Fechar Menu [x]

#CultIndica: Precisamos Falar Sobre Educação

Audiovisual | COACHCULT | CultIndica | Thais Polimeni 20/05/15 - 12h Thais Polimeni

quando-sinto-que-ja-sei-v2

Aborto, Terceirização, Kevin… Precisamos falar sobre tudo. E falar sobre tudo não é muito o estilo da educação tradicional do Brasil (nem do mundo, talvez).

Falar sobre educação não é debater a inclusão de novas disciplinas obrigatórias na grade curricular; não é redefinir a idade mínima para uma criança começar a estudar; não é mudar, a cada geração, os nomes das divisões das séries e anos (não tenho nem 30 anos – ok, falta menos de um mês pra eu completar, mas ainda estou nos vinte e poucos – e tenho que pensar antes de falar “colegial” ou “oitava série”, que hoje é nono ano).

Educar é incentivar o diálogo. Ter educação não é apenas saber utilizar a crase corretamente ou aplicar a fórmula dos juros compostos. É nas pequenas atitudes que vemos que precisamos falar sobre educação, sobre o trabalho em equipe, sobre aprender junto, tudo isso baseado no diálogo.

Desde sempre, nossa sociedade convive, aceita e propaga aquelas famosas frases: “você sabe com quem está falando?“, “sou eu que pago seu salário“, “aqui sou eu que mando“, “me respeita porque eu sou mais velho“. Na atual vida tecnológica, agregamos a essa frases as bizarras indiretas no Facebook, os blocks e os prints. Tudo isso é falha na educação. Não digo que quem faz isso são pessoas ruins: acho que todo mundo da minha geração já teve, pelo menos uma vez, uma vontade incontrolável de dar “block” em alguém em vez de dialogar. Os mais impulsivos, bloqueiam e excluem; os que respiram e contam até dez, apenas deixam de seguir. O que todas essas atitudes têm comum? A falta de diálogo.

Um dia desses, eu estava trabalhando em um café próximo à Paulista e um grupo de estudantes da FGV conversava sobre seus estágios. Uma das meninas comentou que tinha feito uma sessão de coaching e que tinha adorado. A coach tinha 3 Planos possíveis para atender os clientes. Quando ela contou para as amigas sobre um desses planos (ironicamente o mais caro), todas se empolgaram: tratava-se de algumas sessões em que a coach faria algumas perguntas para a cliente e, juntas, descobririam qual seria a melhor profissão ou área para ela seguir.

Ontem, assisti a um documentário que me fez lembrar dessa situação no café. “Quando sinto que já sei” é um documentário brasileiro, lançado em 2014, que fala sobre educação. Em uma das cenas, a educadora Ivana Jauregui Gini, da Escola Livre Inkiri (Itacaré – BA), mostra uma obra de arte feita por uma das alunas e comenta: “Essa é a expressão da Cecília. (…) A forma é única. Isso está dentro de cada um de nós. Cada um tem sua forma. (…) E como você encontra essa forma? Você não encontra, porque está dentro de cada um“. As estudantes que conversavam no café provavelmente devem ter frequentado as melhores (e mais caras) escolas do Brasil. Ainda frequentam uma das melhores (e mais caras) faculdades do Brasil. Mas ainda não descobriram qual é a sua própria forma.

Quando sinto que já sei” me fez refletir muito sobre nossas atitudes. Apesar do foco ser na educação pedagógica, os depoimentos nos fazem ter esperança de que é possível mudar o mundo através do diálogo. Os alunos aprendem com a experiência dos professores e os professores crescem nessa troca. Com exceção da Andressa Prata e do Augusto Cuginotti, ex-educadores da Summerhill (Reino Unido), todos os entrevistados atuam no território brasileiro, mostrando, portando, que é possível construir uma nova educação. Em todas as entrevistas, é citado o papel do professor como mediador, aquele que não está lá como uma figura autoritária, mas alguém que cria uma relação de afetividade e vínculo com o aluno. Em uma época em que o conteúdo é facilmente acessado pela internet, o professor tem o papel de auxiliar na produção de conhecimento, que é muito mais útil do que transmitir informação.

Somos eternos professores e alunos. Com humildade, aprendemos e ensinamos. Agradeço a cada um dos meus professores da vida por me fazerem crescer a cada dia, refletindo e me mostrando novas visões de mundo. Agradeço a cada um dos meus alunos da vida por me fazerem crescer a cada dia, refletindo e me mostrando novas visões de mundo. Sim, somos todos iguais.

A dica do documentário foi da Fan Page Central de Editais Etc e Tal

Foto do banner: Quando sinto que já sei/ Divulgação

Curta a FanPage “Quando sinto que já sei”

Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

COMPARTILHE ESTE POST

COMPARTILHE

COMPARTILHE

Thais Polimeni

Thais Polimeni

Thais Polimeni é editora e uma das fundadoras do blog Cult Cultura e, ao lado de Leonardo Cassio e Daniel Ávila, é sócia-diretora da Carbono 60 - Economia Criativa. Publicitária, jornalista, paulistana, tiete e geminiana, Thais é viciada em teatro, cappuccino e wi-fi. Dizem que é descendente direta de Buda, mas na TPM, nem ela se aguenta. É colunista do Jornalirismo e tem seu alter-ego publicado aqui: facebook.com/thaisPOULAINmeni

RELACIONADOS