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O Nazismo Nas Telas Do Cinema Em “Os Invisíveis”

*Destaque-Home | Audiovisual 25/09/18 - 06h Cult Cultura

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Antes do filme, uma pequena lição de história, já que vivemos tempos que o nazismo e a esquerda são colocados na mesma frase. Terceiro Reich foi um termo cunhado pela propaganda do regime nazista da Alemanha e que tinha como objetivo demonstrar a grandeza do projeto de Hitler para transformar seu país em uma incontestável potência mundial. Para alcançar esses objetivos, Hitler aplicou uma receita que incluía um militarismo absurdo, instalando trabalho escravo entre as comunidades dominadas, alegando que estas não passavam de seres inferiores, e também uma política de extermínio de minorias, o que é muito semelhante ao que um C E R T O C A N D I D A T O costuma jogar na nossa cara como um dos seus objetivos, caso eleito. Agora vamos ao filme.

Lançado em outubro de 2017 na Alemanha, “Os Invisíveis” mescla documentário com cenas baseadas nas entrevistas que são mostradas durante o filme. A história é focada em quatro jovens judeus: Cioma Schönhaus, Ruth Gumpel, Eugen Herman-Friede e Hanni Lévy, todos habitantes de Berlim na época. Existe arquivo de entrevistas com os quatro personagens principais, o que dá a impressão de fidelidade do que é falado por eles e pelo que é criado pelo diretor. E aí mora um problema…

Os Invisiveis 1Existe uma troca de narrativa muito frequente, talvez até um pouco demais e isso pode fazer o espectador se perder um pouco durante as quase duas horas de filme. Muitas vezes, o diretor nos leva de uma entrevista para a dramatização do que havia sido falado anteriormente, mantendo, nessa dramatização, também um narrador (dessa vez, o ator ou a atriz responsáveis pela cena exibida no momento). Essa dinâmica funciona, mas, na maior parte do tempo e somada à edição, ela mais atrapalha do que contribui para a fluidez do filme, de fato.

O elenco principal, composto por jovens talentos do cinema alemão, é sólido. Quatro bons talentos são apresentados para o mundo em “Os Invisíveis”, incluindo Max Mauff, que viveu Felix em Sense 8.

Tecnicamente falando, o filme poderia ser melhor. Em alguns momentos, ele pode ser facilmente confundido com um daqueles filmes exibidos na escola em alguma aula de história qualquer. Sendo um assunto tão importante (que, apesar de bem conhecido, mais do que nunca se faz necessário ser lembrado e discutido), ficamos com a impressão de que uma atenção a mais na produção teria colaborado na entrega de uma obra melhor. A ideia de um híbrido entre documentário e filme é muito boa. O problema é a sua execução.

Como a grande maioria dos lançamentos de 2018, “Os Invisíveis” tem os seus defeitos, mas, ao mesmo tempo, é uma importante obra a ser assistida em 2018 pela sua temática e quantidade de informações que só quem viveu o horror na pele poderia dar. Infelizmente, é melhor como aula de história do que como obra cinematográfica, mas ainda assim cumpre sua missão. O filme estreia nas melhores salas do país no dia 6 de outubro

Euclides

Por Clids Ursulino. 30 anos. Música, cinema, futebol e política. E o que mais aparecer entre um café e outro

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