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Dê Uma Chance Ao “Bohemian Rhapsody”: Você Não Vai Se Arrepender

*Destaque-Home | Audiovisual | Música 30/10/18 - 10h Cult Cultura

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Quando o primeiro trailer de “Bohemian Rhapsody” pingou pela rede, logo os fãs da banda e de seu líder foram ao ataque. Acusações de que a vida privada de Freddie Mercury seria maquiada para o filme poder ser vendido para um público maior (leia-se: um filme mais “aguado” para não ser necessária a classificação indicativa de 18 anos, que limita o alcance das obras, já que o público que vai aos cinemas é cada vez mais jovem). Isso somado a todos os problemas de relacionamento que levaram à demissão do então diretor Bryan Singer, que passou o cargo para Dexter Fletcher (também no comando de outra cinebiografia do rock inglês, “Rocketman”, contando a vida de Elton John), além da polêmica com o ator Sacha Baron Cohen que, originalmente, interpretaria Mercury na obra, prometiam que a história da lenda do rock seria um fiasco. Mas não foi dessa vez.

Para começar a história, preciso falar um pouco da minha relação com a banda. Sou fã. Muito fã mesmo. Então eu entrei na sala de cinema um pouco com o pé atrás com o que estava prestes a assistir. E tudo fez sentido no final: saí muito satisfeito com a experiência. O filme usa de muito bom gosto em tudo que é contado e nada é apelativo, o que talvez não agrade uma parte dos fãs do cantor, pois quem conhece a história sabe que apelativo (no melhor sentido da palavra, se possível) poderia ser o seu nome do meio. Porém, por se tratar de uma figura mítica da história da música e não só do rock, eu entendo a cautela usada pelo(s) diretor(es) ao retratar a imagem do cantor e acho que o que não foi mostrado ficou muito bem subentendido, basta só um pouquinho mais de atenção do espectador, pois, acredite, tudo está lá.

BOHEMIAN 1Agora sobre o ponto mais alto do filme: o elenco. Rami Malek está incrível no papel de Freddie Mercury. Os trejeitos, o jeito de falar, a maquiagem, o comportamento no palco. Tudo está impecável na performance do ator americano que, em nenhum momento, parece ter nascido em Los Angeles. O resto da banda acompanha o talento de Malek, todos muito bem em seus papeis, especialmente o ator Gwilym Lee, que interpreta o guitarrista Brian May como se o próprio Brian May fosse. Incrível!

“Bohemian Rhapsody” é longo, tem mais de duas horas de duração, porém, a narrativa escolhida faz com que o tempo passe rápido. Ao final do filme, eu nem tinha sentido as horas de vida que foram embora e, por mim, ficaria mais um tempinho ali assistindo. As cenas da banda ao vivo são espetaculares e você acaba sentindo como se estivesse assistindo ao próprio Queen em todas elas, visto que a fidelidade dos atores e da produção é tamanha que em alguns momentos você pode até se perguntar se não é o show original que está sendo passado.

A história, como dita ali no começo, é sim um pouquinho filtrada, mas, no final, acredito que foi contada da forma que deveria ser: “Bohemian Rhapsody” é um filme, e não um documentário. Filme que mastiga tudo que quer passar, na minha opinião, chega a ser um pouco ofensivo porque subestima a capacidade do público de interpretar e limita também a experiência e o interesse pela revisita.

Em resumo e contra todas as “adversidades” que o filme encontrou durante sua produção, “Bohemian Rhapsody” se sai muito bem e consegue dar a volta por cima. Emociona e entretém nas proporções exatas, fazendo jus a essa incrível passagem do monstro que foi Freddie Mercury por esse plano e respeita todo o legado que o cantor deixou para nós.

O filme estreia oficialmente nessa quinta-feira, 1 de novembro de 2018.

Euclides

Por Clids Ursulino. 31 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro

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