Fechar Menu [x]

Riffs cinematográficos: A história do rock na sétima arte – Parte 3

Audiovisual | Leonardo Ribeiro | Música 29/07/13 - 10h Leonardo Ribeiro

the-wall (520x750)

Discos na tela, óperas rock e bandas fictícias
Além das biografias, existem também aqueles filmes que adaptam os conceitos de álbuns de rock para as telas. O caso mais clássico é o de “The Wall” (foto do banner). Dirigido por Alan Parker (“Expresso da Meia Noite”, “Coração Satânico”, “Mississippi em Chamas”), o longa de 1982 é baseado no icônico disco do grupo Pink Floyd. Parker conseguiu traduzir em imagens o espírito progressivo do trabalho da banda, através de uma história de crítica social e política com toques surrealistas.

tommy1 (750x405)Outro álbum conceitual a ganhar vida no cinema foi “Tommy”, a ópera rock do The Who, que teve sua versão lançada em 1975. Dirigido pelo ótimo e subestimado Ken Russell (“Viagens Alucinantes”, “Os Demônios” e “Lisztomania” esse último estrelado justamente pelo vocalista do Who, Roger Daltrey) o filme narra a epopeia do personagem-título, Tommy, um garoto surdo e cego que se torna um campeão de pinball. Além dos membros do The Who, o filme contava no elenco com Elton John, Tina Turner, Jack Nicholson e Oliver Reed. Outro álbum do grupo britânico também serviu de inspiração cinematográfica. “Quadrophenia”, de 1979, dirigido por Franc Roddam, tomou como base as canções do disco homônimo e tinha o cantor Sting em um dos papéis principais. Falando em ópera rock, menção honrosa para “O Fantasma do Paraíso”, de 1974. A fantástica fábula dirigida pelo genial Brian De Palma mistura rock e psicodelia à história clássica do Fantasma da Ópera. No Brasil, recentemente tivemos a adaptação da canção “Faroeste Caboclo” da legião Urbana, e que já é um dos filmes nacionais mais vistos de 2013.

Outro filão dos filmes de rock é dos filmes sobre bandas fictícias. Nesses longas, costuma acontecer um resultado contrário, com as canções das bandas criadas especialmente para as produções tornando-se hits nas rádios. O primeiro caso é do The Monkees. A banda foi criada para um programa de TV nos anos 60, como uma resposta americana para os Beatles. O sucesso do seriado foi tão grande, que fez com que o grupo lançasse diversos álbuns, vendendo mais de 65 milhões de cópias. No início os atores/cantores apenas faziam os vocais, enquanto músicos contratados tocavam os instrumentos. Mas em 67, os próprios membros oficiais do Monkees resolveram aprender a tocar e gravaram o disco Headquarters, enorme sucesso que culminou no lançamento do longa-metragem “Os Monkees Estão Soltos”, de Bob Rafelson.

Dirigido por Rob Reiner (“Conta Comigo”, “A Princesa Prometida” e “Louca Obsessão”), “Isto é Spinal Tap” foi lançado em 1984. O mockumentary (estilo de documentário falso, geralmente cômico) contava a história do Spinal Tap, a maior e mais barulhenta banda de Heavy Metal do mundo. O filme acabou se tornando cult, entrando para diversas listas das melhores comédias de todos os tempos e as canções do grupo fizeram sucesso nas rádios na década de 80.

Em 1996, o ator Tom Hanks estreava na direção com “The Wonders – O Sonho Não Acabou”. A trama mostrava ascensão e a queda meteórica de um grupo de rock nos anos 60. O filme estrelado por Liv Tyler (filha do vocalista do Aerosmith, Steven Tyler) teve um sucesso moderado nas bilheterias, mas a canção principal do The Wonders, “That Thing You Do”, além de ser indicada ao Oscar também entrou na lista Top 50 da Bilboard em 1996. Outra banda das telas a emplacar nas paradas foi o The Commitments, grupo formado por músicos irlandeses para o filme “The Commitments – Loucos Pela Fama”, de 1991 e dirigido por Alan Parker, o mesmo de “The Wall”.

Tiny Dancer: a obra-prima de Cameron Crowe e o espírito rock ’n’ roll
A lista de filmes que tem o rock como parte fundamental de sua trama é imensa: “Blow Up”, obra-prima do italiano Michelangelo Antonioni que conta com a participação dos Yardbirds, em sua formação histórica com Jeff Beck e Jimmy Page nas guitarras, tocando a canção “Stroll On”. “Performance”, de Nicolas Roeg e com Mick Jagger no elenco. “A festa Nunca Termina”, de Michael Winterbottom, “Absolute Beginners” com David Bowie, “Rock Star” com Mark Wahlberg, “Hedwig – Rock, Amor e Traição”, “Escola de Rock” com Jack Black, que também mostrou seu lado rockeiro em “Tenacious D” ou a excelente comédia britânica “Ainda Muito Loucos”. Esses são alguns exemplos, entre muitos outros bons trabalhos que ficaram de fora dessa lista, mas a melhor transposição do espírito rock ‘n’roll para a tela grande foi feita pelas mãos do cineasta Cameron Crowe.

Nascido no dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock, o cineasta americano sempre esteve ligado ao universo das guitarras e amplificadores. Ainda adolescente na década de 70, Crowe trabalhou como repórter para a revista Rolling Stone. Mais tarde se casou com Nancy Wilson, do grupo Heart. Sua estreia no cinema aconteceu em 1992 com “Singles – Vida de Solteiro”, que tinha como pano de fundo a cena grunge de Seattle e contou com a participação das bandas Alice in Chains e Soundgarden. Mas foi no ano 2000 que o diretor lançaria o seu grande filme: “Quase Famosos”. A trama autobiográfica acompanha um jovem fã de rock que acaba contratado pela revista Rolling Stone para acompanhar a turnê da banda fictícia em ascensão Stillwater. Durante o período atravessando o país no ônibus do grupo, o jovem William Miller, papel de Patrick Fugit, acaba entrando em uma jornada de amadurecimento, descobrindo as drogas, o sexo e o amor, através de sua relação com a groupie Penny Lane (referência à canção dos Beatles) papel que revelou a atriz Kate Hudson.

almost-famous (505x750)

Utilizando suas memórias ao lado de nomes como Led Zeppelin, The Alman Brothers, Neil Young, Eagles, Yes, entre outros, Crowe construiu uma verdadeira ode de amor ao rock, contada da forma mais sincera. Os membros da banda Stillwater também foram baseados em grandes nomes do gênero, como vocalista interpretado por Jason Lee, que possui o visual e o estilo de Paul Rodgers, lenda de bandas como Free e Bad Company. Entre os diversos momentos marcantes de “Quase Famosos”, um traduz com perfeição o poder de catarse coletiva do rock. Quando todos no ônibus da banda entoam a canção “Tiny Dancer” de Elton John, temos um dos momentos mais antológicos e tocantes da história do cinema. Um exemplo da força unificadora do rock, da música e da arte em sua essência:

Tags: , , , , , ,

COMPARTILHE ESTE POST

COMPARTILHE

COMPARTILHE

Leonardo Ribeiro

Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Um devoto de São Hitchcock, que tenta unir o prazer de escrever ao prazer de discutir e analisar a sétima arte. Facebook: https://www.facebook.com/leo.sp.ribeiro Twitter: @leospribeiro

RELACIONADOS