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Quando Uma Ideia na Cabeça e Uma Câmera na Mão Encontram um Cantinho e um Violão

Audiovisual | Leonardo Ribeiro | Música 24/06/13 - 10h Leonardo Ribeiro

Somostaojovens

As referências do título deste artigo remetem para outra época, o final da década de 50 e começo dos anos 60. O Cinema Novo, com Glauber Rocha como seu principal representante, e a Bossa Nova de Tom Jobim, João Gilberto e outros, se encontravam no mesmo contexto, fazendo parte de um momento de mudanças culturais, sociais e políticas no país. Ainda que nos dias de hoje não façam parte de nenhum movimento cultural específico, como os citados anteriormente, cinema e música continuam tendo um forte apelo junto aos brasileiros, e caminham cada vez mais próximos.

FaroesteCabocloOs filmes Somos Tão Jovens (foto acima), de Antônio Carlos da Fontoura, e Faroeste Caboclo, de René Sampaio, são os exemplos mais recentes do sucesso dessa união musical e cinematográfica. Somos Tão Jovens, que trata da vida do cantor Renato Russo, e também do início da cena roqueira em Brasília nos anos 80, onde surgiram bandas como Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana, caminha para atingir a marca de 2 milhões de espectadores. Já Faroeste Caboclo (foto ao lado), que adapta para as telas um dos maiores sucesso da banda de Renato Russo, já levou mais de 1 milhão de pessoas às salas de cinema.

Cinebiografias musicais e adaptações de canções não são novidade no cinema nacional, mas parecem ter ganhado muito mais força nos últimos 10 anos, se transformando em um dos subgêneros mais lucrativos de nossa indústria cinematográfica. Em 2005, Dois Filhos de Francisco, que contava a história da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano, teve mais de 5 milhões de espectadores. Cazuza – O Tempo Não Para, que em 2004 trouxe o ator Daniel Oliveira em uma elogiada interpretação no papel do líder do Barão vermelho, fez mais de 3 milhões de espectadores, enquanto no ano passado, Gonzaga – De Pai Para Filho, atraiu 1, 5 milhão de pessoas.

o-abismo-prateadoVer na tela personagens que, de alguma maneira, fazem parte de sua vida, e conhecer um pouco mais sobre suas histórias, gera a identificação imediata do público, que une seu lado cinéfilo a seu lado fã. Essa “idolatria” se estende também para os documentários. São diversos exemplos de longas do gênero que conseguiram atrair um número significativo de espectadores nos últimos anos, como Tropicália, Raul – O Início, o Fim e o Meio, A Música Segundo Tom Jobim e o divertidíssimo Vou Rifar Meu Coração, que aborda o universo da música brega.

No filão de adaptações de canções, além de Faroeste Caboclo, tivemos uma nova versão de O Menino da Porteira, estrelada pelo cantor sertanejo Daniel, além de adaptações não literais, como o ótimo O Abismo Prateado (foto acima), de Karim Aïnouz, livremente inspirado na música “Olhos nos Olhos”, de Chico Buarque. O ícone da MPB, por sinal, possui uma ligação direta com a sétima arte há muito tempo. Sucessos da década de 80, como Os Saltimbancos Trapalhões e Ópera do Malandro, também são inspirados por suas obras.

Tim-Maia-Babu-SantanaCom todo esse sucesso, a tendência do ‘Cinema Musical Popular Brasileiro’ promete não terminar tão cedo. Diversos outros projetos já estão em fases de produção diferentes. A cinebiografia do cantor Tim Maia (foto ao lado) já começou a ser filmada e deve ser lançada em 2014, enquanto Pixinguinha – Um Homem Carinhoso, que tem Milton Gonçalves no papel principal, deve retomar em breve as suas filmagens, que foram interrompidas por cortes no orçamento. Além desses, estão previstos filmes sobre as bandas Calypso, Mamonas Assassinas, Planet Hemp, sobre o cantor Erasmo Carlos, entre outros.

Mesmo que o nível de qualidade seja irregular, o apelo popular dessas produções tem um papel importante para o cinema brasileiro, atraindo mais público e ajudando um pouco a mudar os seus “pré-conceitos”. Com uma cultura musical tão rica e diversificada, podemos ter trabalhos muito interessantes resultantes dessa “moda”. Ainda poderemos ter a oportunidade de ver na tela grande a vida de grandes ícones, como Elis Regina, Cartola ou Raul Seixas. E espero, sinceramente, que esteja aqui para presenciar uma adaptação de “Geni e o Zepelim”, sem dúvidas a canção mais cinematográfica de Chico Buarque, e talvez de toda a MPB.

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Leonardo Ribeiro

Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Um devoto de São Hitchcock, que tenta unir o prazer de escrever ao prazer de discutir e analisar a sétima arte. Facebook: https://www.facebook.com/leo.sp.ribeiro Twitter: @leospribeiro

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