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SP Cine, da ficção à realidade?

Audiovisual 28/01/14 - 05h Leonardo Cassio

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A cidade de São Paulo, que gosta de ser reconhecida como a locomotiva do país, demorou um bocado, mas parece ter construído os trilhos. O grande centro financeiro do Brasil terá agora a sua empresa de incentivo ao audiovisual, a Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo, SP Cine.

A lei 15.929, sancionada no dia 20 de dezembro passado pelo prefeito Fernando Haddad (PT), é um importante passo no campo das políticas públicas para a área de audiovisual no município de São Paulo. Com o embrião plantado em 2001, por meio do projeto Centro Municipal de Cinema, a SP Cine terá, entre suas atribuições, o fomento a obras audiovisuais, eventos e pesquisas ligadas à área, além de construir salas de cinema e centros de exibição.

O atual secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira (ex-ministro da mesma pasta), afirmou que a SP Cine “seguirá o modelo de empresa e deverá se comprometer com os resultados, sejam eles culturais, sejam eles econômicos, para que se justifique o investimento público”. A entidade contará com aportes de R$ 25 milhões dos governos estadual e municipal, além de um possível recurso no mesmo valor vindo do governo federal, o que demonstra o interesse público na SP Cine em todos os níveis das esferas de poder.

Como era de esperar, no dia da sanção e lançamento oficial da agência de fomento, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, multiplicaram-se questionamentos e comparações com a Rio Filmes. A agência do município do Rio de Janeiro é a maior do Brasil e as produções que de lá saem dominam 95% do market share do audiovisual nacional (claro, há aqui o fator Rede Globo, mas a dianteira, de fato, veio do vizinho).

Ainda de acordo com Juca Ferreira, a SP Cine se baseou, sim, em alguns preceitos da Rio Filmes (fez o famoso benchmarking), mas não copiou o modelo, estruturando um próprio para a cidade de São Paulo, o que indica bom senso.

O mais interessante na criação da SP Cine é a possibilidade de transformar a cidade em um espaço de locação vitalício, o que deverá ser feito por meio de uma comissão – a film comission – que facilitará e desburocratizará as filmagens na megalópole, organizando meios de promoção da imagem da cidade (que está precisando mesmo…). Aliás, a dificuldade de filmar hoje nos espaços públicos de São Paulo é uma das principais queixas do setor do audiovisual.

Barcelona, Londres, Nova York e o próprio Rio de Janeiro (guardadas as diferenças) possuem políticas específicas para a produção de longas-metragens e outros produtos audiovisuais. Porém, a maior metrópole da América do Sul, uma das cidades mais ricas do mundo, berço de centenas de artistas, intelectuais, pensadores e similares, mal consegue aparecer nos noticiários internacionais e, quando consegue, é por causa do trânsito ou do PCC…

A SP Cine, que pela luta para se tornar realidade, mais parece ser uma obra de ficção. É um presente enorme para a cadeia artística do setor. Enorme. Porém, como todo órgão de regulação e de fomento, nasce já com uma responsabilidade brutal (ainda bem, pois é gerida por recursos públicos) e os resultados devem ser de curto prazo.

Os principais problemas que a SP Cine deverá enfrentar, como acontece com o Ministério da Cultura e outros órgãos públicos, é a questão da escolha dos projetos a fomentar. É sempre uma encrenca, mesmo que os métodos sejam quase (pois totalmente é impossível) claros.

Mas estamos no começo. Roteiro finalizado, agora é produzir, literalmente. Aos interessados, cabe fiscalizar a SP Cine e, de preferência, com uma câmera na mão.

Texto originalmente publicado no Jornalirismo.

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Leonardo Cassio

Leonardo Cassio

Sócio-diretor da Carbono 60 - Economia Criativa, Leonardo Cassio é publicitário, jornalista e amante da sétima arte. Lê de mangá a física quântica e tem uma tatuagem do Pearl Jam.

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