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O Meu Som e a Minha Fúria

Audiovisual 16/07/09 - 12h Cult Cultura

Acabei de assistir ao “Som e Fúria”. Desde que eu vi uma matéria sobre a minissérie na Bravo!, fiquei interessadíssima. Assisti ao primeiro e ao segundo episódio. Me apaixonei. Porém, com essa correria louca de São Paulo (onde a minissérie é ambientada, aliás), só consegui voltar a assistir hoje (ou ontem?).
Que delícia de episódio! Nada é por acaso. Esse, eu não poderia perder por nada. E, sem saber, não perdi.
Logo no início, mostraram a coxia da peça que seria estreada. Fiquei extremamente emocionada com aquela estreia, com aqueles preparativos, minutinhos antes de as cortinas se abrirem… Com os desejos de “MERDA”. Ai, que saudade daquela energia do teatro. Energia dos palcos, da coxia… Foram tantos momentos que eu relembrei naqueles poucos minutos da minissérie (lembrem-se de que quarta-feira tem jogo, então a duração do episódio é menor)…
Lembrei-me daquele nervosismo antes de entrar em cena, do meu antigo e eterno grupo de teatro. É claro a gente não se apresentava no Municipal. Era um grupo amador, mas eu me identifiquei tanto com aquelas cenas, que eu tive ainda mais certeza de que a magia do teatro é universal.
Lembrei-me do meu antigo emprego… Uma situação hilária! Uma vez, o gerente comercial da empresa comentou que o superintendente ia a uma reunião com o presidente do Grupo. Ele disse que desejou “Boa sorte” ao superintendente e eu comentei: “Ah, você poderia ter falado ‘Merda!'”.
Imaginem a cena!!! O gerente comercial virou para minha coordenadora: “Merda?”. E ela riiia, ria demaaais (eu já tinha falado pra ela dessa tradição do teatro)! Então eu expliquei:
“Então, é que no Teatro, quando a gente vai apresentar uma peça, a gente diz “MERDA””
E o gerente comercial que, aliás, era gente finíssima, ficou um pouco confuso:
“Mas, merda?”
Eu: “É, ‘Merda’ é pra desejar ‘Boa sorte’.”
“Ah, ‘Merda’… É ‘Boa sorte’?” – ele, em dúvida.
“É. Porque desejar ‘Boa Sorte’ dá azar.”
“Entao… ‘Boa sorte’… dá azar?”
“Isso!”
“Hahahaha! Tá certo! Então da próxima vez eu vou falar: ‘Aí, chefe! Merda lá na reunião, viu?'”, disse o gerente, fazendo com que todos rissem, no clima da melhor das comédias.
Em “Som e Fúria”, eles mostraram o verdadeiro clima de final de peça: clima de alegria, de missão cumprida. Quando as cortinas se fecham, todos esquecem as diferenças. Todos os envolvidos vão curtir aquela sensação única que só quem já foi iluminado pelas luzes e pelos Deuses do Teatro consegue sentir. “Obrigado”, “Parabéns”, flores e lágrimas marcam o fim da peça. Fim?

 
Teatro une. Liberta.
Teatro é magia. Amor. Saudade. Sonho.

O resto é silêncio.

MERDA!

Foto: Camila Almeida
Peça: “O Despertar da Primavera”
Por Thais Polimeni
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