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O Que Você Faria Para Se Tornar Uma Celebridade?

Audiovisual | Slider | Thais Polimeni 26/07/18 - 09h Thais Polimeni

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Um dos melhores brindes (ou “recebidos”, como dizem os influencerrrs) que ganhei foi de um evento do Canal E!. Sabe quando você já está de olho em alguma coisa, enrolando pra pesquisar onde vende e qual o melhor e de repente, aquilo cai em suas mãos? Isso ainda não me aconteceu com casa, carro e joias, mas há duas semanas, um ring light bapho tem feito parte das minhas selfies. O gadget é uma iluminação para ser acoplada ao celular e profissionalizar as fotos das redes sociais. Não apenas fotos: usei o ring light do E! no Prêmio Influenciadores Digitais para gravar um vídeo com o Richard Rasmussen (obviamente procurei no Google como se escreve o nome dele) e ele pi-rou na luzinha (veja aqui no meu Instagram).

Ring Light é a cara da riqueza, o “recebido” perfeito e o brinde ideal para aquele evento: o lançamento da série “Criador de Celeridades”, que acabou de estrear (26 de julho, 20h). São 13 episódios, como se fossem mini-reality shows, que mostram o dia a dia do Cacau Oliver, o tal Criador de Celebridades. Assistimos ao primeiro episódio, da Erika Canela (Miss Bumbum – não confundir com o Dr. Bumbum, que se assemelham no apelido e na busca inconsequente pela fama). Também vimos o trailer do segundo episódio, da Adriana Dantas, confeiteira fitness (não de doces fitness: ela que é fitness. Incoerente? Eu classificaria como curioso. Além disso, ela tem duas irmãs gêmeas, o que já causa um buzz por si só).

Pelo que eu percebi, a série não tem o objetivo de gerar reflexões ou de criar celebridades que possam defender alguma causa útil à humanidade. O episódio da Erika gerou muitas perguntas no evento, já que ela fez (e isso não é spoiler, porque já saiu na mídia) uma tatuagem no Trump. A tattoo foi sugerida Cacau Oliver, a fim de gerar matérias na imprensa mundial. Ao ser questionada sobre a decisão durante a coletiva de imprensa, Erika deu uma resposta que dava a entender que ela não tem dimensão do que é fazer uma tatuagem de um político intolerante, machista e acusado de assédio. Não me surpreendeu a reação dela. Apenas é bem questionável, sendo uma sugestão de um assessor, com o simplório objetivo de chamar atenção de tabloides. O segundo episódio parece menos polêmico, mas não esconde o padrão-anos-90 de objetificação do corpo da mulher.

Eu disse que a série não tem o objetivo de gerar reflexões, né? É, parece que o jogo virou, não é mesmo? Sim, eu saí de lá refletindo sobre a responsabilidade irresponsável de um criador de celebridades, sobre o retorno dos anos 90, sobre a ideia preconceituosa de que celebridades são fúteis e fazem qualquer coisa pela fama. O Canal E! poderia ter desconstruído todos esses conceitos sem deixar de ser entretenimento, mantendo a linguagem leve e despretensiosa do canal. Podem dizer que todos esses temas endossados pela série representam a sociedade atual, mas hoje em dia o conceito de celebridade se modificou tanto que o que certamente representaria a nossa sociedade seria uma série do tipo “Criador de Youtuber”, “Criador de Instagrammer”, “Criador de Facebooker”… E, pra cada episódio, uma rede social diferente.

Acho válido assistir, pra tirar as próprias conclusões. É bom que, depois de ler esse texto, você já vai assistir sem expectativa e esse é o melhor preparo pra qualquer coisa (mas não vou tirar sua expectativa sobre o ring light, porque isso é sucesso, mesmo!).

Canal E! – Criador de Celebridades
Estreia: 26/07/2018
Horário: 20h
Exibição: todas as quintas-feiras

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