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#CultIndica: Margin Call, o Filme sobre a Crise de 2008

Audiovisual | CultIndica | Leonardo Cássio 06/07/16 - 04h Leonardo Cassio

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A crise causada pelo mercado imobiliário e financeiro estadunidense que explodiu em 2008 ainda é um tema que causa assombro. Na verdade, causará sempre, pois é quase surreal a engrenagem que foi montada para, primeiro, se levantar bilhões de dólares e, em seguida, arrasar a vida de milhões de pessoas nos Estados Unidos e mundo afora.

O filme “Margin Call – O Dia Antes do Fim” (2011) é uma das produções que aborda o tema. Sua função não é de explicar o crash (caso queira se aprofundar sobre os motivos, recomendo muito este artigo), mas sim fazer um recorte das 24 horas que antecederam a descoberta, pela perspectiva de um banco, de que ele estava liquidado e que iria arrasar o mercado financeiro.

Se citar nominalmente, o banco em questão é o Lehman Brothers. Na vida real, este banco foi o epicentro da quebra, pois, ao vender papéis podres no mercado financeiro (em resumo, venderam carteiras hipotecárias de pessoas que não tinham condições de pagar), viu sua liquidez ruir, precisando vender tudo o que tinha da noite para o dia, falir e levar um monte de gente junto.

No filme, Peter Sullivan (Zachary Quinto) é um jovem cientista que entrou no mercado financeiro por conta dos belos bônus pagos em Wall Street. Em um corte de funcionários na instituição financeira, Eric Dale (Stanley Tucci), funcionário com anos de casa, acaba sendo demitido e entrega à Sullivan um material que estava analisando e o alerta que aquilo era perigoso.

Sullivan, ao lado de Seth Bregman (Penn Badgley) e o encarregado deles, Will Emerson (Paul Bettany), descobre o que Eric Dale não conseguiu finalizar: que além do banco estar quebrado – a dívida era muito maior do que o valor do mesmo -, o mercado financeiro e imobiliário sofreria um baque incalculável. A partir da descoberta, começa um corre e corre de figurões como Sam Rogers (Kevin Spacey), Sarah Robertson (Demi Moore), Jared Cohen (Simon Baker) e o pai das crias, John Tuld (Jeremy Irons).

Como o recorte temporal é curto, o filme se condensa nas relações e diálogos tensos dos funcionários do banco. O avançar das horas madrugada afora, a iminente abertura das bolsas de valores ao redor do mundo, a tomada de decisão complexa que afetará a vida de milhares de pessoas e o próprio futuro do banco – falido – vão tecendo a complexa trama de diálogos que abarcam tecnicidades que você não precisa se preocupar para desfrutar o filme. O que é mais marcante são as preocupações e percepções de cada elemento humano do filme: o novato que quer saber se será demitido; o figurão vivido pelo ótimo Kevin Spacey que claramente teve a vida particular arruinada pelo trabalho e que já havia alertado ao dono do banco que as coisas estavam erradas; e a busca pela “sobrevivência” do banco por parte do milionário Tuld.

O diretor J.C. Chandor acerta em mostrar como cada pessoa, à exceção do personagem de Kevin Spacey, está preocupada em resolver a questão do banco pensando em si, em seus bônus e cargos, sem abordar, em momento nenhuma, o colapso financeiro e social que as atitudes desta e outras instituições similares causaram. Dá pra imaginar sem muito esforço que o que foi retratado no filme deve de fato ter ocorrido, o que é assustador. O mais desanimador é que essas pessoas continuam trabalhando, ganhando bônus astronômicos, enquanto muitas pessoas simplesmente perderam tudo.

“Margin Call – O Dia Antes do Fim” concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro Original na edição de 2012 e entrou na listagem obrigatória de produções audiovisuais sobre a crise de 2008. Não busque resposta sobre o episódio. Observe, apenas, como funciona a máquina do capital especulativo e como Wall Street se preocupou com tudo que fizeram.

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