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#MyNameIsMiriam E A Doença Do Nacionalismo

Audiovisual | Cultura Digital | Leonardo Cássio 30/07/18 - 05h Leonardo Cassio

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Uma das coisas mais interessantes de se trabalhar com cultura é o fato de se ter contato com a diversidade e a pluralidade das sociedades. Conhecer a história, a arte e as curiosidades existentes em tantas sociedades é tão gratificante quanto conhecer a própria cultura, a própria origem.

Um país ou grupo social buscar elementos que definam sua identidade cultural é algo espetacular, pois somente assim é possível criar bases reflexivas para melhoria da construção do bem-estar coletivo. A busca pelo DNA histórico, pela ancestralidade, deve ser encarada como uma jornada para a construção de um mosaico composto por todos os grupos sociais existentes, que devem coadunar e não se excluir.

Existe uma doença no mundo chamada nacionalismo. A ideia de fechar pessoas em linhas imaginárias e dizer que ali é que estão os seres iluminados do mundo, e que os estrangeiros estão um ou mais degraus abaixo é ridiculamente irritante. Nacionalismo e patriotismo geram sentimento de ódio ao próximo e são forças motrizes responsáveis por guerras. A ideia de amar um país é extremamente complexa: países gigantes como o Brasil são formados por tantos tipos de indivíduos diferentes que não se pode falar em uma identidade cultural, mas em múltiplas identidades (a ideia de Brasis); muitos países possuem conflitos internos por diferenças em sua formação cultural, criando conflitos separatistas, mostrando que não são as linhas que criam unificação; existem grupos sociais que não possuem um país e que são historicamente massacrados por outros com mais poder político, financeiro e bélico, como é o caso da minoria muçulmana rohingya, em Myanmar.

Ah, mas então eu não devo amar o meu país? Deve amar as pessoas, as diferenças, a pluralidade. A xenofobia que o criminoso do Donald Trump tem espalhado em nome do EUA mostra como a ideia de nacionalismo é diametralmente oposta à paz. O cretino tem criado políticas de perseguição aos imigrantes que estão no país ou que tentam ir para lá a ponto de ter separado crianças (crianças, crianças, crianças) de suas famílias. Quem aplaude tal tipo de atitude é justamente o coro de nacionalistas que são a favor do verdadeiro EUA, o do Destino Manifesto, do acrônimo W.A.S.P. (White, Anglo-Saxon and Protestant – Branco, Anglo-Saxão e Protestante) e das guerras.

O nacionalista não tem empatia com o próximo. Ele se esquece, por exemplo, de que os EUA, assim como Brasil, surgiu exterminando o povo nativo indígena. Ele nega as raízes que não são europeias, voltando aos dois exemplos. Ele debocha dos países vizinhos e não se coloca como pertencente ao continente, sendo sempre superior. A coisa está tão séria nos EUA que a American Civil Liberties Union (União pelas Liberdades Civis Americanas) pediu a um grupo de atores famosos que lessem a carta de Miriam, uma mulher hondurenha, que teve seu filho de 18 meses tomado sem explicações. Ninguém precisa ter um filho para imaginar como é a dor de uma separação dessa. Pense no seu irmão, pai, mãe, um amigo ou um animal de estimação sendo tirado à força de você. É o retrato do nacionalismo desumano. Veja o vídeo (em inglês, mas você pode ler matérias sobre para aprofundar):

Ah, mas então eles têm que aceitar esse monte de imigrante entrando lá? Para ser o país que é, os EUA jogaram muita bomba por aí. Eles deveriam mudar o curso da própria história e parar com a política do Big Stick. Deveriam aceitar que são um país miscigenado com latinos, negros e brancos, como o Brasil, que tem mais da metade da população negra, é extremamente racista, mas quer viver no mito do ser cordial. O nacionalismo criou a xenofobia, o genocídio, o fascismo, o nazismo. O que mais é necessário acontecer para mostrar o quão nefasto é este conceito.
Para fechar a questão, um vídeo bem legal de uma experiência feita com pessoas com sentimentos nacionalistas. Nem vale falar, dá o play (tem legenda em português) e reflita:

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