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Ilha dos Cachorros: O Stop-Motion de Wes Anderson

Audiovisual | Slider 19/07/18 - 10h Cult Cultura

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Desde o anúncio do filme, “Ilha dos Cachorros” já criou grande expectativa e não é pra menos. O primeiro filme de Wes Anderson desde “O Grande Hotel Budapeste” de 2014 tinha todo o jeitão de ser um tributo do diretor ao stop-motion, técnica já elogiada por ele em outras ocasiões. Conforme o elenco foi sendo definido, essa expectativa só aumentou. Rostos (no caso desse filme, vozes) conhecidos por já terem trabalhado com Anderson iam aparecendo como Edward Norton, Jeff Goldblum, Bill Murray, Frances McDormand e outros grandes nomes que trabalhariam com o diretor americano pela primeira vez, como Bryan Cranston, Scarlett Johansson e Greta Gerwig. O hype já estava construído antes mesmo do primeiro trailer.

ILHA POSTERIsso pode ser perigoso. Pode matar um filme logo no dia do seu lançamento, caso ele não corresponda às expectativas do público, fã ou não, de certo diretor ou gênero. Mas, ainda bem, esse não foi o caso de “Ilha dos Cachorros”.

Ambientado no Japão, o filme conta a história de Atari, o pequeno piloto, que parte em busca de seu cão desaparecido em uma ilha onde, agora, todos os cães são exilados devido a uma febre canina na cidade de Megasaki. O prefeito Kobayashi declarou que todos os cães, infectados ou não, deveriam ser enviados para a Ilha do Lixo, que é onde está o cão do garoto, Spots (com voz de Liev Schreiber). Com a ajuda de 5 cachorros residentes, o garoto parte em sua aventura atrás do seu grande amigo.

Se você é um fã do trabalho de Wes Anderson, você com certeza vai se divertir durante as quase 2 horas de filme. Todos os ingredientes que fazem cada filme do diretor ser uma obra de arte e um deleite para os olhos estão lá. A simetria que beira a perfeição, o posicionamento de objetos e personagens na tela, o diálogo rápido entre 2 ou mais personagens ao mesmo tempo, a edição que te faz ficar vidrado o tempo todo para não perder nenhum detalhe. Tudo. Vira e mexe aquela velha discussão sobre fórmulas e até quando elas funcionam aparece e Wes Anderson é sempre um dos diretores lembrados por ter um certo “sotaque” em seu modo de fazer filmes que, de tão característico, chega a parecer formulado. Se vai funcionar para sempre, eu não sei. Sei que, nesse caso, novamente, o diretor acertou em cheio.

Claro, não é um filme perfeito. E nem precisaria ser. Em vezes, ele peca por optar mais pelo estilo do que pela substância em si. E quando o “defeito” de uma obra é focar demais no visual e não tanto no desenvolvimento dos personagens, é porque não foi um erro de escolha e sim uma visão de interpretação de quem escreve a análise. O que pode não ser do meu agrado, pode encher os olhos de outras pessoas que irão assistir ao filme nos cinemas.

O filme é, acima de tudo, uma carta de amor do diretor ao Japão e aos cachorros. Uma chamada, uma puxada de orelha subliminar. Uma lembrança de quem são nossos amigos e o que eles merecem que nós façamos por eles. É um filme de união e de força, de superação em uma jornada com propósito, cheia de momentos de autoconhecimento e autorreflexão. Com certeza será lembrado como uma das melhores obras de 2018:

Euclides

Por Clids Ursulino. 30 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro.

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