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Homens de Preto 3

Audiovisual 01/06/12 - 06h Cult Cultura

“O pré-requisito para uma piada é ela ter graça”, diz o Agente J (Will Smith) em “Homens de Preto 3”. Essa condição fundamental para uma boa comédia foi cumprida com louvor no primeiro exemplar da série, em 1997, conseguindo aliar bom humor e ficção científica através de uma história interessante, roteiro inteligente e ótimos efeitos especiais. Em compensação, o segundo filme da série conseguiu falhar em praticamente todos os itens acima, caindo no velho problema da maioria das continuações hollywoodianas: a preocupação em ser maior, com mais efeitos, mais explosões e mais personagens, em detrimento de uma trama convincente e com boas piadas.

Dez anos depois do lançamento de “MIB:2”, Smith, Tommy Lee Jones e o diretor Barry Sonnenfeld retornam ao universo da agência secreta do governo americano responsável por manter a ordem entre os alienígenas que vivem na Terra e os seres humanos. A intenção, além de encher os bolsos de todos os envolvidos, parece mesmo ser apagar a má impressão deixada pela primeira continuação. Para isso, colocaram a megalomania e o exagero do filme anterior de lado, apostando numa tentativa de incluir um novo elemento interessante e bem conhecido do mundo da ficção científica na narrativa desse novo episódio: a viagem no tempo.

“Homens de Preto 3” começa mostrando a fuga do terrível alienígena boglodita, Boris – O Animal (Jemaine Clement) de uma prisão espacial de segurança máxima localizada na Lua. O desejo de Boris é vingar-se do Agente K, que o prendeu e ainda arrancou um de seus braços durante a ação. Logo em seguida, após participarem do funeral de Zed, o antigo chefe da MIB, temos J e K partindo para mais uma de suas missões, em um restaurante Chinês, onde acabam encontrando-se com Boris. O alienígena confronta K, mas deixa-o sair com vida, pois seu plano é mais complexo. Boris planeja voltar no tempo, antes de ser preso por K, para evitar perder seu braço, conseguir sua vingança e ainda impedir que o agente lance a Arc Net – o escudo protetor da Terra que garante a segurança de nosso planeta contra possíveis invasões intergalácticas e permite rastrear todos os alienígenas.

Ao acordar na manhã seguinte, J encontra uma nova realidade, um mundo onde K já está morto há mais de 40 anos e a Arc Net não existe. Quando o agente fica sabendo através de O (Emma Thompson), que assumiu o posto de Zed, sobre todo o passado envolvendo o seu parceiro e Boris, o personagem de Smith se vê obrigado a voltar no tempo, mais precisamente para o ano de 1969, para evitar que Boris altere o futuro. É a partir desse momento, que marca o início do segundo ato, que o filme realmente mostra o que tem de melhor. As piadas com a cultura daquele período, com os hippies, Panteras Negras, com Mick Jagger e toda a sequência passada no The Factory, estúdio de Andy Warhol, são excelentes. Toda a ambientação de época também é ótima, em especial o magnífico trabalho de maquiagem do mestre Rick Baker, que aposta nos efeitos práticos (e não de computador) para criar os alienígenas da década de 60, utilizando todos os estereótipos que ficção científica usava para imaginar como seriam esses seres naquele tempo. Mas o grande destaque dessa volta ao passado, e de todo o filme, é o ator Josh Brolin. No papel do jovem agente K, Brolin mostra não só uma grande semelhança física com Jones, mas também consegue imitar suas expressões, olhares e tom de voz com perfeição. É uma “imitação” realmente impressionante, mantendo os traços sérios e carrancudos da persona de Jones, mas adicionando um pouco mais de humor ao personagem. Will Smith, por sua vez, confirma seu carisma e timing para a comédia, repetindo a boa atuação dos filmes anteriores. Para Tommy Lee Jones sobra pouco espaço nessa nova aventura, mas o ator demonstra a competência de sempre nos momentos em que está em cena.

Contando com um generoso orçamento de mais de 200 milhões de dólares, Sonnenfeld não inventa na sua direção. Mesmo que não sejam extremamente marcantes ou inovadoras, as sequências de ação são divertidas, bem filmadas e editadas. O emprego dos efeitos especiais também é correto, e como dito anteriormente, o trabalho de Rick Baker se destaca. O roteiro traz boas piadas e trabalha bem com a questão da viagem no tempo, mas nem por isso é perfeito. O personagem Griffin (Michael Stuhlbarg), um alien com capacidade de ter visões de diversas possibilidades do futuro, apesar de divertido e interessante, parece ter sido criado apenas para facilitar a vida dos agentes, uma saída um pouco preguiçosa para ajudar a trama fluir e resolver alguns conflitos. A resolução do filme traz uma surpresa que se encaixa sem deixar buracos, mas peca por apelar para um sentimentalismo um pouco exagerado.

Ainda assim, entre erros e acertos, o saldo é positivo. Mesmo sem o frescor do original, “Homens de Preto 3” é divertido, engraçado e consegue deletar da memória, como se utilizasse um de seus neuralizadores, o fracasso que foi o segundo filme. Um final digno para a trilogia. Final, é claro, entre aspas, pois sabemos que os estúdios pensam no cinema financeiramente. Uma quarta parte nunca pode ser descartada, ainda mais agora, sabendo que mesmo que Tommy Lee Jones não tope participar, o talento de Baker e de Brolin pode suprir a sua ausência.

Por Leonardo Ribeiro

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