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Mandela: Uma história em frames

Audiovisual | Leonardo Ribeiro 16/12/13 - 07h Leonardo Ribeiro

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No último dia 05 de dezembro, o mundo inteiro lamentou a morte do ex-presidente sul-africano, Nelson Mandela, aos 95 anos de idade. O líder político foi o nome mais importante e atuante no processo para o fim do regime de apartheid na África do Sul, tornando-se assim um símbolo da luta pelos direitos humanos e contra a segregação racial. Sua incrível trajetória é marcada por diversos momentos icônicos, como sua participação, ainda jovem, nos movimentos estudantis, o ativismo político nos anos 40 e 50, suas três décadas como prisioneiro político, sua libertação no início da década de 90, o Prêmio Nobel da Paz recebido em 1993 e seu período como presidente de seu país entre 1994 e 1999.

Com uma história tão rica e exercendo um papel tão fundamental para a mudança dos rumos da história no século XX, Mandela e sua luta foram tema principal de diversas produções televisivas e cinematográficas. Além de uma série variada de documentários sobre a figura de Mandela, um bom número de obras ficcionais também teve o “Mandiba” como figura central ou coadjuvante.

Em 1987 foi lançado um filme para a TV britânica, co-produzido pelo canal HBO, intitulado “Mandela”. Dirigido pelo inglês Philip Saville, o filme trazia o ator Danny Glover (“A Cor Púrpura”, “Máquina Mortífera”) no papel-título e focava principalmente nos anos de ativismo de Mandela até sua prisão, em 1962. Pela atuação, Glover (que também sempre foi um ativista dos direitos humanos) recebeu uma indicação ao prêmio Emmy.

Antes de continuar com as produções sobre Mandiba, vale citar uma curiosidade: sua única participação como ator no cinema. Em 1992, logo após sua libertação da prisão, Mandela fez uma pequena participação em “Malcolm X”, biografia de outro grande líder negro da história, e dirigida por Spike Lee. Em sua cena, o ex-presidente sul-africano aparece como um professor, recitando um trecho de um dos discursos de Malcolm.

Mandela_DeKlerkAinda na década de 90, mais precisamente em 1997, outro filme para a TV foi produzido, “Mandela e De Klerk”, abordando um episódio específico da história de Mandela, quando foi libertado da prisão pelo então presidente sul-africano F.W. De Klerk. A partir desse ato, De Klerk e Mandela tornaram-se aliados e foram os principais responsáveis pelo fim do apartheid em seu país. Dessa vez, outro grande ator foi responsável por interpretar Mandela: Sidney Poitier, o primeiro ator afro-americano a receber o Oscar de Melhor Ator, em 1963, por “Uma Voz Nas Sombras”, além de estrelar outros clássicos como “Acorrentados”, “No Calor da Noite”, “Adivinhe Quem Vem Para Jantar” e “Ao Mestre, Com Carinho”. Ao seu lado, no papel de De Klerk, estava o britânico Michael Caine (“Carter, o Vingador”, “Um Golpe à Italiana”, “Jogo Mortal”, “Vestida Para Matar”). Ambos foram indicados ao Emmy por suas atuações e Caine ainda conseguiu outra indicação, ao Globo de Ouro. O filme, com tom documental, filmado em locações da África do Sul e utilizando muitas imagens de arquivo, foi dirigido pelo experiente Joseph Sargent (“O Sequestro do Metrô”, “MacArthur: o General Rebelde”).

Em 2004 surge a primeira produção africana dessa lista, “Drum”. Dirigido pelo africano Zola Maseko, nascido no exílio na Suazilândia e membro das facções de luta armada contra o apartheid na década de 80, o filme narra a história de Henry Nxumalo, jornalista investigativo famoso nos anos 50 em Sophiatown, bairro símbolo da resistência cultural em Joanesburgo, e que arriscou a vida denunciando as condições de tratamento dos negros durante os anos de segregação. Com exceção dos atores americanos Taye Diggs, como Nxumalo, e Gabriel Mann, todo o elenco do filme é composto de atores sul-africanos, incluindo Lindani Nkosi, como Mandela.

Outro filme a ter Mandela como personagem coadjuvante e a retratar outras figuras menos conhecidas, mas importantes na história sul-africana, é “Endgame”, de 2009. Dirigido por Pete Travis (“Ponto de Vista”, “Dredd”), este thriller político, baseado no livro “The Fall of Apartheid” de Robert Harvey, retrata os últimos dias do regime e as negociações secretas entre o Congresso Nacional Sul-Africano e o Partido Nacional Afrikaner, centrado nas relações entre Willie Esterhuyse e Thabo Mbeki. O ótimo elenco inclui William Hurt, Chiwetel Ejiofor (indicado ao Globo de Ouro pelo papel de Mbeki) e Clarke Peters, como Nelson Mandela.

GoodBye_BafanaO período de prisão de Mandela também foi levado às telas, em 2007, com “Goodbye Bafana” (“Mandela”, no Brasil), dirigido pelo dinamarquês Bille August (“Pelle, O Conquistador”, “A Casa dos Espíritos”, “Os Miseráveis”). A história do longa é baseada nas memórias do guarda da prisão James Gregory (Joseph Fiennes), um sul-africano racista que manteve contato com Nelson Mandela em sua cela durante 20 anos. Além de censurar a comunicação escrita e verbal no presídio de segurança máxima, Gregory também espionava o líder político, repassando as informações ao serviço de inteligência do governo. Com o passar dos anos e da convivência com Mandela, o guarda começa a mudar seu pensamento, criando uma grande amizade com o prisioneiro. O filme levou o Prêmio Especial da Paz no Festival de Berlim e trazia uma ótima atuação de Dennis Haysbert (o presidente David Palmer da série “24 Horas”), no papel de Mandela.

Mas foi em 2009 que Mandela ganhou a sua maior representação cinematográfica até o momento, pelas mãos de um dos maiores cineastas em atividade: Clint Eastwood. Em “Invictus”, Eastwood mostra o primeiro ano de mandato de Mandela como presidente, em 1995, quando aceitou o desafio de sediar a Copa Mundial de Rúgbi, incumbindo o capitão da seleção sul-africana com a missão de vencer o torneio. Refazendo a parceria com Morgan Freeman, que já havia rendido a ambos a premiação no Oscar por “Menina de Ouro”, Eastwood utiliza seu estilo clássico e bem calculado para mostrar como Mandela utilizou este episódio como artifício político, transformando a paixão pelo esporte em um elemento unificador para o povo de seu país. A atuação impecável e a impressionante semelhança física de Freeman, lhe renderam mais uma indicação ao prêmio máximo da Academia, assim como Matt Damon também foi indicado como coadjuvante no papel de François Pienaar, o capitão do time da África do Sul.

WinnieOutras duas produções recentes também merecem destaque. A primeira é “Winnie”, uma cinebiografia de Winnie Mandela, a esposa do líder sul-africano. A história conta desde sua infância até o casamento com Mandela e seu papel na luta contra a segregação durante o período de prisão do marido. Dirigido pelo sul-africano Darrell Roodt (indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro por “Yesterday”), o longa traz a cantora e atriz Jennifer Hudson (”Dreamgirls”) e o ator Terrence Howard (“Ritmo de Um Sonho”, “Homem de Ferro”) como o casal protagonista. Já a segunda produção é “Mandela: A Long Walk to Freedom”, de Justin Chadwick (“A Outra”). Baseado na autobiografia de mesmo nome, escrita pelo próprio Mandela, o filme traz Idris Elba (premiado ator de séries como “The Wire” e “Luther”) no papel principal. Seu trabalho vem sendo muito elogiado, tendo sido indicado para o Globo de Ouro do ano que vem e sendo apontado como um nome forte nas apostas para uma possível indicação ao Oscar. O filme tem previsão de lançamento para 2014 no Brasil.

Todas essas produções só ajudam manter viva a memória e a imagem de Mandela no imaginário universal. E mesmo que sua história real já fosse suficiente para isso, todas as homenagens e reverências a sua figura nunca serão demais.

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Leonardo Ribeiro

Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Um devoto de São Hitchcock, que tenta unir o prazer de escrever ao prazer de discutir e analisar a sétima arte. Facebook: https://www.facebook.com/leo.sp.ribeiro Twitter: @leospribeiro

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