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#ExpressoBrasil Conheça A Maior Violeira Do Brasil, Nascida No Mato Grosso Do Sul

Audiovisual | Expresso Brasil | Leonardo Cássio 23/05/17 - 10h Leonardo Cassio

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Conhecido internacionalmente pelo bioma do Pantanal, o estado possui uma cultura popular muito intensa. O agronegócio é o vetor econômico do estado, um dos líderes na produção de milho, soja e eucalipto no Brasil. Justamente pela atividade econômica, assim como seu vizinho Mato Grosso (leia aqui matéria sobre este estado), sofre problemas sérios relativos à grilagem de terras, demarcações, disputas de terrenos e questões sobre a preservação da natureza, especialmente do Pantanal.

A separação dos dois estados, iniciada em 1977 com uma lei complementar do presidente militar Geisel, efetivando-se em 1979, entre outras coisas buscava uma administração menos complicada de um território tão vasto. Mesmo depois de separados, os estados são enormes, imagina quando eram unificados! O Mato Grosso do Sul, para se ter uma ideia, faz fronteira com Goiás (leia aqui matéria sobre esse estado) e Mato Grosso – ambos do Centro-Oeste -, São Paulo e uma pontinha de Minas Gerais – Sudeste -, Paraná – do Sul -, e Paraguai e Bolívia. Pensa na dificuldade de se fiscalizar tráfico de drogas, crimes ambientais e chacinas absurdas como as que ocorreram no norte do Mato Grosso, perto da Bolívia, em um estado grande e com tantas fronteiras.

Quem nos apresenta seu estado natal é a compositora e violeira Helena Meirelles. Nascida em 1924 em uma fazenda na região do pantanal mato-grossense-do-sul, faleceu em 2005, aos 81 anos. O presente programa da série Expresso Brasil é o mais diferente até o momento. Ele foca exclusivamente na figura de Meirelles, uma pessoa encantadora, com uma história de vida digna de filme, mostrando mais aspectos regionais de onde nasceu, cresceu e viveu (diferentemente dos outros minidocumentários, em que os convidados passeiam por pontos famosos ou que tenham relevância em sua história pessoal).

Helena Meirelles interessou-se pela viola pequena, com aproximadamente 8 anos de idade. Teve resistência da família, especialmente do pai, que dizia que “mulher não tocava”. Observa escondida encontros que o avô fazia com violeiros e, sozinha, com instrumentos que ela mesmo improvisou, aprendeu a tocar. Com 9 anos, era um prodígio na viola! Casou-se aos 16 anos e pouco tempo depois abandonou o marido para conquistar o sonho de ser instrumentista. Instalou-se em Aquiduana, ao norte da capital Campo Grande, onde foi doméstica, parteira e tocava em bordéis da região. Nata contadora de causos, narra como teve um de seus 11 filhos bebendo pinga e cerveja e tira um enorme sarro de algumas mulheres em um bordel.

A artista apresenta também um grupo de boiadeiros de uma grande fazenda do Mato Grosso do Sul, mostrando os cargos de cada um: condutor, o ponteiro, fiador, meeiro, capataz e o cozinheiro, que faz um dos pratos típicos do Mato Grosso do Sul, o arroz carreteiro, feito com carne de sol (também conhecido como charque). O tereré, bebida à base de erva-mate, de origem Guarani, está presente na cultura do Mato Grosso do Sul, assim como em regiões do sul do Brasil.

Ao assistir ao documentário, fazemos um passeio pelo Pantanal, o maior patrimônio do estado e um dos principais biomas mundiais – maior planície alagada do planeta – chancelado como Patrimônio Mundial Natural no Brasil pela UNESCO, mostrando como conviveu com jacarés e como os pássaros dali inspiravam suas canções. Helena Meirelles comenta com humor que “no Pantanal só passa miséria quem tiver preguiça”.

Essa figura encantadora casou-se duas vezes após o primeiro divórcio. Viveu com o último marido afastada dos irmãos. No começo dos anos 1990, uma das irmãs a encontrou doente e a levou para São Paulo, onde pode se tratar com mais eficácia. O sobrinho, músico, gravou uma fita de Helena e mandou para os Estados Unidos, para a respeitada revista Guitar Player que, em 1993, a elegeu com a maior violeira do mundo e uma das 100 maiores instrumentistas deste planeta chamado Terra, ao lado de Eric Clapton e B.B. King. Em 1994, com 70 anos e sucesso tardio, apresentou-se no SESC, em São Paulo. Gravou 4 discos.

O Mato Grosso do Sul é um dos estados menos populosos do Brasil. Tem uma gastronomia farta, com pratos como caldo de piranha, costelinha de pacu, carnes exóticas como javali e jacaré – há lugares específicos que tem autorização para produzir -, além do citado arroz carreteiro; uma rica cultura indígena; rios importantes como Paraguai e Paraná; muitos parques de preservação, como o do Pantanal Mato-Grossense e o da Serra de Bodoquena, um dos locais mais bonitos do país para Ecoturismo, e é ponto de partida para uma das rotas mais procuradas por mochileiros, a do Trem da Morte, que sai de Puerto Quijarro, Bolívia, cidade fronteiriça com Corumbá/ MS, e vai até Santa Cruz de La Sierra.

Confira aqui o minidocumentário sobre Mato Grosso do Sul e Helena Meirelles:

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