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#ExpressoBrasil: Conheça o Amazonas e Sua População Visionária

Audiovisual | Expresso Brasil | Leonardo Cássio 22/05/15 - 12h Leonardo Cassio

Na terra onde as águas agem como uma ampulheta, nasceu o escritor Márcio de Souza, que apresenta o quarto vídeo da série #ExpressoBrasil. Seu Amazonas é um dos lugares mais peculiares do mundo, principalmente pela natureza exuberante da Floresta Amazônica. Porém, o estado tem muitos outros cartões postais e uma cultura pulsante e singular.

O passeio pela capital Manaus começa por uma digressão do escritor, retornando à cidade de sua infância, cidade esta que não existe mais, apenas no registro do filme “O Paiz das Amazonas”, de Silvino Santos, uma vez que Manaus foi literalmente demolida e reconstruída nos anos 70. O escritor nostalgicamente narra suas primeiras experiências culturais em uma cidade sem energia elétrica, que tinha uma companhia elétrica que fazia ligações pontuais em locais para realizar batismos, casamentos e outras cerimônias que, sendo encerradas, tinham a luz retirada imediatamente (sacanagem hein?).

Manaus surgiu como uma cidade aristocrática, uma espécie de Europa Tropical, carinhosamente apelidada por Souza de “sociedade artificial”. Na época da colonização, Portugal controlava a região através da colônia do Grão Pará, com uma administração independente da colônia instalada na capital da época, Rio de Janeiro. A metrópole tentou modernizar a região através da economia baseada na fabricação de objetos feitos a partir da borracha, como capas de chuva, galochas, instrumentos cirúrgicos, etc. A economia extrativista atravessou os séculos, alimentou a Revolução Industrial e, no começo do século XX, Manaus tinha um alto desenvolvimento urbano, com uma paisagem vinculada ao desenho industrial da art nouveau. A ditadura implantou, na calada da noite, a Zona Franca de Manaus, com um modelo baseado na exportação, baixos salários para os operários e uma reordenação urbana sem envolvimento da população.

O grande cartão postal de Manaus é o Teatro Amazonas, a ponto de ser equiparado turisticamente à Grande Floresta. Nasceu com a burguesia do século XIX para apresentar óperas e grandes espetáculos e tornou-se o principal local de socialização da capital. Sua arquitetura tem elementos barrocos e da art nouveau, e destaca-se em sua parede uma pintura de Crispim do Amaral, que celebra o romance “O Guarani”, de José de Alencar.

A cultura do Amazonas é de origem indígena, portuguesa e nordestina. Os índios, para variar, sofrem além do preconceito um processo de desculturalização. Tribos antigas, como os tupis, hoje estão esbranquiçadas e seu legado resiste na cultura popular oral, pequenas culturas subalternas que resistem à sociedade industrial e nos trabalhos de historiadores.

Os nordestinos que foram para Manaus para trabalharem como seringueiros implantaram suas raízes na cultura popular local. O maior fenômeno desta mescla é o Festival de Parintins, um teatro de arena que tem como ponto alto a dança dramática do boi. Ela passou por modificações ao longo dos anos para se tornar esse mega espetáculo, mas mantém seus elementos principais vivos. Este espetáculo é uma das coisas mais surpreendentes do planeta por sua beleza, pela civilidade dos grupos “rivais” Caprichoso e Garantido e por toda magia do evento em si. Ademais, o Amazonas tem uma forte cultura ribeirinha que Souza alcunha como caboclo cubista devido à estética do dia a dia.

A culinária, como não poderia deixar de ser, é baseada em peixes de água doce, cuja variedade só é encontrada nos rios da Amazônia. Os temperos são portugueses e indígenas e há iguarias proibidas pelo IBAMA como a tartaruga.

O tour pela Amazônia encerra-se com a valorização do principal ativo da região, a Floresta Amazônica, que tem no estado do Amazonas a maior extensão preservada se comparada a outros estados como Rondônia e Pará, e uma dica cinematográfica do escritor: o filme “Iracema, Uma Transamazônica”, de Jorge Bodanzky (sim, pai da Laís Bodanzky), que mostra o âmago da sociedade amazonense nos anos 70, tempos de grande reviravolta no estado.

Divirta-se conhecendo o Amazonas e depois confira aqui as outras matérias da série

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Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

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