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Bilú Bidú Aluaiê-iê-iê

Audiovisual | Leonardo Cássio 26/10/16 - 12h Leonardo Cassio

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Na sexta-feira, 14 de outubro de 2016, morreu Orival Pessini, artista responsável pelas personagens “Sócrates”, macaco que participou do programa Planeta dos Homens (Globo); o hippie tipo Raul Seixas, “Patropi”, que fez sucesso na “Praça É Nossa” (SBT); e seu principal trunfo, o palhaço alienígena “Fofão”, que iniciou carreira no Balão Mágico (Globo), seguindo para um programa solo na TV Bandeirantes.

Fofao-Orival-Pessini (1)Fofão é um mito dos anos 80. Quem cresceu nos anos 80 e 90 se divertiu com o palhaço, cuja uma das frases mais famosas é “Bilú Bidú Aluaiê iê iê“. Pessini moldava máscaras de personagens, sendo ele o responsável direto pela personificação de Fofão. Sobre ele, o artista afirmou: “o Fofão não é bonito. Ele é uma mistura de cachorro, urso, porco e palhaço. Não é à toa que me baseei no “E.T”, do Spielberg. Quando assisti ao filme na época fiquei com lágrimas nos olhos. Eu não pensei em fazer uma coisa bonita, mas sim uma coisa simpática, que demonstrasse “calor humano”, sentimento”.

Fofao-Orival-Pessini (3)Realmente, o Fofão é de uma feiura que amedronta. A aparência, no entanto, não impediu que a personagem tivesse uma série de produtos comercializados na casa do milhão de unidades. Discos, canecas, camisetas, fantasias, cadernos e uma infinidades de cacarecos. Sempre é bom lembrar que não havia internet na época e a força propulsora da televisão era (ainda é) arrebatadora para as vendas.

Fofao-Orival-PessiniApesar do leque extenso de produtos, nada nesse Brasil teve o impacto que o amaldiçoado boneco do Fofão (tirando o disco da Xuxa tocado ao contrário). Cópia fiel do palhaço, o boneco de feiura inigualável era obra de um trabalho de magia negra e quem abrisse sua barriga encontraria uma faca negra. A história tomava contornos de realidade quando, apalpando a barriga você realmente sentia algo pontudo. Tudo fazia sentido, pois o Fofão era parecido com o Chuck, o boneco assassino, seu primo.

Claro que isso foi um mal-entendido, na época, que não impediu que a história se popularizasse. Ao desacoplar a cabeça do boneco, havia uma peça que fazia a função da coluna vertebral. Acontece que ela era escura e grossa, assemelhando-se a um punhal, o que corroborou com a lenda urbana da maldição Fofão. Mesmo com os esclarecimentos, o boneco não conseguiu reabilitar as vendas.

Fofao-Orival-Pessini (2)Me lembro que, ao ingressar na faculdade (2004), uma das atividades do trote era conseguir itens dos anos 80, sendo que o boneco maldito do Fofão era uma das relíquias mais cobiçadas. Mesmo tantos anos depois, Fofão ainda está nos holofotes. O grupo nada bom da cabeça, “Carreta Furacão“, que mistura danças ridículas, músicas populares e parkour para levar muita gente tola, como eu, ao delírio, usava a personagem, que se transformou na mais popular do quinteto. Orival Pessini proibiu o uso da imagem do Fofão, alegando que muita gente tem uma memória afetiva com o palhaço e a banalização da imagem dele não era algo bom.

Entre o sucesso, mitos macabros e proibição de uso de imagem, o que conta é que o Fofão é atemporal para quem teve o privilégio de nascer e crescer entre os anos 80 e 90. Bilú Bidú Aluaiê iê iê para o eterno Fofão.

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