Fechar Menu [x]

#CultIndica: Narcos Supera Expectativas e Entrega Ótima Segunda Temporada

Audiovisual | CultIndica | Leonardo Cássio 10/10/16 - 08h Leonardo Cassio

255-narcos-2-temporada

Um ponto que precisa ser esclarecido logo de cara, principalmente para quem não viu nada da primeira temporada, e mesmo para quem viu, mas não assimilou: “Narcos” não é especificamente sobre Pablo Escobar. É sobre a propagação avassaladora da cocaína nos Estados Unidos, iniciada pelo cartel de Medellín, comandado por Pablo Escobar, e a ação do DEA – Departamento Antidrogas Americano – na Colômbia.

A primeira temporada de “Narcos” cobre mais de duas décadas de história, mostrando a ascensão de Pablo Escobar (Wagner Moura) até sua famosa fuga. A segunda parte narra fatos entre a fuga e morte do narcotraficante, cujo tempo entre um acontecimento e outro é de um ano e meio. Ou seja, é muito mais densa a segunda temporada e muito calcada no Pablo Escobar em si e não nas grandes tragédias que causou, como a explosão do voo da Avianca ou as bombas colocadas em um hotel e praça pública de Medellín.

Após escapar da prisão – La Catedral -, Pablo Escobar tenta manter o controle do tráfico de drogas em Medellín, que começa a ser ameaçado por outros grupos, como o controlado por Judy Moncada (Cristina Umanã) e o poderoso cartel de Cali. Junto à concorrência, há o exército colombiano em seu encalço e o DEA, liderados em campo pelos agentes Peña (Pedro Pascal) e Murphy (Boyd Holbrook), que permanece sendo o narrador da série.

O grande ponto de virada na história do assassino se dá quando a população da Colômbia, com maior ênfase a de Medellín, não tolera mais a matança propagada por Escobar. O criminoso tinha uma “rede de proteção” pela cidade, que gostava dele por causa da generosidade populista para com os mais pobres – lembrando que estamos no início dos anos 1990 e a Colômbia era um dos países mais atrasados da América. Porém, as explosões que mataram centenas de inocentes esgotaram com a imagem de boa praça de Escobar, transformando-o em um dos principais bandidos do país, o que fez com que se exilasse em esconderijos pelo país.

Para dificultar ainda mais sua vida, um grupo paramilitar chamado Los Pepes, financiado pelo Cartel de Cali e ajudado extraoficialmente pelo DEA e militares colombianos, trava uma guerra corpo a corpo com os homens de Escobar, destruindo laboratórios de refino de cocaína, aniquilando esquemas de distribuição e matando quem fosse próximo a ele. Isso inclui sua família e, neste momento, é que há o grande clímax da série.

O assassino frio e sanguinário começa a perder o controle sobre suas operações e começa a temer pela sua família. Vemos um perfil mais humanizado e fragilizado de Escobar que, combinado com a atuação visceral de Wagner Moura, é capaz de criar empatia com o espectador. Sim, acredite nisso, pois em determinado momento você estará torcendo por esse sociopata.

A construção da série com uso de imagens reais intercaladas às ficcionais é mais do que um recurso didático e documental. No momento em que você é levado a ter uma visão mais branda ou até mesmo simpatia por Escobar, coisas horrorosas que ele fez são mostradas através de reportagens e fotos reais, o que causa repulsa ao mesmo tempo em que você está torcendo para que ele saia vivo da caçada que travaram a ele. E aí os méritos são muitos: Netflix, que desde o início deixou claro que Pablo morreria nesta temporada; trabalho de primeira linha de José Padilha, produtor da série; atuação esplendorosa de Wagner Moura – concorreu ao Globo de Ouro – e de todo o elenco e um ótimo trabalho dos roteiristas. Aqui, um ponto: se procurar pela internet, achará uma série de matérias mostrando erros ou diferenças entre fatos reais e os apresentados pela série. Não fui pesquisá-las porque achei irrelevante justamente por não se tratar de uma biografia de Escobar. Mas para quem for mais crítico, o material está disponível na web.

Anunciadas a terceira e quarta temporadas da série, sabemos de antemão que a história será do DEA e dos militares colombianos atrás do Cartel de Cali, comandado pelos irmãos Gilberto (Damián Alcázar) e Miguel Orejuela, que dominou o tráfico de drogas para os Estados Unidos enquanto Escobar era perseguido. Vem aí mais tiro, porrada e bomba. O importante é manter o alto nível de produção e superar a perda de Escobar. Como aponta o teaser abaixo: a carreira precisa continuar. Um trocadilho inteligente.

Tags: , , , , ,