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Sete Dias Com Marilyn

Audiovisual 04/05/12 - 12h Cult Cultura

Parece fácil apontar os fatores que levam a construção de um ícone, de um mito. Destaque em seu meio, talento e carisma são alguns elementos essenciais. Some a eles um destino trágico, que cause comoção e uma ligação emocional com as outras pessoas, e provavelmente teremos a fórmula ideal. Só que nem sempre isso basta, é preciso haver um “algo a mais”, aquilo que não somos capazes de definir de forma lógica, mas que sabemos que está lá. E se existiu alguém que possuiu esse “algo a mais”, esse alguém foi Marilyn Monroe.

Em “Sete Dias com Marilyn” de Simon Curtis, não temos uma biografia propriamente dita de Marilyn, mas um recorte pequeno de um período de sua vida, quando foi à Inglaterra em 1957 para filmar “O Príncipe Encantado”, com Sir Laurence Olivier. A história é narrada pelo ponto de vista de Colin Clark, autor dos dois livros em que o filme é baseado. Terceiro assistente de direção em “O Príncipe Encantado”, o jovem inglês acaba tendo um romance breve com a atriz hollywoodiana durante as conturbadas filmagens da produção.

O diretor Curtis, egresso da TV britânica, utiliza uma montagem ágil (como os flashs dos fotógrafos que viviam atrás de Marilyn) principalmente na primeira meia hora, já que, assim como o período da vida da atriz retratado na tela, o filme é curto. Algo que faz bem por não se arrastar demais, mas também faz mal por não se aprofundar melhor em alguns pontos da personalidade de sua figura principal. Sem demonstrar um talento acima da média, Curtis entrega um filme “redondo”, que não tem nenhum grande destaque na direção, mas não compromete a narrativa. Ajudado por uma reconstituição de época cuidadosa (direção de arte, fotografia, figurinos, etc) e por uma bela trilha sonora com toques de jazz, o diretor entrega a tarefa de carregar o filme para Michelle Williams.

Encarnar o maior sexy symbol de todos os tempos, definitivamente não é uma tarefa simples, mas Williams vence esse desafio com muitos méritos. Mesmo sem ter uma grande semelhança física com Marilyn, Williams consegue captar e reproduzir olhares, trejeitos, gestos e tom de voz com perfeição. Sua interpretação transmite toda a sensualidade e fragilidade de uma personagem bem complexa: uma mulher que passa a viver 24 horas por dia uma personagem, desfrutando do prazer e ao mesmo tempo carregando o peso de ser a estrela mais desejada do cinema na época. Vemos no filme uma Marilyn ciente de seu poder de encantamento, capaz de controlar os homens muito mais facilmente do que a si mesma, mas também vemos uma jovem frágil e insegura, que deseja tanto provar que é uma boa atriz, quanto agradar e ser amada por todos.

Ao lado de Michelle Williams, o resto do elenco também está muito bem. Kenneth Branagh (ator com formação teatral e shakespeariana , como Olivier) está excelente. O mesmo vale para Judi Dench, Julia Ormond e Eddie Redmayne. No papel de Colin, Redmayne acaba representando o sentimento de praticamente todos os homens por Marilyn, como um simples mortal que se encontra com uma Deusa. E se o filme exagera um pouco na repetição de cenas que mostram como Marilyn atrasava as filmagens por estar sob o efeito de calmantes ou por estar tentando encontrar a sua personagem (a atriz era adepta do Método Stanislavisk), a beleza, o charme e o talento de Williams compensam os deslizes.

Mesmo com alguns assuntos tratados de forma superficial, como a sua relação com a mãe (“Toda garotinha merece ouvir como ela é linda”, diz Marilyn com tom melancólico), Williams consegue dar profundidade a personagem, mostrando o lado ousado, como na cena do lago, e o lado encantador da atriz, como na bela sequência em que Colin a espia cantando na banheira.

A morte precoce da atriz acabou por concretizar de vez o seu desejo de ser idolatrada, o seu desejo de estar bela “mesmo depois de 400 anos”. Pois a imagem de Marilyn que ficará eternizada na memória de todos é essa: a da a mais pura tradução de musa, de ícone, de mito. E através de Michelle Williams, o filme consegue fazer jus a essa imagem.

Por Leonardo Ribeiro

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