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II Festival Paulínia de Cinema

Audiovisual | Multicultural 20/07/09 - 08h Cult Cultura

Para quem produz cinema no Brasil, ver seu filme chegando a um festival é quase como ver um filho passando no vestibular. Sim, porque são tantas as dificuldades que enfrentamos em termos de burocracias, falta de investimento público-privado e mão de obra ainda em especialização, que só pelo fato de termos essa oportunidade, um novo ânimo se estabelece.Fui convidada pelo amigo e diretor Pedro Struchi para a festa de abertura, com direito a tapete vermelho e tudo mais. Para mim, que tinha morado 4 meses em Paulínia produzindo o último filme do diretor Sérgio Rezende – “Salve Geral” , a sensação era de nostalgia

Voltar àquela cidade que pretende se tornar o grande centro cinematográfico brasileiro, desbancando o eixo Rio-São Paulo, só poderia me trazer uma certa expectativa, levando em consideração que no ano anterior eu não tinha comparecido à primeira edição do Festival

Na noite de abertura, tivemos o imenso prazer de assistir à primeira projeção do filme “À Deriva”, de Heitor Dhalia (mesmo diretor de “O Cheiro do Ralo”), com grande elenco: Vicent Cassel, Debora Bloch, Camilla Belle, Laura Neiva e Cauã Reymond. Destaque para a menina Laura, que estreia nas telas como atriz e logo de cara já mostra todo o seu potencial artístico com atuação singelamente madura e serena.

Coletiva de Imprensa – Laura Neiva (À Deriva)
Produções Regionais e Internacionais
Ao me deparar com uma coprodução internacional, sempre acabo criando a imagem de um filme como “Blindness” (Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles), cujo elenco seja impecável, as locações belíssimas, o roteiro instigante, aliado a uma boa montagem. O filme produzido por Lucélia Santos (Destino), no entanto, é exatamente tudo o que eu não esperava de um longa metragem em coprodução Brasil-China.
A sinopse do filme diz: “Uma jornalista descobre no interior de São Paulo uma vila abandonada. No passado, o local abrigara imigrantes chineses que trabalhavam na plantação de café. Conhece uma jovem chinesa e se envolve numa trama repleta de mistérios, que fará sua percepção de acaso e destino mudar por completo”. Essa história é transmitida de maneira confusa e aparentemente com graves problemas de roteiro e/ou montagem: momentos de tensão se misturam com passagens de tempo repentinas, causando estranhamento e uma sensação de tédio ao perdermos o fio condutor da história.
Ponto positivo para a produtora Lucélia Santos, que embora tenha sido bombardeada na coletiva de imprensa com críticas negativas sobre o longa metragem, respondeu prontamente todas as perguntas, sem deixar de lado as questões colocadas e, de forma honesta, “se defendeu”, dizendo que o filme fará mais sucesso na China, pois lá o público se identifica mais com esse tipo de condução da narrativa, estilo “novelão”.

Marina Person, ao lado de Lucélia Santos e elenco do filme “Destino”

Do outro lado da balança, na Categoria Curta Metragem Regional, “Prós e Contras”, de Pedro Struchi, conta despretensiosamente a situação de uma aposta feita entre dois amigos, elencando as vantagens e desvantagens de um relacionamento. O prêmio? Uma pizza! O curta foi eleito vencedor em dois prêmios: melhor roteiro e melhor ator (Alexandre Caetano) da categoria, encerrando oficialmente sua trajetória.

O desejo que sempre temos é o de vida longa ao cinema nacional. E que no próximo ano, tenhamos mais e mais orgulho de contribuir com o crescimento e aprimoramento da sétima arte no Brasil.

Para saber mais sobre os premiados, acesse http://www.festivalpaulinia.com.br/.

Por Carol Kaizuka
Fotos: Carol Kaizuka

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