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Curte Suspense? Aposte Nos Filmes Nacionais!

Audiovisual | Thais Polimeni 02/12/17 - 03h Thais Polimeni

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Raramente eu me aprofundo nas histórias dos filmes e peças de teatro antes de assistir. Depois de cerca de 10 anos frequentando assiduamente teatros e cinemas, desenvolvi um, digamos, “talento” pra identificar se a produção tem a ver com o estilo que eu gosto ou se vai ser “tempo perdido” (assim, com aspas, mesmo, porque ver algo que não nos agrada pode ser extremamente útil para o autoconhecimento). Nem vou entrar aqui no mérito de ser bom ou ruim, porque, como eu disse nesse vídeo, avaliar a qualidade de uma obra não é meu objetivo.

Foi assim com o filme “Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe” (teste de memorização. Fui conferir se tinha escrito o nome certo e só tinha trocado a segunda pessoa pela terceira. Hábito de paulistana que só usa Tu pra imitar os amigos gaúchos). Não vou negar que sou louco por você que tenho uma queda por títulos extensos – e tenho aversão por obras de arte “Sem Título” (isso merece uma crônica em breve) – e o que eu sabia do roteiro é que era um suspense de um diretor brasileiro estreante.

Com exceção de superproduções no estilo de autoajuda para quem quer ser o pior aluno da escola, eu faço questão de assistir a filmes nacionais. E nem é só por idealismo, mas por gostar muito de filmes brasileiros, mesmo. Assim, não pensei muito e fui conferir o misterioso longa de título longo (tum dum tsss!).

“Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe” é uma frase de um texto da diva Clarice Lispector (e é verdade; não é frase de Instagram, não). Durante o filme, senti a sensação de agonia típica dos filmes que abordam alguma doença psiquiátrica. Durante cerca de uma hora, vemos a história sob a perspectiva do protagonista, um porteiro de um prédio que vive com o pai – que era zelador e está doente – e a mãe, que cuida de ambos. O clima de tensão vai aumentando gradualmente e a sensação de agonia que comentei no início do parágrafo é explicada com cenas de retrospectiva que confirmam que o protagonista é portador de esquizofrenia funcional.

Nada do que falei é spoiler: tudo estava no material da assessoria de imprensa que eu li quando cheguei da sessão. E o que eu acho interessante vocês saberem é que os personagens foram inspirados nos vizinhos do diretor Aaron Salles Torres: “Escutei aquelas discussões do meu apartamento. Por isso demorei três anos para escrever o roteiro, foi muito difícil me distanciar daquilo”, conta. Portanto, vá preparado pra aquele incômodo interno que os amantes dos filmes de suspense adoram.

A trilha sonora tem Ney Matogrosso, com a música “Perigos Razões”, interpretada especialmente para o thriller psicológico. Veja abaixo o clipe, com cenas de “Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe”, em cartaz na Caixa Belas Artes:

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