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Orange is the New Black é Sinônimo de Diversidade

Audiovisual | Leonardo Cássio | TVCULT 09/03/16 - 04h Leonardo Cassio

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Como homem em desconstrução de estereótipos, preconceitos e outras mazelas, considero importante falar sobre o protagonismo feminino através de exemplos que me ajudaram (e estão me ajudando) a formar um novo olhar sobre a desigualdade de gênero e a falta de diversidade.

Neste Dia Internacional da Mulher de 2016, data em que este texto está sendo escrito, venho pensando em diversos exemplos de obras artísticas, movimentos culturais e figuras femininas e masculinas inspiradoras que estão por aí fazendo a diferença na busca por igualdade de gênero neste mundo ainda machista, misógino e sexista.

Uma das coisas que mais me chamou atenção com relação ao protagonismo e a diversidade feminina foi a série de drama de humor negro “Orange is the New Black“, da Netflix, criada por Jenji Kohan, escritora, produtora e roteirista indicada 10 vezes ao Emmy, tendo vencido uma vez, e a outros dez prêmios, tendo arrebatado 3.

A série lançada em 2013 mostra a convivência das presidiárias de Litchfield, penitenciária de Nova Iorque, e seus dramas pessoais, que as levaram para lá. A protagonista é Piper Chapman (Taylor Schilling) que, após se envolver com a traficante de drogas Alex Vause (Laura Prepon), vai parar na cadeia. Assustada com o ambiente, ela precisa passar por uma rápida adaptação, com o intuito de não sofrer represálias, tendo que se aproximar de algumas presas, cujas histórias de vida são apresentadas no decorrer da série (os flashbacks por vezes são confusos, sendo esse um dos pontos “fracos” de OITNB), enquanto a protagonista vai passando pelo processo de transformação.

O primeiro ponto de destaque de OITNB é a diversidade das personagens. São negras, brancas, latinas, orientais, altas, baixas, magras, gordas, transexuais, heterossexuais, lésbicas, bissexuais. Não há privilégios para as atrizes que se enquadram no modelo de beleza pré-estabelecido (branca e magra “tipo modelo”). Cenas de nudez, enfrentamento físico, diálogos de temas polêmicos e atuais (racismo, preconceito, aborto, machismo, etc.) são muito bem distribuídos entre todas as personagens, que apresentam a diversidade feminina real, não a criada ou imaginada em muitos setores sociais.

Em segundo lugar, OITNB ajuda a pulverizar clichês que não aguentamos mais. As mulheres, assim como os homens, não são seres homogêneos. São diversos, complexos, singulares e cheios de problemas. Ao se desenrolar as histórias das presas, vemos que algumas mulheres que gostavam do crime, outras que foram presas por uma escolha errada, outras que foram vítimas do modo de vida que tinham no momento, etc. Não tem apenas aquele clichê de ter sido presa por acompanhar um homem em um crime ou de ter vingado violência doméstica. Há uma pluralidade de motivos que levaram essas mulheres para a prisão, dando a complexidade correta no tratamento das figuras femininas. E, uma vez presas, elas precisam se reinventar para esquecer ou mudar o passado. Em OITNB não há espaço para a mulher que é sempre sensível, materna, submissa a um homem, frágil e dócil. Elas são poderosas, cada uma à sua maneira.

Um dos fatos mais marcantes da série foi a dupla premiação para Uzo Aduba que interpreta Susanne Warren, a Crazy Eyes, personagem com problemas mentais que rendeu o prêmio de “Melhor Atriz Convidada” do Emmy em duas categorias distintas: Série de Comédia, em 2014, e Série de Drama em 2015. É um fato inédito um mesmo personagem ganhar em duas categorias distintas da mesma premiação, lembrando que ela não é a protagonista da série. E ela é incrível.

Dá um look nos discursos dela:


Orange is the New Black entrará em sua quarta temporada este ano (17 de junho de 2016). É uma das séries mais vistas no mundo hoje, sendo uma das líderes de audiência da Netflix. É muito legal ver a série ganhando prêmios e aquele monte de mulher diversa aparecendo, festejando e se solidarizando umas com as outras. Portanto, amigo, desconstrua-se de preconceitos com essa divertida série, que não poupará nenhum marmanjo metido a besta.

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