Fechar Menu [x]

Riffs cinematográficos: A história do rock na sétima arte – Parte 2

Audiovisual | Leonardo Ribeiro | Música 22/07/13 - 10h Leonardo Ribeiro

Control

Outras bandas invadem as telas + As cinebiografias
Seguindo os passos dos Beatles, outras bandas tentaram trilhar caminho nos cinemas. Uma delas foi o Kiss, que em 1978 lançou o filme “Kiss Meets The Phantom of The Park”, que acabou sendo lançado diretamente na televisão. A banda mascarada ainda seria o tema principal da comédia “Detroit Rock City”, de 1999, em que um grupo de fãs do grupo passa por diversas aventuras para chegar a um show do Kiss em Detroit.

Ainda na década de 70, seria a vez dos Ramones estrelarem um filme com “Rock’n’Roll High School”. Ainda que não fossem personagens principais, a trilha sonora (incluindo a faixa título) e a participação da banda foram responsáveis pelo sucesso da produção de baixíssimo orçamento. O filme foi escrito e codirigido por Joe Dante (“Piranha”, “Gremlins” e “Viagem Insólita”) ainda ganhou uma continuação em 1991.

No Brasil, não podemos deixar de citar os filmes da Jovem Guarda, estrelados por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Inspirados pela fórmula dos filmes dos Beatles, com um fiapo de trama confusa intercalada por momentos musicais, os longas “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa”, “Roberto Carlos a 300 Quilômetros Por Hora” e “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” levaram multidões aos cinemas nacionais na década de 60.

Com o rock já estabelecido como um pilar da cultura em todo o mundo, o interesse do público pela história de seus ídolos era crescente. Com vidas repletas de fatos marcantes, escândalos e mistérios, os astros do rock tornaram-se também temas de filmes em diversas cinebiografias. Uma das maiores tragédias história do rock aconteceu em 3 de fevereiro de 1959, quando um pequeno avião caiu no estado do Iowa, no EUA, matando os músicos Ritchie Valens, Buddy Holly e J.P. Richardson, além do piloto da aeronave. Essa data ficaria conhecida como “O Dia em Que a Música Morreu”, através da canção “American Pie” de Don McLean. As histórias de Valens e Holly acabaram se transformando em filme. “A História de Buddy Holly”, de Steve Rash, foi lançado em 1978 e trazia o ator Gary Busey no papel principal, em uma interpretação que lhe valeu uma indicação ao Oscar. Já a vida de Ritchie Valens seria tema de “La Bamba” (título de seu maior sucesso). Dirigido por Luiz Valdez, o filme foi lançado em 1988 e marcou a carreira do ator Lou Diamond Phillips, que deu vida a Valens.

Em 1986, “Sid & Nancy”, do britânico Alex Cox, abordou a vida do polêmico Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols. Com foco na relação doentia entre o músico e sua companheira, Nancy Spungen, o filme revelou o ator Gary Oldman, que apresenta no filme uma atuação explosiva. Outro nome controverso do rock, Jerry Lee Lewis, teve parte de sua vida contada em “A Fera do Rock”, de Jim McBride. O longa de 1989, estrelado por Dennis Quaid, abordou algumas polêmicas da vida pessoal de Lewis, como o casamento com sua prima de segundo grau, na época com apenas 13 anos de idade.

Val Kilmer DoorsDepois dos sucessos de “Platoon” e “Nascido em 4 de Julho”, em 1991, o diretor Oliver Stone levou para as telas a história de uma das maiores bandas do mundo do rock, o The Doors. Tratando principalmente da personalidade complexa deu seu líder, o vocalista Jim Morrison, o filme gerou reações divididas de público e crítica, mas apresentou a melhor atuação da carreira de Val Kilmer, na pele de Morrison. Contando com uma semelhança física natural, Kilmer incorporou os principais trejeitos do cantor, além de ter cantado diversas canções da trilha imitando o vocalista, encarnando o personagem de tal forma, que nos sets de filmagens não atendia quando o chamavam pelo nome, atendia apenas por Jim. Como curiosidade, antes da escolha de Kilmer, um dos nomes considerados para o papel de Morrison foi o de Ian Astbury, vocalista da banda inglesa The Cult, que fez muito sucesso nos anos 80. Além de também se assemelhar fisicamente ao líder do The Doors, Astbury tem Morrison como sua principal influência, tanto que entre 2002 e 2006, quando o Cult passava por um recesso, ele excursionou com os membros remanescentes do The Doors, realizando uma série de shows sob o nome de “The Doors of 21st Century”.

Mesmo muitos anos após o fim da banda, os Beatles nunca deixaram de estar presentes no mundo do cinema. Em 1994 foi lançado “Backbeat – Os 5 Rapazes de Liverpool”, do inglês Iain Softley, que contava os primórdios da banda, quando fizeram shows em pequenos bares na Alemanha. O filme mostrava também a história de Stuart Sutcliffe, o quinto Beatle, que deixou a banda pouco antes de estourarem e morreu prematuramente. Um dos destaques do filme foi sua trilha sonora. Sem conseguir a liberação dos direitos das primeiras canções gravadas pelos Beatles, os produtores convocaram um grupo estrelado de músicos para compor a Backbeat Band, que gravou as canções da fase “Iê-Iê-Iê” do grupo com uma pegada quase punk. A Backbeat Band era composta por: Dave Pirner (Soul Asylum) nos vocais, Greg Dulli (The Afghan Whigs) também nos vocais, Thurston Moore (Sonic Youth) nas guitarras, Mike Mills (R.E.M.) no baixo e Dave Grohl (Nirvana/Foo Fighters) na bateria. Mais recentemente, em 2009, o filme “O Garoto de Liverpool” trouxe a história da adolescência de John Lennon, em especial o relacionamento com sua tia e sua mãe ausente.

Cate Blanchett Dylan2Uma das cinebiografias mais interessantes já lançadas foi “Não Estou Lá”, do diretor Todd Haynes. Lançada em 2002, o filme traz uma narrativa incomum, colocando um elenco de estrelas para viver diversos alter egos do cantor Bob Dylan. O destaque ficou para a interpretação da atriz Cate Blanchett (foto), que incorporou Dylan de uma maneira sensacional. Além dela, Christian Bale, Heath Ledger, Richard Gere e Ben Whishaw também viveram o cantor em diferentes fases de sua carreira. Haynes já havia visitado o universo musical no ótimo “Velvet Goldmine”. Situado na década de 70, era de ouro do Glam Rock, o filme com Ewan McGregor e novamente Christian Bale trazia personagens inspirados em artistas como David Bowie, T-Rex, Slade e outros.

Outra ótima produção sobre ícones do rock é “Control” (foto do banner), de 2007. Dirigido pelo holandês Anton Corbjin, o filme narra a história de Ian Curtis, o vocalista do Joy Divison, em ótima interpretação de Sam Riley. Já no ano passado, o drama independente “Saudações de Tim Buckley” abordou a carreira de dois grandes nomes do rock, Tim e Jeff Buckley, pai e filho que praticamente não se conheceram e morreram extremamente jovens, no auge de suas carreiras. Já “Stoned”, um filme independente britânico, aborda o a misteriosa morte de Brian Jones, um dos fundadores dos Rolling Stones, que foi encontrado afogado na piscina de sua residência. As mulheres rockeiras também têm vez, como no filme “Runaways – Garotas do Rock”, que conta a história do grupo Runaways, formado só por mulheres, entre elas Joan Jett e Cherie Currie. A produção de 2010 teve no elenco as atrizes Kristen Stewart e Dakota Fanning.

No cinema nacional, merecem destaque sucessos como “Cazuza”, sobre o líder do Barão Vermelho, e “Somos Tão Jovens”, narrando a história da cena rock de Brasília nos anos 80, da Legião Urbana e de Renato Russo.

Além das biografias oficiais, existem também aquelas inspiradas por artistas famosos, mas que não utilizam os nomes reais dos envolvidos. Caso de “A Rosa” de 1979, com Bette Midler (em atuação indicada ao Oscar) no papel de uma rockeira autodestrutiva, inspirada em Janis Joplin. Outro exemplo é “Last Days”, filme de 2005, dirigido por Gus Van Sant e com Michael Pitt no papel do vocalista de uma banda grunge, visivelmente baseado em Kurt Cobain.

Tags: , , , ,

COMPARTILHE ESTE POST

COMPARTILHE

COMPARTILHE

Leonardo Ribeiro

Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Um devoto de São Hitchcock, que tenta unir o prazer de escrever ao prazer de discutir e analisar a sétima arte. Facebook: https://www.facebook.com/leo.sp.ribeiro Twitter: @leospribeiro

RELACIONADOS