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Se Mistura na Foto

Axé É Energia E Empoderamento

Audiovisual | Música | Thais Polimeni 08/02/17 - 12h Thais Polimeni

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Oh, Miii-i-i-láá“, “Chiiii-cleee-teee! Oba! Oba!“, “A cor dessa cidade sou eeeu! Tum Dum“… Estou aqui na frente do meu computador me segurando pra não sair dançando no meio do escritório. Foi igual na cadeira do cinema, na sessão de “Axé, Canto do Povo de um Lugar“. Foi quase igual nos anos 90. Quase, porque, assim como grande parte das pessoas que cresceram nos anos 80/ 90, não me segurei pra dançar Daniela Mercury, Netinho ou “É O Tchan” (nos idos tempos de “Gera Samba”) nas festinhas.

O documentário “Axé, Canto do Povo de um Lugar” foi exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com a presença da equipe técnica e da cantora Daniela Mercury, uma das personagens do longa e expoente do axé music. O pesquisador James Martins declarou que a estreia não poderia ter sido feita em lugar melhor, pois a cidade tem essa característica de acolher tudo com muita abertura, como aconteceu no surgimento da Bossa Nova e da Tropicália. Depoimento confirmado por Daniela Mercury, logo em seguida: “A Bossa Nova, Tropicália e o Axé nasceram em São Paulo para o Brasil“.

Eu não tinha noção do quanto o Axé fez e faz parte das nossas vidas, antes de ver o documentário (mesmo conhecendo só metade das músicas). O gênero completou, em 2015, 30 anos de história, com cifras que surpreendem até mesmo o mercado internacional: o DVD da Ivete Sangalo (amo Ivete!), ao vivo no Maracanã, vendeu mais cópias no Brasil do que o U2 vendeu no mundo! Outra informação curiosa é referente aos primeiros shows da Daniela Mercury em São Paulo: em 1992, ela se apresentou no vão livre do MASP, parte de um programa desenvolvido pela então Prefeitura de São Paulo. A lotação foi tão absurda que a cantora teve que parar o show porque a multidão poderia comprometer as obras de arte do museu, que já estavam balançando. No mesmo ano, Daniela Mercury foi convidada a participar do programa Bem Brasil, da TV Cultura, gravado na USP. O apresentador, no início do show, faz uma referência ao show do MASP: “Olha, aqui vocês podem pular à vontade. Podem subir em tudo!“; Na metade do show, ele volta: “Pessoal, eu queria pedir pra vocês não pularem tanto. Os engenheiros da USP estão dizendo que os monumentos podem cair!“. Esse poder de agitar que só os baianos têm s2

A história do Axé se funde com a história da cultura brasileira, sendo imprescindível a valorização dos elementos da cultura afro para a criação do gênero musical criado na Bahia. Axé é não somente diversão, mas também empoderamento da Bahia; foi uma das muitas manifestações brasileiras que passaram a ser valorizadas no exterior antes de conquistar o Brasil. Em “Axé, Canto do Povo de um Lugar“, descobrimos detalhes da aproximação de Paul Simon com o Olodum e é de admirar o talento e a merecida autoestima do povo baiano. Axé é energia, é encontro e reencontro (e graças ao filme, conheci pessoalmente a produtora Piti Canella, com quem eu só tinha tido contato virtual e sempre foi superatenciosa. O filme Axé só comprovou a sua boa energia!).

Apesar de São Paulo ter acolhido o axé, ainda temos muito o que aprender com a indústria cultural do carnaval da Bahia, especialmente quando se trata de trios elétricos. No longa, é citado que o trio foi especialmente desenvolvido para que todos os foliões ouvissem as músicas, no famoso Circuito Barra Ondina. O carnaval de Sampa ainda é um bebê perto do de Salvador (e esperamos que ele cresça, #FIKDIK pra Prefeitura) e o principal é investir em trios mais potentes, já que cada vez mais paulistas e turistas têm aproveitado os blocos!

“Axé, Canto do Povo de um Lugar” teve um excelente trabalho de pesquisa e montagem, que nos impede de desgrudar o olho da tela e nos desafia a tirar o pé do chão no meio do cinema!

Curta a FanPage de “Axé” e fique por dentro dos cinemas onde o filme está sendo exibido. É de se orgulhar de ser brasileiro!

Agradecimento especial ao coordenador de produção Igor Amorim, que nos cedeu os convites para a pré de Sampa!

Axé, Canto do Povo de um Lugar
Direção: Chico Kertész
Roteiro: Chico Kertész e James Martins
Fotografia: Rodrigo Maia
Pesquisa: James Martins
Montagem: Denis Ferreira
Coordenação de Produção: Igor Amorim
Produção Executiva: Piti Canella

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