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Jogos Vorazes

Audiovisual 17/04/12 - 12h Cult Cultura

E hoje o blog Cult Cultura apresenta o seu mais novo colaborador: Leonardo Ribeiro (sim, xará do Leonardo Cassio, sócio da Cult Cultura). Já falei para o Leonardo Cassio começar a se divulgar com um nome artístico, como “Leo Cassio”. Pode ser uma ótima oportunidade. Aí fica mais difícil de confundir, né?

O Leonardo Ribeiro estudou conosco na faculdade, trabalha com redação publicitária e adora cinema. Na semana passada, a Dani Luck, uma amiga em comum, nos indicou um texto dele para lermos. Era sobre o filme “Um Método Perigoso”, (clique aqui para ler) e nós adoramos! Na hora, já o convidamos para escrever aqui na Cult Cultura e ele topou.

Sejam bem-vindo, Leonardo. Temos certeza de que seus textos serão só sucesso!

Vejam abaixo o primeiro post de Leonardo Ribeiro sobre o filme “Jogos Vorazes”, em cartaz nos cinemas:

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“Jogos Vorazes” é a nova aposta de Hollywood para assumir o posto de “franquia-milionária-baseada-em-livros-de-sucesso-para-crianças-e-adolescentes” da vez. O resultado já está enchendo os cofres de seus produtores, mas também se mostra um produto até certo ponto atípico dentro da indústria dos blockbusters americanos. E isso é um elogio. A história, baseada no primeiro livro da série escrita por Suzanne Collins, mostra um futuro distópico, onde o governo autoritário da Capital comanda anualmente os “Jogos Vorazes”, uma competição em que dois jovens (uma garota e um garoto) de cada um dos doze Distritos, que formam esse mundo pós-apocalíptico, devem lutar até a morte para que reste apenas um vencedor, que como prêmio garante benefícios para o seu Distrito.

A escolha dos dois jovens é feita através de um sorteio, e é aí que acompanhamos a trajetória de Katniss Everdeen, uma jovem do Distrito 12 (um dos mais pobres) que se oferece como voluntária no lugar de sua irmã mais nova. O que torna o filme diferente da maioria dos “filmes pipoca” de Hollywood é a preocupação com o desenvolvimento da trama e de seus personagens principais, já que geralmente esses elementos são deixados de lado em favor de cenas espetaculares de ação descerebrada.

A primeira hora (e a mais interessante) do filme é inteiramente dedicada a construir a personalidade e revelar as motivações de Katniss, além de mostrar como os “Jogos” são o grande evento nesse mundo criado por Collins.

Com referências a várias obras clássicas de ficção, principalmente “1984”, o filme faz suas críticas ao autoritarismo, ao poder e à manipulação da mídia, já que os “Jogos” são transmitidos para todos os Distritos como um verdadeiro game/ reality show, e os participantes tiram proveito da popularidade junto ao público, sendo beneficiados pelos patrocinadores da competição. Nesse ponto, o filme também traz elementos que remetem a “O Show De Truman” e “O Sobrevivente” (estrelado por Arnold Schwarzenegger nos anos 80). Não são críticas aprofundadas ou tão contundentes, mas não deixam de ser algo interessante dentro desse tipo de filme.

Após toda a fase de treinamento, o roteiro entra na parte da ação e aventura propriamente ditas, mas justamente nessa hora, “Jogos Vorazes” mostra seus principais defeitos. O diretor Gary Ross, do simpático Pleasantville – A Vida em Preto e Branco e de Seabiscuit – Alma de Herói, mostra que não tem o domínio necessário para criar grandes cenas de impacto. As sequências de ação são até competentes, mas nenhuma chega a ser marcante ou inovadora, e quase sempre são prejudicadas por uma mania do cinema atual, a famigerada “câmera na mão”, que tem a intenção de dar um tom mais realista para essas cenas. Esse recurso pode até ser interessante, mas quando utilizado o tempo todo, acaba por cansar. Além disso, não adianta ter belos cenários se você está sempre com a câmera colada nos personagens em planos fechados. São erros até compreensíveis, já que poucos diretores têm o talento e a habilidade para filmar ação e fugir dessas armadilhas, como Spielberg, Peter Jackson ou até J.J. Abrams (que dirigiu o grande blockbuster do ano passado, “Super 8”).

Apesar disso, Gary Ross ainda consegue criar bons momentos de tensão e compensa suas falhas com uma boa direção de atores. Jennifer Lawrence prova que é uma das atrizes mais promissoras da sua geração e consegue carregar o filme com facilidade, talento e carisma, ajudada por um grande elenco coadjuvante (Stanley Tucci, Donald Sutherland e principalmente Woody Harrelson) que garantem o nível de qualidade das atuações.

Colocando o “Estado” como o grande antagonista da história, e não os outros competidores, o filme ganha mais força e consegue se diferenciar da média do cinema comercial americano, algo que nos dias de hoje já pode ser considerado um feito, principalmente para um filme que é apenas a primeira parte de uma trilogia. Mesmo não sendo perfeito, ele consegue cativar o público e fazê-lo se interessar pelas novas aventuras de Katniss em seus “Jogos Vorazes”. Que venha o próximo capítulo!

Por Leonardo Ribeiro
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Todos os trailers de “Jogos Vorazes” postados no Youtube estão com os códigos de incorporação desativados. Para assistir ao trailer, clique aqui

Por Thais Polimeni

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