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Nise é Capaz de Opinar

Audiovisual | Thais Polimeni 25/04/16 - 02h Thais Polimeni

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Quem acompanhou o Oscar 2016 pela Rede Globo, registrou pra sempre na memória as cômicas frases de Gloria Pires. Fui assistir ao filme “Nise – O Coração da Loucura“, em que Grorinha é protagonista, com os memes em mente, que tomaram conta das mídias sociais pós-Oscar. Mas tudo isso logo se dissipou nas primeiras cenas deste imperdível longa que estreou no feriado de 21 de abril.

As primeiras cenas nos conquistam não apenas pelo talento de Gloria Pires, mas também pela minuciosa preparação de elenco de Tomás Silvestre e pelo foco feminista do roteiro, apresentando a importância do revolucionário trabalho de uma das primeiras médicas psiquiatras do Brasil (Nise da Silveira era a única mulher de sua turma de medicina, na Faculdade de Medicina da Bahia).

A locação principal do filme é o antigo Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, onde, hoje, funciona o Instituto Municipal Nise da Silveira. Nise começou a trabalhar lá em 1944 e, como não era a favor das técnicas violentas de tratamento psiquiátrico, recebeu a coordenação da ala de Terapia Ocupacional, que era pouco valorizada até então. Uma frase que define muito bem o trabalho de Nise no filme é quando, em uma conversa com um colega psiquiatra que não acreditava no método humano de Nise, ela responde: “O meu instrumento é o pincel; o seu é o picador de gelo“, fazendo referência à lobotomia utilizada pelo médico. Ainda nessa cena, o médico, para se defender, ataca: “É típico de comunistas transformar em humanismo as suas ambições pessoais“. Tal provocação deve-se ao fato de Nise da Silveira, antes de começar a trabalhar no Hospital Psiquiátrico Pedro II, havia sido presa em 1936, durante a Intentona Comunista, pela posse de livros comunistas.

O trabalho de Nise foi elogiado por grandes nomes da medicina, como Carl Jung, que enviou uma carta à Nise parabenizando-a pelo resultado de seu tralho. Esse momento foi muito bem registrado no filme, mostrando, de forma cômica, que mulheres eram minoria na medicina não apenas no Brasil, mas também no mundo. E, ainda assim, Nise fez a diferença!

Eu sempre acreditei no aprendizado pelo amor e não pela dor. “Nise – O Coração da Loucura” dá uma esperança pra quem percebe que, tão importante quanto “chegar lá”, é ter um caminho agradável e ao lado de pessoas que se tratem com respeito e dignidade.

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