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O Pai da Ficção Científica era um Grande Visionário

Audiovisual | Literatura 04/11/14 - 04h Leonardo Cassio

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Adriano Piazzi, publisher da Editora Aleph, especializada em ficção científica, explicou em uma entrevista concedida ao Morning Show da Rádio Jovem Pan que a diferença entre ficção e fantasia é que “o primeiro é quando um absurdo pode ser explicado através da ciência, enquanto no segundo é explicado através da magia”.

E nem é preciso o raciocínio acima para saber que Julio Verne era um exímio criador de livros de ficção. Não à toa é rotulado por muitos como o pai da ficção científica. Minha primeira incursão na obra do francês foi com o conhecidíssimo “Viagem ao Centro da Terra” (Editora Ática – 1997 – Coleção EuLeio) e, na nota de Geraldo Galvão Ferraz, ele questiona o lugar-comum da rotulagem. Segundo ele, há um erro cronológico, pois há registros de ficções desde a Antiguidade, e um segundo erro relacionado ao fato de que Verne mais utiliza as histórias para contar os avanços científicos (ocorridos principalmente a partir dos anos 40 do século XIX até o seu final) do que usa a ciência para explicar um absurdo (se bem que isso ocorre).

Se ele é pai ou não da ficção científica pouco importa. O que vale é seu legado e “Viagem ao Centro da Terra” (1864) é um livro icônico: o professor Lindebrock, após descobrir um manuscrito antigo, chega à conclusão de ser possível alcançar o centro do globo. Ele recruta seu sobrinho Axel e o incansável Hans e inicia a aventura de penetrar nas entranhas da Terra através do Sneffels, um vulcão na Islândia (ele existe!). Com uma narrativa criativa e de cunho popular – ele narra fatos científicos de forma didática e acessível aos leigos, ressaltando o período, em que a maioria das pessoas não tinha acesso à educação, ainda elitista – para um fácil entendimento dos avanços científicos da época.

Assuntos de física, biologia, mineralogia, química e geografia são expostos de forma divertida e intensa, mostrando a habilidade de Verne em absorver conhecimento, imaginar as possibilidades e narrá-las de forma surpreendente. O mar, o espaço sideral e as camadas profundas da Terra eram assuntos que fascinavam o escritor e imputavam nele o desejo de criar cenários e situações incríveis. Um ponto muito importante era a importância que Verne atribuía à imagem e, por isso, todos os seus livros vinham com ilustrações que davam maior poder narrativo às histórias (o exemplar da Coleção EuLeio é ilustrada).

E é claro que um livro deste não passaria despercebido aos produtores cinematográficos. Em 2008, a ficção ganhou uma versão hollywoodiana em 3D, cujo roteiro é baseado no livro. Já a versão em preto e branco de 1959 é mais fiel à obra literária (trailers abaixo).

Mesmo assistindo ao(s) filme(s), é recomendável a leitura do livro. É uma aula absurda de ciência!

*Em 2011, na ocasião do 183º aniversário de Julio Verne, o Google fez um Doodle (aquela modificação do logo que o Google faz de vez em quando) especial, que é a imagem que colocamos no banner deste post!


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Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

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