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O Passado Presente em “Julieta”, Novo Filme de Almodóvar

Audiovisual | Thais Polimeni 01/08/16 - 05h Thais Polimeni

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Filmes espanhóis, franceses, argentinos e brasileiros têm um lugar especial na minha agenda cultural. Eles têm uma delicadeza peculiar ao retratar a vida e acabam despertando sentimentos diferentes entre os espectadores.

Um desses filmes recém-lançados é “Julieta“, de Pedro Almodóvar. O cineasta espanhol é conhecido por retratar os mais variados tipos de personalidade da mulher (muitos diriam “a loucura da mulher”, mas tenho plena convicção de que Almodóvar está bem longe de exercer o Gaslighting em sua obra), tudo apresentado em uma estética de cores fortes que cativam a atenção até mesmo dos mais dispersos. Essas características são mantidas em seu novo filme e, com tantas mulheres de personalidades marcantes, demorei um pouco pra identificar quem era quem na relação entre as personagens. Então pra facilitar a sua vida, vou fazer uma breve descrição das principais:

Julieta: são apresentadas duas fases da vida de Julieta no filme. No início, a Julieta nos dias de hoje. Depois, a personagem jovem, contando sua história de amor e a relação com sua filha;
Antía: filha de Julieta que “sumiu” da vida da mãe durante 12 anos, sem deixar notícias;
Bea: amiga de Antía que encontra Julieta na rua, por acaso, e comenta que encontrou a (ex-) amiga há pouco tempo. O encontro entre Bea e a mãe de Antía aparece na primeira cena do trailer.

A relação entre mãe e filha e a já conhecida culpa materna é um tema claramente abordado em “Julieta”, que rendeu até um bloco do meu programa queridinho “Saia Justa”. Mas o filme pode despertar muitas outras reflexões. O primeiro pensamento que tive ao sair do cinema foi em como algumas pessoas têm facilidade de apagar o passado. Lembrei de uma amiga de infância que, na nossa adolescência, se mudou para outra cidade e fez questão de manter contato com apenas 2 ou 3 pessoas. Além de não ter perfil em mídias sociais, ela pediu para quem ela manteve contato não falar nada sobre a vida dela pra ninguém. Todo mundo acha isso bem esquisito e é claro que essa é uma situação muito pontual e isolada – que poderia dar um filme de Almodóvar -, mas é bem comum, por exemplo, as pessoas terminarem relacionamentos (tanto amorosos quanto de amizade) e nunca mais ouvirem falar do outro, como se os momentos vividos fossem sumariamente apagados (sem nem precisar daquele aparelhinho do MIB). “Julieta” mostra, porém, que, uma hora, um passado mal resolvido pode voltar de uma forma muito mais intensa. Ele pode voltar a ser mais presente do que quando era só um “hoje”.

Veja abaixo algumas cenas do filme e programe-se para assistir e sair do cinema com altas reflexões!

Julieta, jovem, vai visitar o boy que conheceu no trem (e que será seu futuro marido)

Julieta descobre que está grávida

Antía, com 18 anos, se prepara para um retiro

Bea se encontra com Julieta pela segunda vez

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Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni