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As Superproduções Não Tão Super De Guy Ritchie

Audiovisual 30/05/17 - 10h Cult Cultura

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Precisamos falar sobre Guy Ritchie, mas, para isso, vamos voltar alguns anos… Em 1998, o cineasta inglês lançou o já cult “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e sua estreia na direção não poderia ter sido melhor. O filme, que contava com Jason Statham ainda desconhecido e o grandão Vinnie Jones, foi um belo exemplo de filme de ação moderno. Dinâmico, com cortes rápidos e histórias interligadas, todos esses elementos se tornaram características de Ritchie. Um belo filme, de fato. Caso você não tenha assistido, assista e não se arrependa. Logo em seguida, ele lançou sua obra-prima, “Snatch – Porcos e Diamantes”. Esse, já com um elenco maior e mais badalado, contando com Brad Pitt e Benicio Del Toro no cast. Mais uma vez, Ritchie entregou um filme de ação envolvente sem deixar o bom humor de lado, inclusive mostrando uma nova faceta, essa mais cômica, do até então apenas galã Brad Pitt. E aí os problemas começaram. Certos diretores apenas não funcionam em grandes produções com grandes orçamentos e Ritchie é um grande exemplo de “menos é mais”.

Nesse intervalo entre esses dois grandes filmes e “Rei Arthur”, teve algumas produções que fizeram até certo sucesso de bilheteria, mas que não chegaram nem perto do sucesso de crítica que suas duas primeiras tentativas alcançaram. Tivemos os dois (e um terceiro, em breve) “Sherlock Holmes”, com Robert Downey Jr e Jude Law; “RocknRolla”, com Gerard Butler (esse outro ator conhecido por não escolher muito bem seus filmes no cinema) e “O Agente da U.N.C.L.E.”, que foi um pouco mais interessante, mas, ainda assim, não sei se será lembrado por muito tempo. “Rei Arthur”, infelizmente, se encaixa nessa segunda categoria da filmografia do diretor.

Estrelado por Charlie Hunnam (o Jax, de “Sons of Anarchy”) e Jude Law (novamente trabalhando com Guy Ritchie), o filme apenas não engrena. Ele não empolga. Diversas vezes, durante a exibição, tive a impressão de que, finalmente, começaria a se tornar um filme mais cativante, que fizesse jus à fábula do jovem filho de Uther que se tornou rei ao retirar a espada Excalibur de uma pedra onde estava presa por magia. Os efeitos e a trilha sonora são os (únicos?) pontos altos do filme. Todas as cenas de computação gráfica estão maravilhosas e as músicas chegam perto de conseguir criar algum clima em um filme que, em sua essência, é insosso e maçante. “Rei Arthur” desbancou o ótimo “Guardiões da Galáxia Vol. 2” do topo da bilheteria aqui no Brasil, porém, não obteve o mesmo sucesso nos cinemas americanos. A ideia era realmente boa e criativa, mas a execução não fez jus ao que isso poderia se tornar.

Rumores já dão conta que uma continuação está sendo negociada com o estúdio e os atores e, caso os problemas sejam resolvidos, existe, sim, a possibilidade de Ritchie se redimir com essa nova investida na história do Rei. Um filme que poderia ter sido incrível, acabou sendo totalmente irrelevante na filmografia já não tão promissora do inglês.


 

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