 50 episódios entre 1996 e 2000, e foi bastante elogiada por crítica e público.

smallvilleA chegada dos anos 2000 fez com que o Superman ganhasse uma roupagem mais jovem, visando agradar a uma nova geração de espectadores. Com isso, em 2001, o canal WB TV da Warner, que se tornaria o canal CW, colocava no ar a série “Smallville”. Assim como “Superboy” nos anos 80, “Smallville” tinha como cenário a cidade do interior dos EUA onde Clark foi criado em uma fazenda por Jonathan e Martha Kent. O seriado abordava a vida colegial de Clark, seu amor por Lana Lang, e a descoberta de seus poderes, juntamente com os dilemas gerados por eles. Outro marco importante da trama é a relação de Clark com Lex Luthor, antes dos dois se tornarem inimigos mortais. Em suas primeiras temporadas, a série adotou o formato de “Freak of the week” (“aberração da semana”), onde, em cada episódio, Clark e seus amigos descobriam uma nova ameaça, resultante da chuva de meteoros de Krypton que trouxeram o herói para a Terra. Esse lento desenvolvimento do personagem, a previsibilidade dos episódios, além do tom exagerado de romance, novamente desagradou muitos fãs dos quadrinhos. Mas, fato é que “Smallville” atingiu o objetivo dos produtores, conquistando uma nova legião de fãs (especialmente adolescentes) que descobriram o personagem através da série.

Com o passar das temporadas, a qualidade técnica do seriado foi sendo aprimorada, com um orçamento maior, que permitia melhores efeitos especiais. Sua trama também foi se expandindo, abrangendo diversos outros elementos do universo do super-herói. A ida para Metrópoles, o romance com Lois, a transformação de Lex em vilão, seu passado em Krypton, além da aparição de personagens como Kara (Supergirl), Jor El, General Zod, vilões clássicos (Brainiac) e heróis aliados (Aquaman e Arqueiro Verde, que recentemente ganhou uma série solo no CW, “Arrow”), estiveram entre os fatos apresentados durante 9 temporadas, culminando em seu 10º e último ano, quando Clark finalmente veste o uniforme e se torna o Super-Homem.

Até o seu final, em 2011, a série contou com a participação de diversos atores ligados anteriormente ao personagem. A principal delas é a atriz Annette O’Toole, a Martha Kent de “Smallville”, que havia interpretado a namorada de Clark, Lana Lang, em “Superman III”. Outro ator recorrente no seriado foi Terence Stampo, o Zod de “Superman II” que participou de 23 episódios como a voz de Jor El. Teri Hatcher, Dean Cain, Margott Kidder e Helen Slater também fizeram pequenos papeis em episódios distintos. E até o próprio Christopher Reeve participou de dois episódios, já atuando em uma cadeira de rodas, após o acidente que o deixou tetraplégico. Seu personagem deveria ter novas aparições, antes do falecimento do ator, em 2004.

“Superman – O Retorno”: a homenagem incompreendida e a chegada do “Homem de Aço”
Passados quase 20 anos do fracasso de “Superman IV – Em Busca da Paz”, e após passar pelas mãos de diversos diretores, que não conseguiram concretizar a volta do Superman aos cinemas, como Brett Ratner, McG, Michael Bay e até Oliver Stone, a missão ficou a cargo de Bryan Singer, que estreou com o excelente “Os Suspeitos” e já tinha experiência com adaptações de HQ’s nos dois bons primeiros filmes dos “X-Men”. Ao começar a trabalhar no filme, Singer rejeitou o roteiro previamente escrito por J.J. Abrams e, assim como Richard Donner no primeiro filme, não concordou com a escolha de um rosto conhecido para o papel principal. James Caviezel, Ashton Kutcher, Brendan Fraser, Ben Affleck, Tom Welling (o Clark de “Smallville”) e até Will Smith (!) foram considerados e descartados pelo diretor, que optou pelo desconhecido Brandon Routh. Lançado em 2006 sob uma enorme expectativa, “Superman – O Retorno” não fez o sucesso esperado. Apesar de não ter sido um fracasso catastrófico, o filme não conseguiu superar o seu custo de produção nas bilheterias dos EUA, apenas empatando o valor (por volta de 200 milhões de dólares). No resto do mundo, o sucesso também foi moderado.

A recepção da crítica, assim como a do público, foi de média para fraca. A longa duração, a falta de mais sequências de ação, a passividade de Routh no papel principal e até o retorno de Lex Luthor, interpretado por Kevin Spacey, foram alguns dos motivos apontados para o filme não ter agradado. Apesar de alguns fatos apontados serem relevantes, a verdade é que o público não comprou a proposta de Singer, a de homenagem ao filme de 1978. Do design de produção retrô ao uniforme simples do herói (sem os músculos falsos dos uniformes do Batman e outros), passando pelo bom humor do roteiro, pela aparência física de Routh, pelo uso do tema clássico composto por John Williams e até uma participação de Marlon Brando como Jor El, através de imagens de arquivo não utilizadas por Donner, tudo se encaixa na proposta saudosista de Singer.

O produto nostálgico entregue pelo cineasta, porém, não era o esperado pelo público. Um público que definitivamente não era mais o mesmo de 40 anos atrás. A ingenuidade, e até certo ponto leveza do filme, não foram aceitas por uma plateia que agora busca o realismo, os heróis menos fantásticos e mais sombrios, como no caso da nova trilogia do Batman, dirigida por Christopher Nolan. Por esse motivo, Nolan foi o escolhido para tirar o personagem da Fortaleza da Solidão, após “Superman – O Retorno” e dar nova vida a ele. Vendo a Marvel alcançar um enorme sucesso com um plano bem definido para seus personagens no cinema, que já chega à chamada “Fase 3”, depois de causar estragos nas bilheterias com “Os Vingadores”, a DC resolveu apelar para o homem responsável pela volta do Homem Morcego, depois de sua quase extinção com a bomba “Batman & Robin” , de Joel Schumacher, em 1997.

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Nolan aceitou a tarefa e cuidou tanto da produção quanto do roteiro do novo “O Homem de Aço”, deixando o posto de diretor para Zack Snyder, outro com experiência em adaptações mais gráficas de quadrinhos, como “300” e “Watchmen”. O filme já foi lançado nos Estados Unidos, gerando uma boa arrecadação e recepção do público, enquanto a crítica ficou dividida. Ao que tudo indica, o tom épico e a ação em grande escala dão o tom ao filme, além da citada realidade no tratamento do personagem. Realidade não por abandonar os aspectos fantásticos do herói, mas por trazer questões hipotéticas sobre o que aconteceria caso um Superman surgisse no mundo real. Como reagiriam os governos, as lideranças religiosas, a população? Afinal, sua existência seria a resposta definitiva para a questão de estarmos ou não sozinhos no universo. Uma abordagem que pode ser interessante, já que em todas as outras produções sobre o personagem nunca tocaram nesse assunto com profundidade.

O resultado poderá ser conferido pelo público brasileiro no próximo dia 12, quando “O Homem de Aço” chega aos cinemas de todo o país, com Henry Cavill no papel-título e Russell Crowe, Amy Adams, Kevin Costner, Diane Lane e Michael Shannon, como o vilão Zod, completando o elenco.

Independente do que o futuro reserva ao filho mais famoso de Krypton, podemos afirmar com certeza que ele já é parte do imaginário coletivo há quase oito décadas, sendo citado em diversas outras manifestações artísticas. Uma delas, com certeza uma das mais interessantes, pode ser conferida no filme “Kill Bill Vol. 2”, de Quentin Tarantino. No longa, há um monólogo do personagem Bill (David Carradine) sobre a mitologia do Superman e como ele vê os humanos. Definitivamente um dos melhores diálogos escritos pelo diretor de “Pulp Fiction”. Então para encerrar esse artigo, fica o link para quem quiser ver ou rever esse momento excepcional da sétima arte criado por Tarantino:

http://www.youtube.com/watch?v=IFSAbxfLBYU

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Leonardo Ribeiro

Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Um devoto de São Hitchcock, que tenta unir o prazer de escrever ao prazer de discutir e analisar a sétima arte. Facebook: https://www.facebook.com/leo.sp.ribeiro Twitter: @leospribeiro

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