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“Em Nenhum Lugar Do Mundo Se Venceu Violência Com Mais Violência”

Audiovisual | Slider | Thais Polimeni 05/11/18 - 11h Thais Polimeni

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Front é o termo usualmente utilizado no militarismo, pra designar a linha de frente. A frente armada. “Relatos do Front – Fragmentos de uma tragédia brasileira” é um documentário de Renato Martins que mostra a violência urbana brasileira, mais especificamente no Rio de Janeiro. Ao assistir ao documentário, nos questionamos sobre quem está no front: a polícia, os traficantes ou a milícia?

A partir de 1° de Janeiro, a polícia vai atirar pra matar“, era o que ecoava em minha mente a cada cena de “Relatos do Front”. A fala não está no filme, já que foi dita por um político-não-político-gestor de São Paulo, e não do Rio. Mas a reflexão proposta pelo diretor Renato Martins circunda essa afirmação. Quem reproduz essa fala não está na linha de frente. Ele apenas delega o trabalho sujo para um profissional que nos fizeram acreditar que protegerá a população por meio da morte de outros. Quem, em sã consciência, vai escolher uma profissão que é um passaporte para a morte prematura? Passou da hora de nos conscientizarmos de que segurança está longe de significar “matar ou morrer”.

Um dos entrevistados do documentário propõe a reflexão: quem está ganhando com isso? Não são os policiais, que matam e também morrem em confrontos; não são os jovens da favela, que matam, morrem, andam de chinelo e comem quentinha; não é a população, que vive com medo, na insegurança, na desconfiança, no julgamento do outro. Nos fizeram acreditar que são “eles” contra “nós”. E surge mais uma reflexão durante o filme: quem são eles?

Depois dessas eleições, tenho ouvido muita gente questionar a oposição: “Somos todos brasileiros, temos que torcer para que dê certo“. Quem somos todos brasileiros? Um homem hétero cis de classe média comentando no post de uma mulher hétero cis de classe média? Aí é fácil se reconhecer e questionar o posicionamento político. Falta perceber que também somos todos brasileiros na pele das mães que perdem seus filhos, mortos dentro das escolas. Também somos todos brasileiros na pele dos policiais que são mandados, por autoridades, a atirar pra matar. Também somos brasileiros na pele de jovens que matam policiais pra vingar a morte de inocente. Também somos todos brasileiros na pele de inocentes, de assassinos, de luto. Aqueles que nos fizeram acreditar que estão por nós são os mesmos que nos colocaram uns contra os outros, no Front. Estamos todos no Front. Menos eles.

Quem estiver no Rio de Janeiro, pode assistir ao “Relatos do Front – Fragmentos de uma tragédia brasileira” no Festival do Rio: Segunda-feira, 5 de novembro, às 13h no CCLSR – Cine Odeon NET Claro; e na terça-feira, 6 de novembro, às 19h no Kinoplex São Luiz 1.

RELATOS DO FRONT – Promo from Jacqueline Filmes on Vimeo.

 

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