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#ExpressoBrasil: Desvende o Maranhão pela Poesia de Ferreira Gullar

Audiovisual | Cultura Digital | Expresso Brasil | Leonardo Cássio | Multicultural 30/05/16 - 04h Leonardo Cassio

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A série especial Expresso Brasil aporta no belíssimo estado do Maranhão. Antes de falar desse belíssimo lugar, de tanta coisa boa construída pelo trabalhador humilde e honesto do estado, um parêntese para abordar o que há de ruim: o Maranhão é o estado mais pobre do Brasil, com mais de 60% da sua população considerada pobre. Possui 5 dos municípios mais miseráveis do país: Matões do Norte, Santo Amaro do Maranhão, que recebe altos subsídios federais, mas que é tão roubada que a população está na miséria; Belágua, cidade com maior índice de votos da presidenta afastada Dilma e em terceiro lugar no ranking do Bolsa Família e finalmente Centro de Guilherme e Marajá do Sena, a mais miserável de todas segundo o IBGE 2015, com mais de 50% da população na miséria, vivendo com menos de R$100,00 por mês.

Todo esse quadro de extrema pobreza, responsável por colocar o estado como um dos mais miseráveis do mundo pela ONU é responsabilidade de uma única família, a Sarney. José Sarney foi deputado federal, governador e senador pelo estado, cuja família ficou no poder por mais de 40 anos, e ainda está em alguns municípios. Sarney, filhos e outros parentes são listados no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e em instituições de combate à corrupção como um dos clãs mais corruptos da história, fato intrinsecamente ligado à miséria local. Apesar disso, o estado é um paraíso tropical.

Quem nos apresenta o Maranhão é o jornalista, roteirista, poeta e escritor Ferreira Gullar. Nascido José Ribamar Ferreira, apresentou-se ao mundo em 1930, diretamente da capital do Maranhão, São Luís. O artista nos conta que a sua cidade natal foi fundada por franceses, ocupada por holandeses, seguido dos portugueses e miscigenada com os negros africanos. Da construção da capital, talvez, venha o nome do estado, pois Maranhão significa emaranhado.

Gullar teve uma infância travessa na cidade, passeando pelo Coreto da Praça Benedito Leite, onde tocava a banda da Polícia Militar nas noites de domingo. Ia para a Fonte do Ribeirão, local de arquitetura singela, mas que é porta de entrada de galerias subterrâneas que se espalham por debaixo de São Luís e que foram abertas pelos padres para interligar as igrejas da cidade. O imaginário popular credita uma lenda folclórica às galerias, que diz haver uma serpente gigante dormindo, cuja cabeça pode ser vista no poço da Igreja da Sé, e que ao acordar irá produzir um terremoto e destruir a cidade.

Outra lenda folclórica diz respeito ao Dom Sebastião, Rei de Portugal, que foi morar na Baia de São Marcos, próximo a São Luis, que, segundo dizem, se transforma em um touro negro com uma estrela na testa e sai correndo pelas dunas da região. O touro sem vergonha invade as casas e deflora as donzelas, o que acabou virando desculpa de jovens para perda da virgindade: foi o touro.

Gullar afirma ter um amor sem limites por São Luís. Fez um poema de cem páginas e revela não ter falado tudo que gostaria sobre o lugar. Ressalta a luminosidade e o vento da região, comenta sobre a enorme quantidade de pessoas com nome de José Ribamar, graças a uma igreja que leva o nome, apresenta uma igreja única no mundo, com uma torre apenas, ao lado direito da fachada, e um elemento central similar às das mesquitas do oriente médio.

O Teatro Arthur Azevedo é um dos pontos turísticos da capital, junto com o belo Centro Histórico de São Luis, tombando pela Unesco como Patrimônio Mundial. A dança e o canto do Tambor-de-Crioula e do Bumba-Meu-Boi são umas das maravilhas da cultura maranhense.

A cidade de Alcântara é outro recanto do estado, tombado como patrimônio nacional. Possui ruínas da época da colonização, uma natureza exuberante e é base de lançamento de foguetes e serviu de inspiração para Gullar escrever seu famoso Poema Sujo.

O Maranhão já teve o apelido de Atenas Brasileira, pois teve a primeira gramática portuguesa escrita no Brasil, por Sotero dos Reis; Odorico Mendes traduziu Odisseia e Ilíada, de Homero; Gonçalves Dias sagrou-se como o primeiro grande poeta brasileiro e João Lisboa um grande ensaísta e historiador.

O destaque gastronômico do estado fica por conta do Arroz de Cuxa e na música o destaque é para o reggae, ritmo que tomou conta do estado, conhecido como a Jamaica Brasileira, e que tem uma banda famosa formada por cegos chamada Tribo de Jah. O Maranhão é belo por inteiro, desde suas praias às paisagens interioranas, mesmo que o estado sofra algumas vezes com a seca, mas não dá para não colocar os Lençóis Maranhenses como um dos grandes espetáculos naturais do mundo.

A Cult Cultura esteve no Maranhão há 3 anos e conheceu, além dos belíssimos Lençóis Maranhenses, a famosa festa junina nordestina. Veja o vídeo em destaque na página e viaje conosco!

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